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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

26
Mar22

Putinesca

Rita Pirolita

Disse eu que na guerra não há razão e quem sofre são as gentes alheias, fui logo apelidada de Putinesca! Em curso e a dar frutos a manipulação da opinião pública que justifique pegar em armas e não mexer nos negócios dos que mandam no mundo, despejamos assim o nosso ódio nos mais próximos que conseguem ver mais além nas motivações dos conflitos, a maioria apenas fica contente por estar do lado certo (q ñ existe) e estarem a ajudar quem foge da guerra para não pensarem nem um pouco na responsabilidade que todos temos nestas desgraças, permitindo que quem nos governa faça negócios em troco de muito dinheiro e se mantenha no poder durante tempo demais, andamos assim ocupados e distraídos a odiar o próximo e a ajudar os que vêm de mais longe, o objectivo da propaganda está mais que conseguido, vocês sentem-se bem, andam com medo da ameaça nuclear, controlados por senhas de combustível, virão talvez as do óleo e da farinha como aqueles regimes apoiados desde a antiga URSS, todos dirão que temos que nos sacrificar, a culpa é da guerra, uma entidade independente e espontânea como cogumelos, not.

Vocês acham que se houvesse boa vontade se deixariam oligarcas, imperialistas, ditadores, fascistas e comunistas terem subido ao poder estando lá o tempo suficiente para matar milhões? É óbvio que estes senhores são mantidos porque dá jeito aos donos disto tudo. 

Acolham num dia pessoas que chegam desesperadas (alguém se vai aproveitar dessa fragilidade) e na próxima reunião de condomínio não se esqueçam de começar uma guerra!
Lembrem-se que perpetuar conflitos e mau estar é a base da alienação!
Com a vossa hipócrisia não posso eu bem

16
Mar22

Dona Riquinha se fina

Rita Pirolita

Dona Riquinha habitava em Lisboa nas avenidas nobres e largas acompanhada pela filha médica, divorciada que à altura e até ao fim iria viver com um tumor nas sinapses, mandavam os colegas de profissão que aproveitasse a vida mais encurtada, como se a vida se pudesse comprimir em ficheiro quando a máquina anuncia desistir.
Dona Riquinha já levava em cima para lá de 85 anos e três quartos quando num dia que se previa igual a tantos outros, como são todos os dias dos velhos, heis senão que um fogo lhe começa no coração como uma máquina a vapor que entra em velocidade alucinante quase a deixar de tocar carril, o mareamento sobe ao couro cabeludo e rouba aquecimento aos pés, ainda com forças mas sem entrar em pânico, a manter a compostura como gente fina sempre faz e fará, queixa-se de afrontamento e coração cavalgudo, a filha com cabeça ocupada por tumor prefere chamar assistência de imediato.
Chegam bombeiros que descem corpo em agonia, após tentativas várias para afastar a morte Dona Riquinha deixa de bafejar, chama-se o médico dos óbitos e a confusão instala-se, como ninguém quer levar o corpo para a morgue pois acrescenta-se mais um à festa, venha a polícia porque estão todos no meio da rua mal parados, chega o ex-genro da defunta no momento da procissão para a esquadra num velório improvisado com polícia, bombeiros, médico, morta e família, todos para recolha e cativação de identificação, mesmo a de Dona Riquinha que jazia friazinha na maca.
Depois de horas em enrijecimento articular ainda ninguém tinha arredado pé da esquadra quando senão o ex-genro, homem calmo demais, sai porta fora e se dirige à primeira funerária que encontra que por acaso era logo ali do outro lado da rua, tinha ele sem saber e por irritação acabado com a soberba daquela gente em ganhar comissão ao chamar cangalheiro de seu interesse!
Se esta história não tivesse existido eu não seria capaz de a inventar tão bem!
Sim, Dona Riquinha teve um funeral calmo mas que deixou desconfortável memória do dia da sua morte!

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