Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Contos e Descontos

27
Jul20

Benfeitores hipócritas de meia-tijela

Rita Pirolita
Sabendo os homens que vieram do ventre de uma mulher como podem sofrer tal síndrome ao ponto de maltratar o sexo oposto? Revolta de existir? 

Sabendo a raça humana que todos viemos das mesmas células originais, por isso somos todos os tais irmãos porque se matam homens, crianças e mulheres em guerras? 

Se para sermos adultos já todos fomos crianças porque tantas são abusadas a cada minuto que passa? 

Porque se maltratam e comem animais? 

Quem está contra as touradas também deveria estar contra a morte de animais, a única diferença é que a arena tem espectadores e o matadouro não! 

Sei que estou a falar de tudo menos de mulheres em específico mas é isso que quero chamar a atenção, os dias que assinalam isto ou aquilo não reflectem a ligação global que todos temos à mesma desgraça que é só uma, uma humanidade que nada respeita, de existência errante, é isso que temos que assumir, que não prestamos para podermos começar a prestar para qualquer coisa, quanto mais não seja para reconhecer que andamos armados em benfeitores hipócritas de meia-tijela!
26
Jul20

Coletes amarelados

Rita Pirolita

Estou triste mas não surpreendida por aí além com o ajuntamento fracassado dos coletes amarelos, lembram-se?
Mais uma vez ficou demonstrado que mais se mobilizam as gentes por instintos primitivos, labregos e imediatos que não exijam esforço para pensar ou obriguem a opinião ou posição! Ficou mais que provado que gostamos de coisas que funcionem de bandeja e não postas a funcionar por nós. Afinal somos assim no dia-a-dia, se estiver bem em minha casa não me interesso com a vida do vizinho, agora se ele começa a ter muitas galinhas, já tudo muda de figura, ou tenho um porco que também ponha ovos ou arranjo um cão que lhe vá à capoeira! 
Não gozar e respeitar os que lá estiveram já é atitude, embora desorganizados e não se querendo colar ou serem associados a movimentos de extrema-direita, podiam ter boicotado as reportagens da TV pública ou a direitolas da Cofina, feitas por péssimos jornalistas que claramente respondem a agenda política, acreditando os entrevistados que os repórteres estavam ali para dar visibilidade e voz ao manifesto, mas não, fizeram as perguntas erradas, contribuiram para a humilhação e descrédito, manipularam! 
As agitações não começam por doutrinas eruditas, começam por pequenas mas verdadeiras trivialidades humanas, não é um jogo pontual de futebol onde se ganha perde ou empata, são todos os dias que nos humilham e roubam em cada grão de arroz, em cada gota de combustível, em cada watt de luz.
Para os velhos já tanto se lhes dá, baixaram os braços, cansados já não lutam, tudo foi deixado nas mãos da minha geração que acabou por emigrar, como vimos fazer, os filhos que vieram depois vivem a reboque e na mama dos pais ou avós, tal como tão bem fazem os governos aos contribuintes. 
As gentes envelhecidas acham que já fizeram a sua revolução, em tempo que havia esperança e se acreditava na força de um povo unido, sentem-se culpados por pouco ter resultado e encolhem-se de vergonha em reconhecer que mais uma revolução, por mais ordeira que seja, talvez agora também não dê em nada... 
O aviso prévio de quantos, onde e a que horas, pedido por lei, foi aproveitado para mobilizar forças dissuasoras de segurança e controlo aparatoso, que nunca estão presentes ou funcionam para evitar a desgraça, coletes azuis mais que amarelos.
Dos mortos nas catástrofes que têm assolado o nosso pais por incuria e incompetência, não reza a história, não são responsabilidade de ninguém, já não dão despesa e deixaram de pagar impostos, é melhor manter os vivos doentes e sem saída mas a pagar sempre! 
Se um médico cura, deixa de ter clientes!
Para a próxima talvez resulte se tudo for espontâneo, em cima da hora e do joelho, sem pré-aviso, sem faladura de sofá e sem redes sociais que funcionam para incitar à adesão e motivar mas também para dar tempo de apanhar todos os pássaros pelas patinhas de trás. 
Dispersar para quebrar a força. 
Tenho respeito por todos os que sairam à rua de forma pura, com verdadeiro crédito nas reivindicações e exigências, sem cor política, não ficaram em casa, os sindicatos nada independentes não se mexeram, a esquerda está contente mas a pouca adesão não quer dizer que a maioria está contente, pelo contrário, estamos a deixar espaço ao descontentamento e revolta acumulada, ridicularizar ou desvalorizar trejeitos de extrema-direita e destruição, em nada os elimina ou nega e mais nos aproxima de ditaduras.
Os políticos já tomaram o pulso, sorriem de vitória mas que se acautelem porque este silêncio será talvez uma derrota, um grito amordaçado de mudança, assim espero! 
Há uma Opus Dei e uma Maçonaria que sabem poder continuar a enriquecer e controlar, com uma esquerda capitalista por fachada, que lhes dá cobertura. 
Esta manif é contra o que a esquerda tem deixado passar na aprovação do OE, contra a venda a retalho de um país em troca de endividamento, esta manif não serve aos falsos e corporativos defensores do povo porque não tem classe, cor politica ou grupo que se possa espicaçar contra outro, esta manif não tem ponta por onde se lhe pegue para lançar a confusão. Foi convocada e adensada para ser desconstruida por órgãos de comunicação social que depois em cobertura de rua a rebaixaram, apelidando de desorganizada e desorientada! 
As fake news são uma realidade, espalham o mal, disfarçadas de populismo e boas intenções!
Tivesse sido feita por gente que trabalha, fora das grandes cidades mas já são poucos e os das cidades só vêm ver o aparato da janela, estão bem com tudo à mão, nunca sentiram ou já se esqueceram, das dores de quem depende de transportes públicos deficitários, de quem não tem um hospital ou tribunal por perto! 
Em que altura não sei bem mas ficámos assim, encurtámos horizontes e engolimos a empatia! 
Somos facilmente virados do avesso, agrupados, divididos e acicatados, depois atiram-nos uma mealha de carne e lá vamos empurrando com futebol, Gay Prides, Halloweens e Black Fridays! 
Se calhar agora que estou a ficar velha mais me apetece deixar que os jovens lutem, não fiz a minha parte, tivesse feito, só sonho em ficar no meu canto, a possuir coisa pouca, de vida simples, para que não dêem muito conta de mim, não me liguem e não me chateiem. Estou também eu cansada de ver tantos abusados a ansiar vingança em chegados ao pedestal dos capatazes abusadores! 
Lembrem-se que mais um ano passa e todos os criminosos que arruinaram de monta o nosso país vão celebrar mais um Natal no aconchego doméstico! 
E assim todos perdoamos porque é época de esquecer aquilo que repudiamos nos outros e teima em estar em nós também!
Quero acreditar que nem sempre vai ser assim mas até lá uma certeza tenho, para este outono-inverno, a tendência não será o colete nem o amarelo!
Eu afinal nem queria escrever nada disto, não percebo nada de política, moda ou mesmo do mundo onde vivo...
Sejam felizes sem escarafunchar a razão, acredito que não vale a pena!

26
Jul20

Manuela Moura Guedes e a maratona

Rita Pirolita
Até tirar mais carros do centro das cidades para devolver a mobilidade pedonal aos moradores e não só, façam maratonas em sítios mais saudáveis.
Juro que não percebo porque se corre à beira de estradas, muitas vezes sem passeios, quando se pode ir para a praia, campo, jardins, parques, estádios...
Assim evitam respirar o ar desta senhora...
 
 
26
Jul20

As unhas da Isabel Moreira

Rita Pirolita

Sou a favor da pintura de unhas da Isabel Moreira, não na AR claro, mas a favor sempre, a mulher já tem um ar tão desgraçado, enfezado e doente, que se não se arranjar até às extremidades...

26
Jul20

Bando do biberão

Rita Pirolita
Hoje vou falar de política mas num modo mais doméstico, não gosto muito de abordar estes assuntos com a seriedade que às vezes não merecem ou com a leviandade de quem vive à custa da política e pobreza dos outros e nunca para bem gerir um país.  
Este assunto atrai sempre exaltações, bem como religião e clubes de futebol.
Digo já que não sou seguidora de nada nem muito menos fanática, simpatizo com um clube mas não morro por ele, não tenho religião mas vou acatando umas máximas budistas aqui e ali, não tenho nenhuma tendência política nem entro em discussões sobre ideologias, porque todas até hoje foram bem escritas e muito mal praticadas, em proveito próprio por loucos cuja doutrina lhes subiu à cabeça, com excessos, fundamentalismos e milhões de mortes!
Vou antes politicar em jeito de trazer por casa. 
Nasci na década de 70, embora não goste nada da época que estou a viver agora e não me importasse até de já ter morrido, desde que a minha adolescência tivesse caído em cima da década de 60, com todas as suas revoluções, tumultos e mudanças culturais e sociais. 
Era nesse tempo de esperança e sonho que gostaria de ter estado presente, do mal o menor, ainda apanhei resquícios de uma ditadura, que infelizmente se prolongou num país mais conservador e amedrontado, pouco culto e iliterato, renitente à mudança e pouco dado a revoluções, salvo o regicídio na implantação da República ou a conquista aos espanhóis mais lá atrás, sempre fomos um povo pacifico de cravos no cano.
Na minha casa, na Margem Sul do rio Tejo, os meus pais de sangue e vivência transmontana aterraram nos arredores de Lisboa um pouco antes da Revolução de Abril, nasci no ano a seguir à morte de Salazar, em pleno 11º governo da ditadura e 3º do estado Novo, liderado por Marcelo Caetano debaixo da herança abafada do assassinato pela PIDE do General sem medo, Humberto Delgado, a mando do ditador e em preparação para a mudança que tardou mas veio.
Lá em casa o meu pai desde que me entendi como gente sempre me disse que Deus não existia nem o Pai Natal, que as prendas e comida na mesa apareciam em casa não por milagre mas fruto do suor dele, a minha mãe indignava-se pela minha pequenez ao ouvir estas coisas tão adultas mas não muito, porque no fundo sabia que tudo era verdade mas também não precisava de ser apresentada à minha inocente pessoa tão nua e crua! 
Mais valeu ali que mais tarde, nem nunca nem para sempre, porque a vida é mesmo assim, real e dura mas com muito riso, aprende-se em defesa a achar graça à desgraça! 
Lá por casa o meu pai esquivava-se às investidas da minha mãe em descortinar em quem tinha ele votado em dia de eleições, ele acabava logo ali com a conversa, apelando ao secretismo do voto, mesmo para os mais próximos. 
Viveriam ainda reminiscências do não se pode falar nem andar em ajuntamentos, do pagar taxa de televisão que agora vem na factura, quer tenhas ou não, do pagar licença para uso de isqueiro, qual cocktail molotov que poderia incendiar multidões e levar à queda do regime!? 
Coisas salazarentas. 
Desconfiava eu que lá por casa era tudo marocas-bochechas por oposição aos comunistas que eram todos uns aproveitadores mas íamos todos os anos à festa do Avante, no Alto da Ajuda em Monsanto e eu andava mais empenhada em convencer a minha mãe a deixar-me ir para os escuteiros, só para andar na galderice a acampar livre de olhares progenitores, mal eu sabia que corria o risco de ser controlada por falsa doutrina e gente louca, tanto que a primeira vez que me tentaram mostrar que a coisa não era assim tão boa, enfiaram-me numa missa, provei o corpo de Deus e não gostei do sabor, além daquela porra se ter agarrado ao céu da boca porque não se podia trincar!
Não gostei do levanta e senta a mando do padre, já nessa altura era arisca à obediência e nunca mais lá pus os pés nem fui para os escuteiros porque a minha mãe não queria que fizesse parte das estatísticas vergonhosas de gravidezes na adolescência. 
Já que não me deixaram ir para os escuteiros também não tiveram a lata de me obrigar a fazer o crisma e 1ª comunhão. Livrei-me dessa palhaçada mas assisti à dos meus primos, coitados, vestidos de entrefolhos de renda até às orelhas e a passo de marcha fúnebre em dias de calor, com direito a desmaio por desidratação, até a vela que levavam na mãozinha coberta de luva branca, perdia a tesura!
Reconheço desde há muito tempo que não foi nem de perto nem de longe a pior decisão dos meus pais em relação à minha educação! 
Também nunca tive nenhuma situação de me perder no mato e precisar de recorrer aos feitos de sobrevivência e já acampei mais na vida que muita gente.
Fui a tempo de tudo, livrei-me da comunhão e nunca engravidei!
Como estava a dizer, sobre política lá por casa as coisas eram como os escuteiros, existem mas não fazem tanta falta, nem merecem tanta discussão assim.
Por estas e por outras é que de vez em quando me questiono sobre as gentes novas de linhagem mais antiga que o cagar que surgem que nem cogumelos não comestíveis, qual injecção renovadora de veneno e que fazem carreira pelos sucessivos governos.
Se nasceram em famílias modestas como a minha, não tiveram nenhuma informação privilegiada ou estimulo para a política, que sempre foi assunto quente mas abafado como as castanhas assadas. 
Ou será que esta gente pertence toda a classes privilegiadas e iluminadas e não sabem do que falam, porque a dificuldade nunca lhes bateu à porta e continuam a fazer leis para amigos, baseadas em pensamentos egoístas e atitudes mimadas de meninos da mamã que são. 
E assim vai o meu país, adultos infantis desgovernados por um bando de biberão que mama que se farta!  

Pág. 1/45

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D