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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

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Contos e Descontos

27
Jul20

Benfeitores hipócritas de meia-tijela

Rita Pirolita
Sabendo os homens que vieram do ventre de uma mulher como podem sofrer tal síndrome ao ponto de maltratar o sexo oposto? Revolta de existir? 

Sabendo a raça humana que todos viemos das mesmas células originais, por isso somos todos os tais irmãos porque se matam homens, crianças e mulheres em guerras? 

Se para sermos adultos já todos fomos crianças porque tantas são abusadas a cada minuto que passa? 

Porque se maltratam e comem animais? 

Quem está contra as touradas também deveria estar contra a morte de animais, a única diferença é que a arena tem espectadores e o matadouro não! 

Sei que estou a falar de tudo menos de mulheres em específico mas é isso que quero chamar a atenção, os dias que assinalam isto ou aquilo não reflectem a ligação global que todos temos à mesma desgraça que é só uma, uma humanidade que nada respeita, de existência errante, é isso que temos que assumir, que não prestamos para podermos começar a prestar para qualquer coisa, quanto mais não seja para reconhecer que andamos armados em benfeitores hipócritas de meia-tijela!
26
Jul20

Coletes amarelados

Rita Pirolita

Estou triste mas não surpreendida por aí além com o ajuntamento fracassado dos coletes amarelos, lembram-se?
Mais uma vez ficou demonstrado que mais se mobilizam as gentes por instintos primitivos, labregos e imediatos que não exijam esforço para pensar ou obriguem a opinião ou posição! Ficou mais que provado que gostamos de coisas que funcionem de bandeja e não postas a funcionar por nós. Afinal somos assim no dia-a-dia, se estiver bem em minha casa não me interesso com a vida do vizinho, agora se ele começa a ter muitas galinhas, já tudo muda de figura, ou tenho um porco que também ponha ovos ou arranjo um cão que lhe vá à capoeira! 
Não gozar e respeitar os que lá estiveram já é atitude, embora desorganizados e não se querendo colar ou serem associados a movimentos de extrema-direita, podiam ter boicotado as reportagens da TV pública ou a direitolas da Cofina, feitas por péssimos jornalistas que claramente respondem a agenda política, acreditando os entrevistados que os repórteres estavam ali para dar visibilidade e voz ao manifesto, mas não, fizeram as perguntas erradas, contribuiram para a humilhação e descrédito, manipularam! 
As agitações não começam por doutrinas eruditas, começam por pequenas mas verdadeiras trivialidades humanas, não é um jogo pontual de futebol onde se ganha perde ou empata, são todos os dias que nos humilham e roubam em cada grão de arroz, em cada gota de combustível, em cada watt de luz.
Para os velhos já tanto se lhes dá, baixaram os braços, cansados já não lutam, tudo foi deixado nas mãos da minha geração que acabou por emigrar, como vimos fazer, os filhos que vieram depois vivem a reboque e na mama dos pais ou avós, tal como tão bem fazem os governos aos contribuintes. 
As gentes envelhecidas acham que já fizeram a sua revolução, em tempo que havia esperança e se acreditava na força de um povo unido, sentem-se culpados por pouco ter resultado e encolhem-se de vergonha em reconhecer que mais uma revolução, por mais ordeira que seja, talvez agora também não dê em nada... 
O aviso prévio de quantos, onde e a que horas, pedido por lei, foi aproveitado para mobilizar forças dissuasoras de segurança e controlo aparatoso, que nunca estão presentes ou funcionam para evitar a desgraça, coletes azuis mais que amarelos.
Dos mortos nas catástrofes que têm assolado o nosso pais por incuria e incompetência, não reza a história, não são responsabilidade de ninguém, já não dão despesa e deixaram de pagar impostos, é melhor manter os vivos doentes e sem saída mas a pagar sempre! 
Se um médico cura, deixa de ter clientes!
Para a próxima talvez resulte se tudo for espontâneo, em cima da hora e do joelho, sem pré-aviso, sem faladura de sofá e sem redes sociais que funcionam para incitar à adesão e motivar mas também para dar tempo de apanhar todos os pássaros pelas patinhas de trás. 
Dispersar para quebrar a força. 
Tenho respeito por todos os que sairam à rua de forma pura, com verdadeiro crédito nas reivindicações e exigências, sem cor política, não ficaram em casa, os sindicatos nada independentes não se mexeram, a esquerda está contente mas a pouca adesão não quer dizer que a maioria está contente, pelo contrário, estamos a deixar espaço ao descontentamento e revolta acumulada, ridicularizar ou desvalorizar trejeitos de extrema-direita e destruição, em nada os elimina ou nega e mais nos aproxima de ditaduras.
Os políticos já tomaram o pulso, sorriem de vitória mas que se acautelem porque este silêncio será talvez uma derrota, um grito amordaçado de mudança, assim espero! 
Há uma Opus Dei e uma Maçonaria que sabem poder continuar a enriquecer e controlar, com uma esquerda capitalista por fachada, que lhes dá cobertura. 
Esta manif é contra o que a esquerda tem deixado passar na aprovação do OE, contra a venda a retalho de um país em troca de endividamento, esta manif não serve aos falsos e corporativos defensores do povo porque não tem classe, cor politica ou grupo que se possa espicaçar contra outro, esta manif não tem ponta por onde se lhe pegue para lançar a confusão. Foi convocada e adensada para ser desconstruida por órgãos de comunicação social que depois em cobertura de rua a rebaixaram, apelidando de desorganizada e desorientada! 
As fake news são uma realidade, espalham o mal, disfarçadas de populismo e boas intenções!
Tivesse sido feita por gente que trabalha, fora das grandes cidades mas já são poucos e os das cidades só vêm ver o aparato da janela, estão bem com tudo à mão, nunca sentiram ou já se esqueceram, das dores de quem depende de transportes públicos deficitários, de quem não tem um hospital ou tribunal por perto! 
Em que altura não sei bem mas ficámos assim, encurtámos horizontes e engolimos a empatia! 
Somos facilmente virados do avesso, agrupados, divididos e acicatados, depois atiram-nos uma mealha de carne e lá vamos empurrando com futebol, Gay Prides, Halloweens e Black Fridays! 
Se calhar agora que estou a ficar velha mais me apetece deixar que os jovens lutem, não fiz a minha parte, tivesse feito, só sonho em ficar no meu canto, a possuir coisa pouca, de vida simples, para que não dêem muito conta de mim, não me liguem e não me chateiem. Estou também eu cansada de ver tantos abusados a ansiar vingança em chegados ao pedestal dos capatazes abusadores! 
Lembrem-se que mais um ano passa e todos os criminosos que arruinaram de monta o nosso país vão celebrar mais um Natal no aconchego doméstico! 
E assim todos perdoamos porque é época de esquecer aquilo que repudiamos nos outros e teima em estar em nós também!
Quero acreditar que nem sempre vai ser assim mas até lá uma certeza tenho, para este outono-inverno, a tendência não será o colete nem o amarelo!
Eu afinal nem queria escrever nada disto, não percebo nada de política, moda ou mesmo do mundo onde vivo...
Sejam felizes sem escarafunchar a razão, acredito que não vale a pena!

26
Jul20

Bando do biberão

Rita Pirolita
Hoje vou falar de política mas num modo mais doméstico, não gosto muito de abordar estes assuntos com a seriedade que às vezes não merecem ou com a leviandade de quem vive à custa da política e pobreza dos outros e nunca para bem gerir um país.  
Este assunto atrai sempre exaltações, bem como religião e clubes de futebol.
Digo já que não sou seguidora de nada nem muito menos fanática, simpatizo com um clube mas não morro por ele, não tenho religião mas vou acatando umas máximas budistas aqui e ali, não tenho nenhuma tendência política nem entro em discussões sobre ideologias, porque todas até hoje foram bem escritas e muito mal praticadas, em proveito próprio por loucos cuja doutrina lhes subiu à cabeça, com excessos, fundamentalismos e milhões de mortes!
Vou antes politicar em jeito de trazer por casa. 
Nasci na década de 70, embora não goste nada da época que estou a viver agora e não me importasse até de já ter morrido, desde que a minha adolescência tivesse caído em cima da década de 60, com todas as suas revoluções, tumultos e mudanças culturais e sociais. 
Era nesse tempo de esperança e sonho que gostaria de ter estado presente, do mal o menor, ainda apanhei resquícios de uma ditadura, que infelizmente se prolongou num país mais conservador e amedrontado, pouco culto e iliterato, renitente à mudança e pouco dado a revoluções, salvo o regicídio na implantação da República ou a conquista aos espanhóis mais lá atrás, sempre fomos um povo pacifico de cravos no cano.
Na minha casa, na Margem Sul do rio Tejo, os meus pais de sangue e vivência transmontana aterraram nos arredores de Lisboa um pouco antes da Revolução de Abril, nasci no ano a seguir à morte de Salazar, em pleno 11º governo da ditadura e 3º do estado Novo, liderado por Marcelo Caetano debaixo da herança abafada do assassinato pela PIDE do General sem medo, Humberto Delgado, a mando do ditador e em preparação para a mudança que tardou mas veio.
Lá em casa o meu pai desde que me entendi como gente sempre me disse que Deus não existia nem o Pai Natal, que as prendas e comida na mesa apareciam em casa não por milagre mas fruto do suor dele, a minha mãe indignava-se pela minha pequenez ao ouvir estas coisas tão adultas mas não muito, porque no fundo sabia que tudo era verdade mas também não precisava de ser apresentada à minha inocente pessoa tão nua e crua! 
Mais valeu ali que mais tarde, nem nunca nem para sempre, porque a vida é mesmo assim, real e dura mas com muito riso, aprende-se em defesa a achar graça à desgraça! 
Lá por casa o meu pai esquivava-se às investidas da minha mãe em descortinar em quem tinha ele votado em dia de eleições, ele acabava logo ali com a conversa, apelando ao secretismo do voto, mesmo para os mais próximos. 
Viveriam ainda reminiscências do não se pode falar nem andar em ajuntamentos, do pagar taxa de televisão que agora vem na factura, quer tenhas ou não, do pagar licença para uso de isqueiro, qual cocktail molotov que poderia incendiar multidões e levar à queda do regime!? 
Coisas salazarentas. 
Desconfiava eu que lá por casa era tudo marocas-bochechas por oposição aos comunistas que eram todos uns aproveitadores mas íamos todos os anos à festa do Avante, no Alto da Ajuda em Monsanto e eu andava mais empenhada em convencer a minha mãe a deixar-me ir para os escuteiros, só para andar na galderice a acampar livre de olhares progenitores, mal eu sabia que corria o risco de ser controlada por falsa doutrina e gente louca, tanto que a primeira vez que me tentaram mostrar que a coisa não era assim tão boa, enfiaram-me numa missa, provei o corpo de Deus e não gostei do sabor, além daquela porra se ter agarrado ao céu da boca porque não se podia trincar!
Não gostei do levanta e senta a mando do padre, já nessa altura era arisca à obediência e nunca mais lá pus os pés nem fui para os escuteiros porque a minha mãe não queria que fizesse parte das estatísticas vergonhosas de gravidezes na adolescência. 
Já que não me deixaram ir para os escuteiros também não tiveram a lata de me obrigar a fazer o crisma e 1ª comunhão. Livrei-me dessa palhaçada mas assisti à dos meus primos, coitados, vestidos de entrefolhos de renda até às orelhas e a passo de marcha fúnebre em dias de calor, com direito a desmaio por desidratação, até a vela que levavam na mãozinha coberta de luva branca, perdia a tesura!
Reconheço desde há muito tempo que não foi nem de perto nem de longe a pior decisão dos meus pais em relação à minha educação! 
Também nunca tive nenhuma situação de me perder no mato e precisar de recorrer aos feitos de sobrevivência e já acampei mais na vida que muita gente.
Fui a tempo de tudo, livrei-me da comunhão e nunca engravidei!
Como estava a dizer, sobre política lá por casa as coisas eram como os escuteiros, existem mas não fazem tanta falta, nem merecem tanta discussão assim.
Por estas e por outras é que de vez em quando me questiono sobre as gentes novas de linhagem mais antiga que o cagar que surgem que nem cogumelos não comestíveis, qual injecção renovadora de veneno e que fazem carreira pelos sucessivos governos.
Se nasceram em famílias modestas como a minha, não tiveram nenhuma informação privilegiada ou estimulo para a política, que sempre foi assunto quente mas abafado como as castanhas assadas. 
Ou será que esta gente pertence toda a classes privilegiadas e iluminadas e não sabem do que falam, porque a dificuldade nunca lhes bateu à porta e continuam a fazer leis para amigos, baseadas em pensamentos egoístas e atitudes mimadas de meninos da mamã que são. 
E assim vai o meu país, adultos infantis desgovernados por um bando de biberão que mama que se farta!  
26
Jul20

Velha do Restelo

Rita Pirolita
Já aqui abordei o tema num texto logo no início de vida do blogue, que não iria escrever segundo o acordo ortográfico pela simples razão que não o aprendi de raiz e com a quantidade de alterações que tem à língua portuguesa...não me apetece estudar outra vez, ter a sensação que estou na primária, quero ter tempo para aprender, isso sim muitas outras coisas mais proveitosas para a minha sana existência.
Esta de facto está muito fora da minha lista, tão fora que nunca a praticarei.
Não implica com a apreensão das minhas mensagens nem prejudica em nada a comunicação com outras pessoas que me lêem, mesmo que não sejam de idade aproximada.
Eu e muitos, é que nunca conseguiremos entender pessoas que não sabem escrever português e cada vez as há mais, ó se há!
É por isso preferível para mim escrever como sei melhor, com poucos ou nenhuns erros, que escrever de uma forma que não sei de todo. 
Muitas vezes viro costas ao computador e se estou fora de casa, em vez de gravar em audio os meus pensamentos faço questão de escrever para não perder a noção dos erros que possa dar e para evitar dar mais, já que com as novas tecnologias tudo tem correctores que nem sempre dão bom resultado e pactuam muito com a preguiça de puxarmos pela memória.   
Eu sei que a língua não é imutável e estanque, é algo vivo e as mudanças são uma adaptação para melhorar e até simplificar o seu uso, embora neste acordo veja mais confusão que utilidade e flexibilidade linguística mas isto sou eu que estou cada vez mais selectiva e simples e que já me vou considerando antiga mas não Velha do Restelo.
25
Jul20

Amigos velhos que nunca serão velhos amigos

Rita Pirolita
Já pensaram quando forem velhos e por acaso ou muito de propósito vos deixarem sós, como vai ser? 
Se não tiverem filhos o mais provável é que fiquem sozinhos, se os tiverem também sós ficam! Se tiverem irmãos, tios, sobrinhos também ninguém vos vai ligar, cada um tem a sua vidinha, querem ver-vos pelas costas para deitarem mão à herança!
Eu não tenho família nem tive oportunidade de conservar amigos por ter emigrado, também desde os tempos de escola sempre me puseram de parte porque me achavam uma croma que tirava boas notas até a educação física, era girinha mas se abrisse a boca ninguém tinha estaleca para dar luta porque não percebiam nada, nem liam nada do que eu lia. 
Sempre toda a gente me achou um nariz empinado e eu apenas era incompreendida e não dava muita confiança, entrei assim num ciclo de pescadinha de rabo na boca, não me ligavam porque achavam que eu não queria falar com ninguém e até tinham uma certa razão, vendo bem até foi benéfico, não aturei muita gente burra no meu percurso, funcionou como selecção natural!
Mas agora pensem, voltando à velharia...
Se escolhermos uma pessoa para nos cuidar, que não dentro do âmbito familiar ou com qualquer outro tipo de ligação, quererá manter-nos vivos o mais tempo possível para continuar a receber o ordenado, já que na herança não mete as unhas, a não ser que seja um grande cromo patife, também os há que se aproveitam da demência dos mais fracos, alguns velhos merecem por serem tão velhacos e maus para a família! 
Além de que não temos tanta vergonha de alguém que não conhecemos, nos limpar o cu ou mexer nas mamas. 
Pensem quando estão nos hospitais, as enfermeiras e médicos mexem-nos nos buracos todos, rapam pintelhos e nós nem chus nem mus!
Ao longo da vida quantos amigos se perdem e nos desiludem, não sobrevivem às vicissitudes, às separações, mudanças de local?...
Quantos sobram que sejam bons, verdadeiros e estejam ao nosso lado até àquela altura sensível, em que vamos precisar quanto mais não seja de uma companhia que não nos frite os miolos e tenha mais paciência que nós próprios para nos aturarmos? 
Não existe ninguém assim tão altruísta, se calhar é melhor ter um cão ou em caso de já ter, não se livrar dele!
Não será mais sensato poupar para mais tarde pagar um ordenado justo a quem trate de nós com alguma dignidade e cuidado, em vez de gastar em jantaradas para manter amizades que ao mínimo pedido de ajuda dão de frosques por também já estarem tão decrépitos e aziados com a vida como nós?
25
Jul20

Investimento no futuro

Rita Pirolita
Passamos a vida a matar o prazer do presente e a agourar e precaver catástrofes no futuro. 
Usamos cremes para evitar rugas antes que elas apareçam, porque já temos a certeza que vão aparecer ou porque queremos retardá-las ou até eliminá-las? 
Como saber se não teremos uma pele melhor sem a sufocar com make-up, ou desgastá-la com limpezas e peelings?
Não teremos curiosidade em saber como seremos naturalmente daqui a uns anos? 
Cada vez mais quero saber, é um desafio ver e até ir aprendendo a ficar satisfeita com o avanço, mais que desiludida ou irritada, treino assim a boa disposição, aceitação e positivismo e é sinal que estou viva!
Esfalfamo-nos a trabalhar, obrigam-nos a entregar rendimento do presente para assegurar o futuro na velhice, perdemos os melhores anos a juntar para gastar nos piores.
E se não chegarmos lá ou chegarmos em tão mau estado que só nos reste esperar ou desejar a morte?
Apostamos nos homens e mulheres de amanhã, lutando por  lhes dar a melhor educação quando os putos chegarem a adultos com a velocidade que isto leva, tudo o que se ensinou estará desactualizado, mas fizemos  o nosso melhor a pensar num futuro cristalizado, num presente que nem sabemos processar na sua causa e consequência.
Fazemos dietas para o próximo verão, para parecer bem aos outros, mais que para nos sentirmos melhor e mais saudáveis desde o presente dia que as iniciamos!
Deixa-se crescer o cabelo para se cortar no ano seguinte, porque a moda assim o manda e até sempre nos ficou bem, tirando anos de cima, num visual renovado! 
Fazer a guerra agora para alcançar a paz depois, quando a paz é que deveria ter presente e manter-se para evitar a guerra e não ser só futuro prometido.
Aprisionamos animais em cativeiro a prever a total extinção, tão evitável se agirssemos agora e já!
Fazemos seguros a puxar desgraça para acidentes que podem ou não acontecer, quem anda à chuva molha-se e se tiver guarda-chuva...também se molha!
Na próxima relação é que vou viver, descontrair, ter prazer e nunca traição!
Vamos adiando fazer e dizer em jeito desajeitado, à espera que tudo melhore! 
Se investimos no futuro, desinvestimos no presente e o futuro será tudo o que fizermos agora! 
A escolha é livre e não pode ser possuída mas pelas mãos nos passa a órfã responsabilidade!
25
Jul20

Uns haters diferentes

Rita Pirolita
Se pensam que vou escrever mais um texto cortante, cítrico, ácido ou deveras sarcástico sobre os famosinhos nas redes sociais? ACERTARAM em cheio!
Até parece que vivo disto e para isto, quando o que me apraz e mais interessa é escrever, exercitar a leitura e mente na revisão dos meus próprios textos, desafiar-me a escrever melhor que outros que leio sem plagiar ideias ou piadas, isso é coisa que não me assiste e é um insulto à minha imaginação!
Muito se fala dos haters, que dedicam o seu tempo a catar gente para odiar para deitar abaixo só porque sim, porque não têm mais nada prazeroso na sua triste vida para fazer, porque são pessoas infelizes e sem amigos que vivem sós rodeados de 50 mil gatos, enfiados no seu mundo, um buraco bafiento, húmido e escuro.  
E se fôr este o cenário ou retrato que muitos perseguidos por estes haters gostam de imaginar e fazer os outros acreditar, para não se sentirem tão mal por não saberem argumentar e por isso resumirem esta gente a um bando de bandalhos mal resolvidos, frustrados e invejosos? 
Os haters a considerar já não são burros e infelizes, burro é quem anda por cá e pensa que não está sujeito a critica e julgamento, estamos todos e tanta gente há que não tem graça, jeito e arcaboiço para disfarçar a má figura!
Muitos criticam e bem com lucidez, conhecimento de causa e lógica da batata, que é quanto basta para tirar conclusões da vida fútil do jet-set, que nem cai em graça nem tem onde cair morto. 
O visado não podendo ficar sem dar resposta, que isso é sinal de consentimento, como também não pode negar, ataca com baixo golpe e diz que está a ser vitima de perseguição e maledicência, ele uma pessoa tão boazinha que faz questão de mostrar que nunca ganha com publicidade da Prozis ou Cabify, aquilo é tudo bom para consumo e aconselha-se em doses regulares, senão à fartazana! 
Outros há que nunca respondem, têm a cunha certa e continuam a gozar os bons ordenados e a gozar com a nossa cara, pagos por todos nós, falo das vedetas da TV! 
As gentes não vos invejam, como muitas vezes querem fazer acreditar, as gentes não gostam é que os façam de parvos. 
Quem se esfalfa para ganhar a vida honestamente indigna-se com a afronta do raro "suor de cigano" que os famosos exibem para chegarem onde chegaram. 
Então não querem ser como os de Hollywood? 
Afinal com tanta queixa retardada de assédio, veio-se a concluir que ninguém era competente ou prestava para alguma coisa, foram é todos ao castigo e a maioria passou na prova oral! 
Para esconderem a burrice e não se partirem mais telhados de vidro, estes famosinhos fazem-se de coitadinhos, mas são é burros perante gente esperta que os trata como merecem, lhes acerta o passo e às vezes os põe no lugar para não andarem a navegar tão descontraidamente na maionese!
Para a próxima, gentinha susceptível e na sua maioria pouco inteligente, calem-se e consintam porque a vossa cabecinha muitas vezes não dá nem para armazenar 2 neurónios quanto mais distinguir haters de gente que vos malha bem no centro!
Depois venham-se queixar de depressões por falta de fama consistente!  
25
Jul20

Breakfast at Tiffany's

Rita Pirolita
Quantas pessoas não sonham em tomar o pequeno-almoço na cama nem que seja uma vez na vida? E nunca tomam ou nem têm quem lho prepare ou sirva?! 
Eu gostava de saber onde raio tem origem este gosto burguês, recuará ao tempo dos reis ou apenas começou com os filmes americanos e novelas brasileiras?
Se querem que vos diga acho uma foleirada tomar a primeira refeição da manhã ou qualquer outra na cama, com os dentes cheios de gosma, a boca a cheirar a aterro sanitário, ramelas nos olhos inchados, cabelo no ar e pijama desalinhado!... 
Ou não me digam que para comer na cama se levantariam com antecedência para se arranjarem, para não arrepiar a torrada e entornar o sumo de laranja com o susto da vossa fronha logo pela manhã?... 
Querem parecer ricos e fazem o que está ao vosso alcance, sem o carro e a vivenda mas enfiados num qualquer buraco da Amadora ou Baixa-da-Banheira? 
Sonhar é gratuíto e existe uma vida melhor que esta mas é cara como a porra!
Não têm sumo de laranja espremido na altura e decidem comer todos os dias os entediantes cereais? 
Acham que é sensato e prático comê-los na cama com o azar previsível de entornarem tudo e terem que limpar lençóis e mantas, do que mais se parece com vómito? 
Queriam além de tudo ter um príncipe alto, moreno, musculado e de olhos azuis a preparar o repasto todo nu no meio da cozinha, aparecer à entrada do quarto e vocês fingirem-se excitadas com a surpresa, quando estão é mortas de fome e em 10 minutos têm que enfardar tudo pela goela abaixo, tomar banho, maquilhar-se, vestir-se e zarpar para o trabalho que já estão atrasadas?... 
Minhas queridas sonhadoras de meia tigela de cereais a boiar em leitinho de amêndoas, estes pequenos almoços são apenas para a classe que não trabalha, que tem um rapaz bem-parecido e espadaúdo para tratar da piscina da mansão, que por acaso também se ajeita no bricolage de tronco nu. 
Vão lá ao café Tiffany's por baixo do vosso prédio, beber um galão e comer um salgadinho, armadas em finas de unhaca de gel espetada no ar, a exigir o galão com 12 gotas de leite de soja, café biológico de máquina com o princípio mas sem o fim, bem prensado e a escaldar, servido em copo frio para não queimar os dedos. 
O salgado tem que ser aquecido em micro-ondas apenas 30 segundos e o Correio da Manhã tem que estar disponível em mesa limpa de mealhas ou sumo peganhento.  
Sejam lá felizes com estes parcos minutos à patroa a mandar no empregado de café que com jeitinho até desentope canos lá em casa tarde e a más horas!
25
Jul20

Égoïste

Rita Pirolita
Gosto que me rodeie gente que gosta de si própria em primeiro lugar, que sejam felizes em si e não pelos outros, bem estar virá em acréscimo para quem de direito à nossa volta. 
O amor vinga-se em sofrimento quando o queremos aprisionar em ciúme e possessão.
Acham que sou egoísta? Egoístas são os que vampirizam a energia e retribuição que sempre esperam dos outros, sem nunca chegarem a sentir o sabor da liberdade de amar!
25
Jul20

Os meus amores

Rita Pirolita
Pouco falei por aqui dos meus amores, paixões, desencontros e ilusões. 
Desilusões? Muitas mas como só se desilude quem anda iludido e o meu forte é mais sonhar, aprendi rápido a lidar com espirito prático com questões do coração, que para mim são mais do cérebro e sexo que outra coisa! 
Não sinto que vá expor aqui a minha intimidade porque vou falar de coisas que se passam praticamente com todos, é que não sei se já repararam, também sou deste planeta embora às vezes não o sinta nem se note muito, mas sou e tantas vezes não me apetecia ser, acreditem, adiante que para este texto não estão reservadas dúvidas existenciais e sim histórias de cambalhota! 
Sempre fiz questão de ser directa e nada armada ao pingarelho, tentando iniciar as aproximações com piada e nunca com planos mal intencionados de lixar a minha vida ou a de alguém, com rebanhos de filhos atrás, festarolas de casamento, a ficarmos gordos rodeados de filhos igualmente anafadinhos e parvos, a sermos desempregados e assim vivermos felizes para sempre na dependência do sustento-esmola dos pais!
Vamos lá à minha realidade passada.
Estava eu a dizer que sempre iniciei as coisas com naturalidade e descontração, coisa que muitas amigas e alguns amigos criticavam e encaravam como desleixo e despreocupação, também não estavam tão longe da verdade em alguns casos. 
Fazia questão de mostrar que não estava ali para esconder nada que fosse naturalmente humano e não para andar a contar as minhas aventuras passadas para provar que as minhas intenções eram as mais honestas do mundo, ninguém tem nada a ver com isso e só eu decido o que alguém pode saber sobre mim ou não. 
Ser sincera não quer dizer ser parva a ponto de contar tudo e não ter segredos, necessito de sentir que tenho algo só meu de direito, o controlo da minha vida, sem dar justificações a ninguém! 
Ora neste meu percurso tão errante como o de qualquer um que nasceu na década de 70, o apelo à educação nunca praticada por aqueles que a impunham, o famoso 'olha para o que eu digo e não para o que eu faço', ainda teve alguns resquícios de efeito negativo em muitos, eu não sofri com esse dilema! 
Tinha amigas que eram recatadas no sexo ou pelo menos faziam questão de transmitir essa imagem e quanto mais se esforçavam, mais se enterravam na mentira que lhes saia da boca, as chamadas sonsas.
Havia também aquelas que diziam não se peidar em frente aos namorados, iam a correr à casa-de-banho para pensarem eles que estavam na presença de uma mulher limpinha e boa cozinheira, a verdadeira fada do lar, tão perfeita que nem se peidava e se preciso fosse não comia para não cagar! 
Ora a minha sinceridade acompanhada dos actos era recebida por uns com alívio, por outros com supresa mas nunca com afastamento ou falta de identificação e sempre mas sempre com mau cheiro, elevado até às vezes ao nível competição, a ver quem conseguia expulsar mais ar em menos tempo! 
Nunca perdi nesta modalidade aérea e pouco palpável, quanto mais não fosse com o golpe baixo de obrigar o adversário a render-se, pelo alto teor de intoxicação no recinto do amor, ao qual sou imune, baixando os meus níveis olfativos para criatura dos mares!
O moço incomoda-se muito com cheiro que não venha das suas entranhas, é natural a mim acontece-me o mesmo, ao ponto de muitas vezes questionar se não terei comido botões de rosas a mais? Digo-lhe sempre que não havendo bela sem senão, posso ser uma doninha fedorenta mas sou bonitinha, bem acabada, organizada, cozinheira desenrascada e em tempos até soube tricotar, fazer renda e coser à máquina e à mão!
Ainda hoje mantenho uma performance invejável que penso me acompanhará até ao fim dos meus dias, com tendência a refinar! Tenho no entanto que redobrar o cuidado com os que incontrolavelmente possam vir de pantufas acompanhados de molho!

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