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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

20
Ago20

Gambina e Gibolim

Rita Pirolita

Gambina era tão alta e esguia que à sua passagem em frente à tasca do Eurípedes gritavam que se alimentava de pedacinhos de céu, bebia gotículas de nuvem e à noite palitava os dentes com pontinhas de estrela, não podendo ela negar fazia o que a altura lhe dava de bandeja, olhava todos de cima a baixo e nunca por força das altitudes de baixo para cima com um ar pueril como a fazer-se pequenina para que não a julgassem de sobranceria! Custava agachar-se, dobrar as cruzes, ajoelhar-se, era a força de um guindaste a atirar-se para o chão desamparado ou a levantar-se como girassol que lhe pesa a cabeça para tamanha altura. Gambina não se podia dar a luxo de quedas, por perto não se atreviam a amparar e para levantar ninguém tinha tento naquelas carnes linguiça que tinham medo se escapassem das mãos como enguia mole!
Certo meio de tarde quatro bêbedos lhe quiseram encurtar as pernas, três votavam pela esquerda e um pela direita, não chegando a consenso pela metade desistiram antes de adormecer na esquina do Eurípedes.
Gambina triste começou a fazer-se amorroada, rente ao chão, de joelhos encolhidos e omoplatas corcundas, ninguém a corrigia a tempo até que chegou circo ao terreiro e um anão de meia-tigela como sempre são, prantou olhos na gigantona Gambina foi paixão dos pés à cabeça em tempo rápido sem relógio, o anão gania e Gambina uivava, a aldeia juntou-se por não mais puder ouvir nem um nem outro e fizeram casório de arromba. Durante meio dia e mais um quarto de noite o anão Gibolim trepava pelas pelas pernas-palmeira de sua amada e quando alcançava anca femina ela agarrava o homem encolhido que se fazia grande para beijo de boca!
Ficaram pela aldeia sem dor, dó ou piedade, tiveram uma filha de perna alta e cabeça grande e um filho de curto tronco e largo peito!

09
Ago20

Há por aí MULHERES?

Rita Pirolita
Há por ai gente pouco ou nada susceptível que encare a realidade com nudeza e crueza? Há por aí especialmente mulheres que não sejam violentas, assanhadas, ressabiadas, frustradas e que não andem cegas com o feminismo moderno das Capazes ou Marias malucas do BE? 
Há por aí mulheres que em vez de se armarem em independentes com trabalho no lombo que se farta, dão um berro, um murro na mesa e protestam. Também trabalham além da vida doméstica, recebem menos é certo mas em vez de um homem que as ajude, querem um homem que divida tarefas, já que eles não podem parir um filho ou outro de vez em quando? Há por aí mães sós e desamadas que deixem de educar os filhos em total machismo e mimalhice, em guerra aberta e prejuízo para as mulheres que os vão aturar que se devem dar por muito contentes se eles puserem as próprias peúgas para lavar enquanto elas lavam, limpam, cozinham, dão banho aos miúdos e ainda têm que estar sempre lindas e cheirosas com um ar fresco e fofo nas fuças, de unha arranjada e dieta feita...como sendo tudo dado adquirido da sua condição feminina, como se tivessem nascido com isso agarrado aos genes? Há por aí mulheres que não perdem tempo com movimentos #metoo e em vez de se vitimizarem sabem o que querem e dizem e não andam armadas em coitadinhas de elite caviar que critica o sistema mas vive e é produto dele?
Ponham os olhos nos homens que encaram o dia do casamento como um dia de festa com oportunidade de  se divertirem, estarem com os amigalhaços e passado duas horas andarem sem gravata, de camisa aberta e bêbedos que nem cachos! 
Deixem lá os gays gozar com entusiasmo a novidade do casamento!
Deixem de desejar que de vez em quando vos cresça uma pila para violarem com ódio as mulheres que apenas têm ideias diferentes e não se fazem de coitadinhas a toda a hora. 
Dá trabalho ser diferente por isso não empatem o percurso de outras ou façam perder tempo com frustrações, perseguições e teorias da conspiração, fruto de vidas mimadas. Há por isso por aí mulheres que se preocupem com as verdadeiras violações dos direitos humanos, que queiram caminhar pela diferença ao lado dos homens que merecem, sem os meter a todos no mesmo saco, tal como nós não gostamos que nos façam?!
Há por aí mulheres que não sejam malucas esquizofrénicas como a girafa que namora com o macaco e lhe pede constantemente, beija-me a boca, chupa-me as mamas, beija-me a boca, chupa-me as mamas, que canseira andar para cima e para baixo naquele longo pescoço.
Não queiram por isso ser aquelas que querem tudo ao mesmo tempo, serem galanteadas, seduzidas, no fundo até já querem ser assediadas e não distinguem os limites, porque querem é ter importância para alguém, porque não conseguem estar sós e existir por si, não serem desprezadas, não serem julgadas, terem atenção exclusiva, serem elogiadas, terem os presentes que pedem porque impõem que merecem, serem amadas, não ficarem furiosas por serem feias e ninguém se interessar em conhecer o  vosso interior, nisso têm que ter mais paciência, as mais giras são mais importunadas por toda a merda, têm mais por onde escolher, mais porcaria para aturar e no fim resta-lhes o mesmo que às menos bafejadas pela beleza! 
Adivinhem lá...
Os homens, as crianças, os passarinhos, as árvores também precisam de atenção e amor da vossa parte e podem dizer asneiras de vez em quando, não fica mal na altura certa!
Deixem de admirar vitimas que se vitimizam e deixem de criticar ou ter inveja das vitimas que não se vitimizam e combatem o medo de ser olhadas de lado, por dizerem o que realmente sentem e pensam.
Deixem de pôr as culpas apenas na gaja que vos destruiu a relação, supresa, foi ele que também se meteu com ela e vos pôs os chavelhos, a outra ou sabe e continua ou não sabe e continua.
Deixem de se criticar e julgar pelas unhas de gel e pela peruca que exibem, concentrem-se mais na merda de gajos que muitas vezes escolhem, sim porque também os há que não prestam, a versão masculina das cabras, os cabrões!
Deixem-se lá de mimimis e sejam mulheres, apenas diferentes dos homens, dos dinossauros, das abelhinhas e das florzinhas!...
Mas porra que anda tudo ao mesmo anda, seja lá o que for!
09
Ago20

BLOQUEADOS

Rita Pirolita
Vou novamente aqui abordar um assunto sobre o qual já estou careca de falar, careca talvez seja difícil que tenho cabeleira farta mas aqui vai. 
Bloquear pessoas nas redes sociais é uma prática que ao inicio não gostava de fazer, era como se virasse as costas a uma boa discussão com a qual poderia evoluir, comecei a descobrir que nem todas as pessoas merecem resposta ou mesmo ler aquilo que respondemos, passo a explicar. 
Comecei a ter uma atitude pouco ortodoxa e nada honesta nas minhas caixas de comentários mas como todos os que não gosto estão bloqueados provavelmente também nunca irão ler isto.
Acima de tudo comecei a treinar a minha intuição para perceber quem merecia resposta e quem seria tempo perdido a dar trela para se esganar. A maioria das pessoas andam iradas com a vida que têm ou às vezes não têm mas arranjam, não têm paciência e são umas mimadas desprovidas de ideias e opinião que se veja, aventuram-se a comentar assuntos que se mostram um pântano autêntico no qual se enxovalham e afundam pelas próprias mãos, além de que este tipo de pessoas sofre de uma grande iliteracia no sentido de saber ler mas não saber interpretar o que lê e assim não responderem em consonância.
Mesmo expressando ideias diferentes, como estava a dizer, as pessoas andam com o ódio à flor da pele, prontinho a disparar naquele comentário que fala de assuntos que estão na ordem do dia, os que estão ligados a questões de pendor sexual têm uma abordagem feminina de muita susceptibilidade ferida, de virgens ofendidas e de alguns homens enconados que nunca souberam definir sem impor, o seu lugar e acção, ou seja não sabem o que andam cá a fazer e seguem o rebanho das feministas ferozes e (in)Capazes, têm que mostrar que estão do lado delas porque se não não molham o bico!
Ora a minha prática não muito recente, é bloquear quem não quero que esteja na minha caixa de comentários, porque envergonha a discussão e traz arrogância e mau ambiente. Há uns tempos atrás ainda dava pelo menos um dia para que as pessoas pudessem ler a resposta à sua estupidez, direito que eu lhes concedia e assim teriam a oportunidade de responder, alguns metiam a viola no saco e apagavam os seus próprios comentários, outros continuavam a aumentar a saga de mostrar a sua intolerância, estupidez e burrice muitas vezes com vocabulário que não havia necessidade de estar esparralhado nas redes sociais e com calinadas brutais no 'pretuguês'. 
Portanto a minha mais recente atitude associada ao bloqueio é caracterizada pelo toca e foge, ou seja, respondo assim que posso às provocações e logo a seguir como não tenho paciência e até às vezes muita vergonha de pertencer a esta raça que ocupa o planeta, bloqueio logo a seguir, consciente de que não dou tempo nem oportunidade ao interlocutor de ler o que seja, responder ou contrapor mas ficam lá todos os comentários visíveis seja para quem for que não esteja bloqueado por mim e tenha interesse em ler e se possa rir ou concordar com mais um estúpido!
Muitas vezes fico surpreendida pelo grau de indignação provocado relativamente a muitos assuntos que são menores para mim e percebo que a maioria gosta de viver num universo paralelo para fugir à assunção da realidade pura e dura, muito menos têm a noção do que se passa à sua volta, nem mostram interesse em se elucidar e aprender!
Deixo aqui um pedido: 
Não respondam áquilo que não entendem? Eu sei que não conseguem perceber que não entendem, mas quando alguém vos chamar à atenção de estarem a responder a alhos com bugalhos, das duas três, esforcem-se por começar a deduzir melhor o que lêem, mesmo que percam o triplo do tempo de uma pessoa medianamente inteligente, parem de comentar e não partam para o insulto, esse é o sujo argumento dos idiotas e não me parece que queiram passar pela humilhação de mostrar esse vosso lado! 
Se não têm nada de jeito para mostrar e partilhar com o mundo, vegetem no vosso cantinho sem estrebuchar, porque a quem não pensa, não deve ser dado o direito de agir nem muito menos de expressar baboseiras em vez de opiniões com sumo!
Tenho tido uma vida muito mais descansada no que toca a redes sociais, não alimento parvoíce e sem nenhum tipo de arrependimento...já vi que isto funciona e bem!
09
Ago20

Feministas ferozes

Rita Pirolita
Às feministas ferozes que actuam por ódio aos homens denunciando casos de assédio impossíveis de provar, por estarem cheios de teias de aranha...os homens também são alvo de assédio e pressão em sustentar mulheres que se fazem à riqueza material numa de se rodearem do bom e do melhor em troca de beleza e bom desempenho sexual. Isto não é seduzir, é conseguir o que se deseja dê lá por onde der, sem olhar a meios e aproveitar-se do galanteio para extorquir pessoas que também se põem a jeito e não são parte inocente da coisa!
Que os adultos mesmo que supostamente responsáveis queiram dar a entender que não sabem o que andam a fazer é uma coisa mas como poderão crianças que já não são assim tão inocentes mas também ainda não criaram a capacidade de se defenderem de investidas ferozes e humilhantes de abutres impiedosos, não se deixarem molestar?... 
Será que de repente se esquivaram todos de lutar por causas verdadeiras, esqueceram os abusos levados a cabo por pedófilos disfarçados de padres durante décadas, estupros concretizados e não só sugeridos de milhares de crianças, mulheres mortas por violência doméstica, excisão feminina, violações em massa em locais de guerra tanto de homens como de mulheres e muito mais que ficaria aqui um dia inteiro...
Esses miúdos deram origem a pais traumatizados e calados por vergonha e ameaças, em nome de um Deus que a existir nem devia ser invocado pela boca de muitos. 
09
Ago20

A cantar desde 1964

Rita Pirolita
Só me dei conta do culto ao Festival da Canção quando já tinham passado uns bons anos sobre a sua existência, como em tudo é preciso algum tempo para um programa ser elevado a jóia da televisão. 

Lembro-me sim que nesse dia tudo parava, ninguém na rua nem carros na estrada, os canais eram apenas dois, as escolhas poucas mas nem por isso desprovidas de qualidade, pelo contrário, muito mais que agora. 

Lembro-me de ouvir aos domingos por horas a fio o som repetitivo das voltas da Formula1 acompanhado do cheiro que invadia a casa, carne assada no forno com batata e pudim francês de sobremesa que levava para ai 50 ovos, a figadeira até se ria, cozinhado em forma de alumínio na panela de pressão Silampos, por coisas que só davam uma vez por ano, o (nosso) mundo de facto parava. 

Voltei a ver festivais nos anos seguintes mas o entusiamo perdeu-se, talvez por já não comer carne nem devorar pudim ou porque perdi o fio à meada desde que fomos banidos por algum tempo de participar por baixa pontuação, tão baixa que éramos sempre os últimos com Espanha acima de nós, também não se podiam rir muito, estávamos na liga dos últimos.

Mas cá renascemos outra vez com a insistência de um navegador que procura a ilha paradisíaca apesar das tempestades. 

Muitas vozes são boas mas a dicção péssima, as letras já não são poéticas, a indumentária em alguns casos não é nada adequada ao evento e onde estão as coreografias, os refrões orelhudos???

Carlos Paião com "Play Back" e um virar de cabeça para afastar a mosca, Manuela Bravo com "Sobe, sobe, balão sobe" em uma voz afinadíssima. 

Não quero acreditar que não corre em nós uma pontinha de ritmo festivaleiro? Eu sei que somos mais intimistas que extrovertidos mas caramba, os países nórdicos não têm piada nenhuma, a sua herança musical está mais ligada à música clássica e produziram e muito bem uns ABBA e quase sempre ganham os festivais ou seja, eles não têm mas aprenderam a fazer e nós continuamos a insistir num ritmo fadista e choroso.  

Quero acreditar que não fazemos melhor porque não queremos e não porque nos falte qualidade, sensibilidade ou inspiração.
09
Ago20

Amazónia, minha querida

Rita Pirolita
 
´O Governo brasileiro assinou um acordo que visa aumentar a zona protegida da Amazónia em três milhões de hectares. O acordo contempla um investimento de 60 milhões de dólares.´
In Observador de 20 de Dezembro de 2017
 
Proteger devia ser gratuito e destruir devia ser caro, quase impossível de pagar! 
Espera, lembrei-me agora, a humanidade complica o que é simples e funciona ao contrário e contra a Natureza! Voilá!
09
Ago20

Minha querida escola privada

Rita Pirolita

 

 
Em Portugal escola privada com contrato de associação quer dizer que pagamos todos e só alguns usufruem. 
Tal como os idosos que estão nos lares da Santa Casa da Misericórdia...Misericórdia quer dizer 'não queremos gente ranhosa e sem recursos, a usufruir de boas instalações e boa assistência que todos pagaram mas só alguns têm direito a usar.'
Já agora, sabem quanto ganha por ano o presidente da Cruz Vermelha no Canadá? Por volta de 1 milhão!!!
São todos abutres ao virar da esquina, à espera de catástrofes para aumentarem a sua riqueza com a miséria e morte de outros! O homem é uma praga desprezível! Voltando aos queridos privados. 
Se os pais tivessem que pagar estava tudo no ensino público!
Estas escolas recebem mais dinheiro do estado que as escolas públicas que estão vazias nas redondezas o que lhes permite ter autocarros para transporte dos alunos, piscinas, salas com cadeiras e mesas para todos, ordenados melhores, etc. 
Todas as escolas deviam ter esta qualidade mas há gente que as pagou e nunca lá pôs os pés!
Quem anda nos colégios privados só podem ser filhos de papás e mamãs com cargos públicos, seus familiares e amigos, só se deve entrar por convite, está-se mesmo a ver.
Da escola privada vão directamente para as universidades privadas e a seguir todos arranjam emprego!
Estes betos vão crescer sem saber que lá fora há outro mundo, na altura do memorável encontro com a realidade vão logo queixar-se 'que a escolinha não lhes forneceu ferramentas suficientes para conviver com certo tipo de gente.' 
Não é culpa da escolinha! Vocês é que passaram a vossa brilhante vida académica a faltar às aulas práticas.
Querem ver que os meninos não podem chumbar quando não sabem a matéria e andarem à porrada no recreio pelo menos uma vez na vida? Só lhes fazia bem!
09
Ago20

Dá merda votar

Rita Pirolita

As maiores atrocidades foram cometidas em plenos regimes que se diziam trabalhistas, socialistas ou comunistas! A Alemanha tem uma atitude de exploração capitalista com os paises do sul da Europa, tudo em nome da igualdade, apologia de esquerda!
Em Portugal também se passa o mesmo e não vejo tanta preocupação, a liberdade de não votar também é um protesto e não um pretexto para a oposição que perdeu se queixar! Há muitos ditadores eleitos em democracia!
Quando descobrirem que não foi o comunismo nem o fascismo que fizeram mal à humanidade mas sim a soberba do poder...
Votar em quem não agrada para deitar abaixo quem não se quer?...dá merda!

09
Ago20

Incêndios...outra vez!

Rita Pirolita
Lá vou escrever mais uma vez sobre o flagelo de 2017.
Quando já todos e até o próprio governo confiavam que a desgraça já tinha sido tanta que só talvez para o ano teríamos que lidar com os incêndios outra vez, alinhando as ideias, nunca fazendo nada como sempre para inaugurar a próxima 'abertura de época' com anúncios de mais meios, formação e prevenção que nunca se concretizam mas ficam bem no discurso falacioso de promessas políticas. 
Quando estávamos mais ou menos descansados, veio mais uma vaga de calor inesperada, a chuva teimando em não cair e armou-se o circo desastroso e angustiante, um cenário de gente carbonizada, casas destruídas, carros queimados abandonados, com ocupantes desaparecidos, deixados todos à sua sorte, bombeiros que tentam salvar povoações, casas e pessoas e deixam arder o desabitado porque não chegam a todo o lado! Pessoas que teimam em não deixar os haveres e não podem ser obrigadas a partir e é aqui que me detenho hoje na escrita deste texto. 
Mais ou menos pela mesma altura a Califórnia foi assolada por incêndios, algo a que estão também infelizmente habituados, a par do problema de falta de água potável. 
Vi apenas duas declarações de proprietários em solo californiano, com um cenário de destruição por trás, à medida que expressavam a sua tristeza e aflição mas que apesar de tudo, tinham sido abençoados por estarem vivos e terem conseguido salvar algumas fotos de família e os animais de estimação, apenas tinham ficado com a roupa do corpo mas prontos para iniciar vida nova e a reconstrução, pena as pessoas que também morreram, penso eu 31,  provavelmente a tentar a fuga mas não conseguiram, não ficaram de certeza para trás com a ideia que sozinhos conseguiriam salvar os seus pertences.
Os nossos desgraçados portugueses choram em estado de choque em frente às câmaras a dizer que perderam os haveres de uma vida inteira, conseguidos com enorme esforço, que perderam familiares a tentarem salvar as casas, que se recusaram a abandonar as casas, à espera de bombeiros ou que um milagre os salvasse, mudando a direção do vento ou trazendo uma chuva de dilúvio salvador. 
Nada disso aconteceu para muitos que morreram a fugir ou debaixo dos escombros. 
A diferença de atitudes está na pobreza monetária que leva a pobreza de decisões e comportamentos de sobrevivência assentes na ideia de abandono ou ajuda pós catástrofe.
Na Califórnia ninguém por um segundo deixou de acreditar que passado pouco tempo iriam iniciar a construção das suas casas com a cobertura dada pelos seguros. 
Em Portugal os seguros em caso de catástrofe natural tentam escapulir-se à responsabilidade de pagar seja o que for e a ajuda angariada de milhões será toda roubada antes de chegar aos mais necessitados, podendo esses apenas contar com o seu esforço e ajuda de amigos próximos que também não podem fazer muito porque foram atingidos pela mesma desgraça.
Os discursos políticos de consolo são um desconsolo de resignação à incompetência descarada em desgovernar tanto um pais tão pequeno.
As pessoas sentem que estão por sua conta, que nenhum governante as vai ajudar a não ser na aparição, beijos e palmadinhas nas costas, até à próxima desgraça. 
'O presidente exige que o Governo tire todas, mas todas as consequências da tragédia.'...e concluo eu, mas que não assuma responsabilidades nenhumas da desgovernação desastrosa!  

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