Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Contos e Descontos

29
Nov21

Mudança

Rita Pirolita

As pessoas por quem nos apaixonamos são apreciadas pela mudança que trazem à nossa vida não pela qualidade que possam ter.
Sim a humanidade é fútil, também por isso viveu mal mas sobreviveu bem até hoje!

29
Nov21

Olívia

Rita Pirolita

Olívia vivia desde sempre na mesma rua do meio da vila de onde todos a conheciam de boas falas e ladina, foi namoriscando aqui e ali mas sem casar, o último pretendente foi o Humberto das finanças que se escapava ao almoço para os braços de Olívia que o recebia apressada em hora tão curta, na azáfama da paixão Humberto deu-lhe a sulipampa dos velhos, o coração travou a fundo e nunca mais arrancou, Olívia não se atrapalhou, vestiu o amoroso como se já fosse para o enterro, arrastou-o até às escadas e com a ponta do pezinho delicado empurrou sem olhar o corpo acabadinho de falecer.
Pelas ruas da aldeia o cochicho era geral mas abafado, todos sabiam mas ninguém ousava apontar, num tempo de morte matada sem suspeitas, ninguém investigou a queda forçada. Quando o foram buscar, Humberto apresentava um esgar de prazer, gozo e uma ponta de sofrimento! Todos questionavam Olívia com o olhar como a querer saber porque estava um homem na sua casa que por acaso morreu mas isso a todos tocava, agora o local e a companhia faziam o acontecimento, se caiu da escada era porque estava no andar dos quartos e todos sabiam o que se faz num quarto além de dormir! Olívia não aguentava mais o manto de interrogações, confessou a uma amiga que contou a outras as circunstâncias da humorística morte, não bastando o desabafo, o segredo queimava-lhe o peito, foi-se ao confessionário, o padre em forte censura pela relação adúltera não concedeu ao morto enterro religioso, que a terra o consumisse sem a sua bênção ou presença, que fosse da morgue directo para o buraco! Olívia ficou tão destroçada que ainda mais se submeteu às ordens da sacristia, uma serva sem questionar fosse o que fosse, sentia assim que se podia redimir do que tinha feito mas Humberto insistia em visitá-la todas as noites em sonhos que a atiravam escada abaixo!

19
Nov21

Roubada

Rita Pirolita

Dona Mariquinhas não tinha doença espontânea nem maleita declarada mas trazia antepassados colados à saúde, de destacar, incontinência urinária, maluqueira generalizada, arritmias compassadas, ciclos menstruais com cãibras de útero, ossos frágeis mas só para lá dos 80 e para rematar um historial de prisão de ventre com alguma malignidade associada à tripa. Para prevenir desgostos mortais a médica por prevenção mandou fazer cocó de 3 dias a guardar no frigorifico em frascos de boca larga e tampa, lá se juntaram três vidros de marcas diferentes, Tofina, Brasa e Pensal, bem escondidos e disfarçados não fossem os miúdos por curiosidade abrir para ver o que era aquela pasta tipo Tulicreme, lá se foram juntando atrás de uma couve troncha farfalhuda. Chegado o dia de acabar com a recolha proctológica, com tudo enfiado numa sacola foi dona Mariquinhas a caminho do laboratório com trabalho de suas entranhas, nada de precioso mas merecia manuseamento cuidado, não fosse cair na calçada o trabalho e desconforto de recolha dos próprios dejectos, era um preciosismo relativo mas de alguma monta entregar tudo intacto para análise. Ia dona Mariquinhas em passo aceleredo para chegar à paragem da carreira 24 que ia mesmo até ao largo da clínica quando senão passam dois meliantes montados numa motoreta e lhe roubam a sacola dos frascos num supetão inesperado, dona Mariquinhas teve meio segundo de reacção ao puxar os frascos para si mas passou mais meio segundo e aliviada a tensão do braço desatou a rir num pranto que até teve que se sentar na soleira do prédio mais próximo, algumas pessoas de passagem que presenciaram o roubo ficaram aflitas mas incrédulas com a risota da mulher assaltada! Dona Mariquinhas só pensava naqueles dois tristes manfios que tiveram um dia de azar e na cara deles ao ver e cheirar o que tinham roubado, nem os melhores alquimistas do mundo transformariam aquilo em ouro!
Mais três frascos se acumularam no frigorífico lá de casa e desta vez chegaram ao destino sãos e salvos, tal como o intestino de dona Mariquinhas que se apresentou benigno e revolto que baste dentro do normal!
Esta história é verdadeira desde a boca até ao c...

16
Nov21

Passar a ferro

Rita Pirolita

Não consigo imaginar alguém ter o estigma do julgamento pela raça desde que se lembra de ser gente ou mesmo antes disso sofrer com menos oportunidades ou desamor e pobreza!
Como emigrante num país de 1° mundo chamado civilizado e decididamente muito rico, na extração de petróleo acabam por ter a céu aberto uma das maiores extensões de atentado e delapidação ambiental, no entanto e apesar das condições extremas em que se trabalha, com temperaruras às vezes de 50 graus negativos, não existe exploração infantil e é bem pago, a minha experiência é também de discriminação encapotada, os canadianos ainda nos tratam bem de forma contida porque sabem que fazemos os trabalhos que eles não querem, por isso nos toleram, pelo aspecto físico ainda escapo ao julgamento mas quando abro a boca o meu sotaque denuncia-me como forasteira. Cada nacionalidade vive virada para a comunidade naturalmente mas existem também dentro dela níveis de exploração e trabalho, os portugueses com pouca escolaridade trabalham normalmente nas limpezas ou construção. Quão irónico é alguém que conheço trabalhar nas limpezas, angariando outras portuguesas à percentagem sendo que muitas vezes recebe sem trabalhar por ter sido a angariadora das casas e porque tem alguém na base da pirâmide a suar para isso e quão mais irónico ainda é essa pessoa não gostar de passar a ferro, fazê-lo apenas quando é paga para tal noutras casas e depois pagar a outra emigrante para passar a ferro na sua própria casa?...
Deixo-vos em considerações!

15
Nov21

O Natal não é para mim!

Rita Pirolita

Este ano vou tentar não deitar nenhuma árvore de Natal ao chão, a tradição já é de longa data começando na infância, passando pela casa da sogra e até já derrubei uma num centro comercial, juro que não é de propósito mas...o Natal não é para mim!

15
Nov21

Gata em rosa

Rita Pirolita

Fui fazer rastreio do cancro da mama, doeu para c@r@lho...envolvida na cor rosa conheci a gata de rua que o salão de cabeleireira onde costumo ir adoptou, conseguiram donos para os sete gatinhos que teve, esterilizaram e aqui está ela a viver entre unhas e cabelos, feliz e meiga!

20211115_123047.jpg

 

 

Pág. 1/2

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub