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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

27
Fev21

Tudo ao léu

Rita Pirolita

Sabendo que sou louca mas trivial também...quando estou sentada na sanita e vejo no chão um cabelo que seja, começo logo a pegar num pedaço de papel higiénico e ando ali de cu para o ar com tudo ao léu a limpar, como se o lixo fosse fugir! Sou assim o que querem!...

20
Fev21

Filosofando

Rita Pirolita

Gosto de filosofia e de filosofar, não sendo por isso que me sinta capaz de fazer raciocínios que possam criar uma corrente com nome, pelo menos sinto com segurança que consigo criar uma linha de pensamento com coerência afastada o suficiente de ideologias políticas, salvaguardando assim o meu orgulho em saber separar as coisas, não as confundir ou misturar e sim relacionar em modo causa-efeito. Ora tendo eu a noção que filosofar também é pensar a vida e viver mediante um caminho que vamos construindo no concordar ou desagrado, filosofar será um ser humano a demonstrar a capacidade que tem de tecer ideias, opiniões e critica sobre si próprio e sobre o que e quem o rodeia. Chegados aqui o meu olhar sobre o mundo, não querendo passar por conservadora que acho não ser, resume-se ao regresso à essência das coisas para não mergulhar em devaneios e sim acreditar que o sonho verdadeiro e não infantilizado se pode materializar.
Vivemos actualmente em países ricos, porque os de 3° mundo continuam a sofrer com a realidade mais atroz da guerra, fome, abuso, miséria e discriminação, em lutas aéreas e vazias, afastadas do essencial e até da realidade, luta-se em paradas carnavalescas pela identidade de género quando muito poucos têm a certeza do que são e estão confusos acerca do que querem ser, existem catálogos de tipos de corpos sem olhar a almas, os que se dizem profissionais do fisisco e do sentir fazem parte da engrenagem de aprovação em enfiar pessoas à força nos mais variados estereótipos só para que os indecisos se sintam aceites e encaixados em minorias que convém serem o mais estravagantes, aberrantes e chocantes de todos os tempos, necessitam sim de se evidenciar, todos querem ser uma estrela num Universo cheio delas em vez de se resumirem à humildade de um grupo, a humanidade nas suas idiossincracias, professam idependência e assunção da condição mais dismorfe ou amorfa só porque sim, sem rumo entram em depressões, ódios, revoltas e lutas que nunca serão as suas!
Banaliza-se a exposição da intimidade, encenam-se choros e queixumes de assédio, vê-se tanta mama, pila e crica que só chego à conclusão sem surpresa que todos temos o mesmo em diferentes feitios e tamanhos, há de tudo para todos os gostos e sobre este assunto do corpo, porque da alma já ninguém se ocupa, poderei falar oportunamente sobre a confusão que também invadiu o quotidiano, porque se tem tempo que já não sendo gasto em actos de sobrevivência poderia ser aproveitado em ócio e contemplação, saber fazer nada também é uma arte mas não, estamos cada vez mais fechados e isolados mas no entanto com uma sede de exposição brutal, diria uma auto-prostituição e aqui não falo do mundo virtual declaradamente erótico ou pornográfico, tudo o que lá está é para ser explicitamente vendido a quem procura e já sabe o que vai encontrar, em paralelo existe uma estimulação feita de imagens, de poses, de linguagem falada ou corporal, que necessidade têm miúdas, gamers, blogers, youtubers de sexualizar o seu trabalho? Anseiam sem dúvida por seguidores, admiradores e aprovação, foram despojados de confiança em si próprios e da sua autodeterminação, ao ficarem desorientados dependem de aprovação alheia e acreditam que não são a sua melhor companhia e ajuda, enfraquecidos querem-se convencer que exorcizam o seu melhor em atitudes estapafurdias que apenas são projecções gráficas sem conteúdo! As cirurgias, a make-up, a dissimulação, o estatuto, a pertença forçada à maior tolice mais in do momento, deixarem-se convencer que devem pensar fora da caixa mas estar inseridos e para isso precisam sempre de ajuda profissional paga e tanto melhor com uma patologia da moda associada, rendem-se à aprovação de uma sociedade que tem ela própria critérios de selecção muito duvidosos e promíscuos, gerações com acesso tão fácil a informação distorcida que por exemplo aceitam e normalizam a violência no namoro, a negação ou a não aceitação de si próprio só leva a mentes equivocadas que não fazem a mínima ideia para onde querem ir e desculpam o desnorte com a fúria de fazer parecer que vivem mas não, já nasceram mortos, estão apenas a enterrar-se e a fazer o luto da sua própria vida!

18
Fev21

Fumem prái

Rita Pirolita

Conheço muita gente deprimida, vão ao psicólogo andam medicadas e depois entram em devaneios do tipo 'a ganza que fumo é na base do medicinal o médico nem desaconselhou, há depressão nos meus genes depois com a separação dos paizinhos tás a ver a coisa piorou!' Epá calem-se e fumem prái!

18
Fev21

O par do telefone

Rita Pirolita

O par que se conheceu em linhas de telefone cruzadas no ano da Gabriela cravo e canela.

Eulucínio passava o tempo a receber chamadas na casa funerária lá da vila, muita gente morria porque já não tinha mais saúde para fugir à morte, não havia cá mortes por homicídio, a única matança era a do porco e só o homem da faca no bucho lidava com o agravo da morte do tó que guinchava como guindaste ferrugento, de resto matavam-se galinhas, os cães iam morrer ao monte junto dos lobos, os coelhos, esses sempre se reproduziram de tal maneira profusa que sempre as pediram, tal como os gatos em praga mas esses tinham fim no fundo de balde cheio de água, uns tiros às rolas, os ratos matavam-se com veneno e a aranha da batata também! O tempo da baga combinado com a vindima para dar cor ao baco líquido trazia flatulências, alterações cardiacas, gripes, congestão e maus figados, mareios, ciática que não mata mas corrói e por fim enfartamentos de bílis gordurosa e apendicites fulminantes que matavam por líquido pestilente, adiante, todos morriam desde sempre, como sempre e Eulucínio filho de Lupicínio lá se embrenhava no negócio dos caixotes por medida para o defunto rico e os restantes para quem era pobre e se fosse comprido tinha que se encolher! Tratava das velas, das mortalhas rendadas, das flores negócio da mãe e do padre que era tio. Certo dia encomedava Eulucínio um caixão para o abastado da terra que tinha morrido de intestino torcido por umas alheiras deliciosas e entoiridas de gordura, pedida a ligação à telefonista atende uma voz de fina fêmea com cheiro a veludo de rosas...

- Sim? Sim? Está a ouvir-me senhorita Dora?

- Um pouco mal, a ligação está má mas diga...

- Queria encomendar um cor de mogno, tem disponível para entrega amanhã?

- Desculpe mas vou ter que falar com o paizinho.

- Percebo e o forro poderá ser num tom pérola? Preciosa é claro que isto é para pessoa muito respeitada e importante cá da terra.

- Temos tecidos de alta qualidade e as cores mais discretas.

- Claro compreendo e fazem tamanhos grandes?  

- Sim fazemos em todas as medidas mas tem que vir à loja para confirmar, gostamos de fazer tudo à medida e vontade do cliente!

- E se levar já as medidas só passo ai para escolher a cor certo?

- Desculpe mas só trabalhamos com o corpo presente do cliente!

- Ora essa como é que eu levo o Sr. Alcides que está livido e hirto??? 

- Desculpe mas está a falar do Sr. Alcides Conde Barinho? Soube ontem que se finou de nó na tripa!...

- Ora pois é precisamente a mesma e única pessoa!

- Quer então que tiremos medidas para o vestir para o Além?

- Nada disso, ele irá com o fato da Guarda Republicana que tanto honrou, quero sim encomendar um caixão!

- Ai credo não me faça desfalecer ao mudar a profissão do paizinho que tanto orgulho enverga em ser alfaiate!

- Ora essa, como assim? Não estou a falar com a Dorinha dos caixões?

- De maneira alguma, está a falar com a Doroteia filha do alfaiate Hermengardo Zeno, família recomendada em Veneza!

Pois deu-se o equivoco mais agradável da vida de um cangalheiro que querendo encomendar um caixão foi parar às fatiotas da moda, deixo à imaginação de quem lê a conversa que enrolou e depois desenrolou mas não morreu ali. A primeira chamada cruzada passou a muitas de linha certeira, sairam do fio e conheceram-se, no casamento ele foi vestido de mogno e ela de pérola preciosa!

18
Fev21

Flower Power

Rita Pirolita

A geração dos nossos pais tem o mau hábito de definir uma relação de amizade pelo tempo e pela necessidade que alguém tem de recorrer à sua ajuda, sentem-se assim precisos e usados! 
Fico triste por ter pena de quem viveu na altura do Flower Power e murchou desta maneira!

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