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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Contos e Descontos

26
Abr20

Alçapão do tempo

Rita Pirolita

Quando me propus subir ao monte mais alto lá do lugar em pleno Inverno, a avó disse-me que já que ia ao cocuruto que aproveitasse para apanhar o fiozinho do céu e puxá-lo um pouco mais para perto da terra, a ver se espantava a geada, na Primavera logo se dava um sopro ou um toque de vara e empurrava-se mais para cima como se de um alçapão do tempo de tratasse.

25
Abr20

Nada diz nada

Rita Pirolita

A referência forte que tenho na minha vida é o Opá dos camaradas e retornados, os discursos com palavras de comando, acreditar, as flanelas, as barracas, os cabelos, as gentes de vida cheia de sofrimento alegre, miséria timida...
Agora nada me diz nada!

25
Abr20

Tira do povo o pão

Rita Pirolita

Que misto de emoções na comemoração deste dia, confusa até por saber que a história é feita de tudo menos da verdade, tento assumir a minha responsabilidade neste mundo e não sou mais livre por isso, dizem ao povo que se deve unir para conseguir mas quem manda tira do povo o pão!

22
Abr20

Nem sei que pensar

Rita Pirolita

Costumava conhecer ou reconhecer uma tal colega de escola que me oferecia pelos aniversários livros do Francesco Alberoni sobre a amizade e o amor, autor que eu não conhecia nem passei a gostar, um dia ofereceu-me um livro de leitura das linhas da mão e interpretação de caligrafia com a dedicatória verbal inclusa de lhe fazer uma consulta antecipadamente paga com a oferta do livro quando acabasse de o ler, sendo recomendável que ao fim de algum tempo já soubesse aquilo de trás para a frente e na ponta da língua. Esta miúda era um poço de planos impostos no amor e na amizade, nada podia fugir do seu controlo ou fluir naturalmente embora se esforçasse imenso por parecer espontânea e surpresa com os resultados que ela própria tanto precipitou, tinha que casar com um homem economicamente muito estável ou mesmo rico, bonito, elegante e que se comprometesse a constituir família, tinha na altura um namorado lindíssimo de boas famílias, o seu sonho portanto, apresentava-o como futuro marido, não gostava ele dela o suficiente para tal, amando outra.

A minha colega sempre a iludir-se ao pensar que era a única mesmo sabendo da outra relação, impunha a sua presença como o prémio recomendável e apetecível para qualquer um assentar, era bonita mas achava-se irresistível, tentando não mencionar uns pais humildes da classe operária e fazendo valer o seu curso superior, mérito lhe seja concedido!

O que eu descobri há pouco tempo é que agora é astróloga, apelido-a com condescendência de bruxinha, faz cartas astrais, dá consultas, pratica meditação, está profusamente nas redes sociais, pôs umas maminhas de silicone, puxou os olhos e preencheu os lábios, tudo aceitação nada natural daquilo que é e do tempo que por ela passa! Continua a forçar as coisas a acontecer, será que é aquilo que quer ou disfarça bem a irritação que lhe deve provocar a fluidez incontrolável da vida, será que aceita a surpresa ou será que programa o que ai vem numa manipulação e suborno dos astros? Nem sei que pensar mas parece-me que por ali navega tanto sofrimento lixiviado em nome de uma imagem que lhe sai trabalhosa demais na manutenção!

Caramba que não lhe vejo alegria no corpo nem na alma, no sorriso seco ou no olhar inexistente, tenho pena dela, parece estar mais perdida que eu que para ela sempre fui uma tonta!

22
Abr20

Estrelas

Rita Pirolita

Quando faço massa de estrelinhas fico com a esperança que o meu estômago vire um universo e eu nem precise de morrer para ver estrelas por perto, neste caso dentro de mim a fazerem cócegas com as suas pontinhas!

21
Abr20

Amor primeiro

Rita Pirolita

Gosto de gente com passados bem vividos e de bem com as memórias, não sou ciumenta nem acho que seja o amor de alguém para sempre, posso ser, posso não ser e o grande amor não é o primeiro é aquele que cura esse primeiro! 

16
Abr20

Céu-chão

Rita Pirolita

E de repente o céu estava no chão mas as pessoas não-viradas não se prendiam pela cabeça, espezinhavam sim o azul, andavam aos pontapés às nuvens, contornavam trovoadas e ciclones, nos sítios em que chovia a água subia do céu como repuchuzinhos de fontes, paredes de ventania, bancos de granizo, o sol era um vulcão único, quente sem comparação com uns milhares de quilómetros-barreira a abrigar de possiveis queimaduras, a terra era agora um céu que oferecia tantas possibilidades de espaço e obstáculos voláteis tão fáceis de percorrer, bastava apanhar boleia das nuvens que seriam aquilo que se quisesse, uma mansão, um elefante de safari, um cavalo selvagem, até unicórnios e Pégasos, pique-niques em arco-iris, torres de Babel...a liberdade era tanta que ninguém aguentava o infinito e se suicidavam contra a estrela escaldante, em buracos negros ou colisões de meteoritos!

Bem, tudo isto eu vi e não gostei, vivo agora numa cabana de neblina com baleias aladas e girassóis de luar, aqui não há espaço ou tempo que aprisione a liberdade!

07
Abr20

Filas de Verão

Rita Pirolita
As filas na ponte 25 de Abril sempre foram tema de discussão, queixume, protesto, desespero...fosse em verões escaldantes ou chuvosos, incertos ou nebulosos. 
Em tempo de férias, gente que se levanta às 6 da manhã para ir trabalhar, continua a fazê-lo para ir à praia, ainda para mais se tiver putos, precisam depois de férias das férias.
Com olhos remelosos, vestem-se calções do avesso, de trás para a frente, enfiam-se mangas de T-shirt pela cabeça, prepara-se o farnel, as toalhas, o protector, os chapéus-de-sol, a hidratação, que na praia há muita água mas não presta para beber, só para banhar as partes a fazer xixi quando está fria, quando está menos fria é aproveitar e pôr o porco todo de molho, até as polpas dos dedos e os pés ficarem enrugados. 
Os escaldões são mais que muitos nos primeiros dias mas convém aproveitar que as férias são sempre curtas e se a pele cair renova a cútis e armazena um cancrozito para daqui a uns anos, se não for já no Inverno seguinte.
Senhoras maquilhadas de brinco dourado, pulseiras mais que muitas e sandália carregada de cachuchos de vidro, fatos de banho com respeito e elegância ou bikinis desajustados e trikinis que nunca deviam conhecer tais corpos, quanto mais serem expostos em praias públicas. 
Comecei a falar de filas na ponte e é sobre isso que vou concluir. Para os que vivem e trabalham em Lisboa e nas 'vacances' gostam de ir para o sol da Caparica ou da Fuente de la Tielha, como dizia uma amiga minha, para parecer que esteve numa praia do sul de Espanha, parem de se queixar das filas que vocês próprios provocam, na vinda pelo fresquinho da manhã, com os putos a berrar e na ida com o abrasamento do escaldão no corpo, cheio de areia a roçar  na toalha turca tesa de sal que cobre os bancos do carro para que não virem bacalhau em salmoura da Margem Sul, que vocês só lá vão aproveitar o sol mas se pudessem deixavam lá a areia e o escaldão e levavam só o descanso e a vista de uma praia magnifica a perder de vista, onde ninguém está em cima de ninguém, a ouvir flatulências, mastigação e arrotos abafados sem perdão.
Nada que se compare às vossas praias que tanto elogiam mas que pouco mais servem para passear no paredão a exibir a lycra e o lulu, carregadas de perfume e eles de músculo bombado. 
Fiquem por Carcavelos, a praia do cagalhão, pelo Guincho das escarpas e friorenta ventania ou pela chiquérrima Ericeira.
Pensem nisso pelo menos para pôr em prática já no próximo Verão e evitar engordar filas sem nexo, que só vos cansam.

 

07
Abr20

Ignorância, iliteracia e burrice

Rita Pirolita
A todos os que me chamam de snowflake?...Mais vale ser efémera, não somos todos na nossa existência?...Que parecer um efémero monte castanho a fumegar.
Aos que me acusam de generalizar e se insurgem querendo provar que são diferentes e únicos e fazem parte de uma minoria erudita, nada mainstream ou populista?... 
A generalização é isso mesmo, não considerar casos particulares, porque me perderia em enumerações infindáveis!
Aos que me dizem, 'deves achar que és mais esperta que os outros?...
As pessoas inseguras quando acusam o toque ou lêem algo que faz sentido (não sou dona da razão, apenas expresso opiniões que quase seguramente consigo defender) mas não querem admitir, são agressivas, não querem discutir ideias nem aprender ou partilhar.
O mais flagrante e recente episódio adveio da opinião que expressei quanto à série GoT que tantos seguidores arrasta, não me mostrando simpatizante deste género fantástico descrevi a série como um conto infantil com dragões e anões, repleto de cenas ao bom estilo PornHub, recomendável para adultos, ou seja, um estilo confuso e talvez propositadamente baralhado, que apela ao mais básico do entretenimento, o que não lhe retira de todo o direito a ser exibido, sendo apenas consumido por quem gosta.
Ninguém é obrigado a ver mas para saber se gostamos ou não convém ver pelo menos 1 ou 2 episódios, foi o que fiz quando a série foi exibida pela primeira vez em 2 mil e troca o passo.
Dentro do grupo dos que gostam uns conseguem separar o real do fantástico imaginário mas outros, alienados e viciados com semelhanças assustadoramente próximas de atitudes terroristas vingativas, apenas conseguem vomitar em atropelo gramatical ameaça e injúria a quem não partilha o mesmo gosto.
Aos que acham que ser muito radical e não fazer parte da carneirada, consiste em coisas tão simples como não ver ou nem saber que série é esta, que se deixa tratar pelas iniciais de GoT, não sei quem vos anda a enganar mas para mim é muito mais que isso, passa por ter firmeza, lucidez e flexibilidade nas ideias que se expressa e defendê-las com a consciência da responsabilidade e alcance daquilo que se escreve.
Muito mais que o desejável, existem casos de flagrante iliteracia, diferente da ignorância, em que não se sabe e até se vive feliz.
Iliteracia não é só não saber ler nem escrever, é também não saber interpretar e quando não  se compreende, responde-se com bugalhos a quem diz alhos! 
Existem ainda os tristes casos daqueles que além de não perceberem fazem finca pé de não quererem perceber, burros e teimosos que apenas querem consumir tempo precioso a gente de bem. Porcos a quem não convém dar pérolas!
A toda a carneirada vampiresca...vão chatear a carneirada remelosa a que pertencem e parem de desdenhar e cobiçar o que não têm ainda capacidade para compreender. 
Chegará o dia, nunca sem muita vontade inerente de terem o arcaboiço para acolher alguma clarividência...ou não!...
Nenhum totó se vai rever aqui, na sua própria descrição, no fundo estive a escrever para uns poucos...vale sempre a pena!
 

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