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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Contos e Descontos

31
Mar20

Recolhimento

Rita Pirolita

Nestes dias de recolhimento no lar
Elas: tirar gaifanas, arranjar as unhas, fazer a depilação, cortar 1 mm de pontas secas do cabelo, máscaras faciais, exercício, maquilhar-se para o tele-trabalho e depois andar o santo dia e noite de pijama sem soutien.
Eles: tele-trabalho no sofá, simples!

31
Mar20

De cu virado

Rita Pirolita
Já várias vezes escrevi aqui sobre os mais recentes movimentos atabalhoados de feministas e outros grupos que se auto-intitulam defensores dos mais fracos e libertadores dos oprimidos que querem sair do armário. 
Confesso que não gosto de maneiras esgrouviadas e pouco maduras, disfarçados de chicos-espertos querem-nos fazer passar por idiotas ao acreditarmos que são os únicos a travar a batalha contra a discriminação e a violência entre homens e mulheres. 
Queridas malucas feministas, verdinhas na história do mulherio, não sei se já repararam mas a violência sempre foi condenável e nada desejável, a humanidade sempre a justificou mal e porcamente, como um mal menor para a manutenção da paz, desde as inevitáveis guerras e não é por isso que estão extintas ou só fazem parte do passado, pelo contrário hoje são mais massivas e requintadas.

A não ser que a pessoa tenha um fetiche e aí força no chicote e aperto nos mamilos até uivarem de prazer mas mesmo quando não se falava destas coisas, não acredito que as mulheres gostassem de levar nos cornos e calar, não acredito que os miúdos gostassem de ser espancados com cintos, ou que fossem alvo de chacota na escola por serem gordos por exemplo e assim que pudessem não fizessem uma dieta para não terem que passar mais por esse estigma. Isto tudo sem ficarem traumatizados? É pedir demais!
A indignação nunca deixou de existir e agora e muito bem denuncia-se aos quatro ventos, tentam-se criar mecanismos para protecção das vitimas e sensibilização para comportamentos mais saudáveis mas não se deve cair na banalização e desviar a atenção dos verdadeiros abusos com denúncias de gente mimada e caprichosa do 1º mundo. 
Vejo muita gente a fazer queixinhas para candidatura a coitadinhos, a trazer a praça pública os maus resultados, apontar o dedo e indignar-se com tudo e mais algumas botas, do que propriamente alguém a preocupar-se com a sensibilização para dedicar mais tempo a uma educação de qualidade, que exige algum acompanhamento e dedicação é certo mas nada demais, comparado com o bom resultado obtido com maior maturidade de homens e mulheres de amanhã, que não se deixem subjugar por actos de bullying, que não achem normal no namoro que uma chapada de vez em quando não faz mal e até mostra que há paixão, mais ainda quando fazem as pazes, a seguir à tempestade é mais intenso, aceitam passar por umas tantas coisas más para terem prazer de vez em quando com coisas boas, como se fosse uma recompensa pelo tanto sacrifício...
Não percebo, eu que nunca gostei de levar porrada ou ter motivo para a dar...começo a achar que a maluca sou eu, não se preocupem, sou encartada e o lugar à frente da carreira para o manicómio é meu, de há muitos anos a esta parte! 
A falta de educação dá nestes cenários que as feministas tentam combater no final de linha, sem se preocuparem com actuações mais preventivas.
Com ferozes ataques, diabolizam todo e qualquer comportamento masculino de tentativa de interação com o sexo oposto, banalizando o assédio, e baralhando os sinónimos de chantagem, manipulação sexual ou mesmo humilhação psicológica em casa ou no trabalho, tudo coisas difíceis de provar mas que infelizmente existem, magoam e deixam marcas profundas, quase tanto ou mais que uma chapada às vezes.
Tantas vezes os discursos de denuncia reflectem frustrações tão descabidas, o que me leva a crer que estes movimentos nasceram de mulheres rejeitadas pelas mais variadas razões, por serem feias, umas grandes cabras ou terem um feitio de merda e por inveja quererem virar contra os homens até as mentes mais equilibradas, com defesa de valores quase hitlerianos, de imposições, de trocas pouco ortodoxas e até contraditórias, 'só faço isto se me fizeres aquilo que eu gosto na cama', 'tens que fazer sem esperar nada em troca'...
Mais até na questão do sexo, não andamos aqui também, para ter prazer ao dar prazer ao outro, a fazer coisas que nos dêem prazer, por mútuo consentimento e nunca por obrigação ou marcação de escalas? 
As feministas não quererão fazer parecer que o que as rodeia é tão bom ou tão mau como elas? 
Se um cagalhão se fizer rodear de mais merda, o seu próprio cheiro dilui-se e fica mais disfarçado.
Uma merda entre merdas não se sente uma merda tão grande! Será?
Que mania de andarmos cada vez mais a nivelar por baixo, com pouca exigência em tudo, exijam o melhor e terão pelo menos o bom, mas têm que se esforçar um pouco que seja e serem convictos e seguros naquilo que exigem, sem cairem na ilusão de que o céu deixa cair coisas, já lá tem o Sol e já é muito, para a merda que somos e da maneira atroz que tratamos o planeta!
É verdade que já somos demais, tantos que muitos até se podem dar ao luxo de andar de cu virado para a Lua!
Afinal somos assim tantos, por andarmos de cu virado uns para os outros ou por andarmos desde sempre a saltar para a espinha uns dos outros?! 
31
Mar20

Já que estou aqui a envelhecer

Rita Pirolita
Cada vez mais me vou apercebendo que no envelhecer se perde muito mais do que aquilo que se ganha e o pouco que se ganha já não faz tanta falta e falta força para gozar.
A sabedoria já vem tarde, só não queremos ter dores e chatices, queremos estar e comer como bem nos apetecer com a porra dos muitos limites, porque o corpo já não é o que era.
Podemos ser tão mais livres e deixar de trabalhar mas depois não temos onde gozar a liberdade, com dependências emocionais, se forem monetárias, pior e se forem somente monetárias, muitíssimo pior, de filhos e netos que nos rodeiam, por quem nos sentimos responsáveis e por quem sofremos e nos alegramos em amiúde ansiedade de bem estar. 
Neste momento em que ainda não sou velha nem nova, já amaldiçoo a sabedoria da experiência, cada vez menos me serve ou até sobra para uma vida de quem não teve filhos, de quem já superou o choque da violenta morte de uma mãe, que prepara e amacia o pêlo para a do pai mas que ainda me pesa e apoquenta que tenha de passar por ela ou por cuidado e amofinação na doença, por ser a filha única que tem que cuidar se assim for necessário, por obrigação e não por dedicação, a um pai apenas de concepção e não de presença ou educação! 
É um misto de desejo que a morte venha e não venha para quem ainda nos prende ou em último caso que nos leve antes para evitar o sofrimento de ver outras! 
Sinto-me mais simples até que um dia a morte já só leve um corpo, porque toda a vida já foi gozada mas se a sabedoria me trouxesse mais liberdade, menos amarras a gente que vou chutando para canto, menos chatices de que me vou esgueirando e cobranças que vou evitando, não pedindo favores a ninguém para não ter que retribuir...ah se a sabedoria me trouxesse essa liberdade já me tinha empanturrado e morrido de overdose vital! 
31
Mar20

Problema de expressão

Rita Pirolita
As séries e novelas portuguesas padecem de um problema de expressão, de dicção, de gestos teatrais e tom coloquial?...

Então a captação do som nem se fala, às vezes até desconfio que estão a falar português arcaico ou a contar um segredo, se era para isso que ficassem em casa calados!

Não percebo, esclareçam-me, escrevendo bem e falando melhor ou tenho que chamar os Clã para resolver o problema de expressão?...
31
Mar20

O sexo sem hu(a)mor não tem tanta piada!

Rita Pirolita
Vou falar de sexo com o pudor que merece da minha parte ou seja, nenhum!
Não precisam de comentar ou expor o vosso comportamento mas vejam lá se não sentem também um pouco do que eu sinto. 
Sempre me intrigou o seguinte, filmes românticos, eróticos, de suspense, policiais, de zombies, vampiros ou até canibais, parece que agora não há género que não tenha que enfiar no guião como condição sine quo non, uma cena lá pelo meio de pirueta em vale de lençóis, no elevador, nas escadas, é onde calhar, nunca se pensa em DST's, preservativos ou mesmo tirar as collants e calças, tudo é penetrável, até a roupa. 
Ora bem, estão a ver aqueles filmes em que na cena quente ela é filmada em slow motion com os cabelos ao vento em posições sem refegos, celulite ou mama descaída, tudo é perfeito e rápido que nem coelhos, elas surgem na cena seguinte de roupão ou com a camisa dele enfiada à porcalhona desleixada mas maquilhada que nem Bela Adormecida e com o cabelo sem pintelho a despontar fora do sítio, tudo arrumadinho mas com um olhar de badalhoca, que só Deus sabe e o gajo que esteve com ela na cama!?
Estão por outro lado a ver os filmes que são uma sátira a estes? Em que ela na cena sensualona cai da cama, parte um pé, entala os dedos na mesinha de cabeceira ou aparece o cão dele com um olhar que a intimida e envergonha e junta-se à cena, não, corta, isto já sou eu a delirar! 
Pois, eu sou mais inclinada para estes lados, para este tipo de tragicomédia, não que já não tenha tentado fazer de boazuda, sempre me foram dizendo que sou gira e devia explorar mais a minha faceta sexy, que segundo todos os homens, todas temos. 
Sinceramente nunca me senti assim, prefiro pensar em mim como alguém com graça e piada, de ar divertido de quem está bem com a vida, a nível fisico a imagem que penso transmitir é de alguém com uma postura pragmática, porte mais para o atlético, calço o 41 e sendo alta posso dormir de pé como as galinhas, é sempre o que me dizem para serem simpáticos e não desagradáveis ao confirmar que de facto sou patuda, tenho umas mãos enormes, embora seja proporcional, isto não é de todo o cumulo da feminilidade e delicadeza, por mais que tente não parecer um elefante dentro de uma loja de cristais! 
Ora bem na senda de tentar descobrir alguma coisa em mim que os outros viam mas eu não queria admitir, tentei em algumas alturas forçar-me a ser sensual, em câmera lenta e tudo, confesso, não deu o resultado esperado, saiu mal, deu merda mas fartei-me de rir, não sendo a única a ser contagiada pela cena, quem estava comigo também confirmou, que estávamos lá para foder e rir se assim fosse o caso e houvesse oportunidade e não para andarmos a brincar aos cowboys, a esconder-me do Índio que me quer dar com a pena na moleirinha para castigo ou fazer-me cócegas nos mamilos como tortura. 
Por falar em personagens de filmes, nem me queiram imaginar vestida de enfermeira put@ e ele com arreios de cavalo, porque se não aí é que morro de riso e não fodemos! 
Ainda mais, detesto lingerie com fitinhas, botões, lacinhos, rendinhas e outro tipo de tirinhas, em vermelho e preto ainda pior, não vai com a cor dos meus olhos. 
Detesto que tentem impor celebrações como o dia dos Namorados, lembrar o dia em que o conhecemos, celebrar a primeira queca, a primeira semana, mês, trimestre, meio ano ou ano...arre, não!
Detesto flores empinocadas, então aqueles arranjos de florista não têm piada nenhuma, nunca consigo distinguir um ramo de festa de um para funerais.
Não gosto que arranquem flores em geral, deixem ficá-las no jardim que são mais bonitas e mantêm-se vivas por mais tempo. 
Pétalas de rosa e velas, suporto numa massagem, se for oferecida tanto melhor e como estou de olhos fechados também não vejo as paneleirices da decoração.
Por outro lado sempre achei que as minhas colegas de escola na altura das descobertas e não era do caminho marítimo para a Índia, romanceavam e mentiam muito sobre a cena, quando descobriam que para engravidar não é preciso saber foder, é só preciso foder...já era tarde e que além disso para foder não é preciso amar ou andar em busca do amor nas cavalgadas, também só é preciso foder! 
É óbvio que se uma pessoa encontra alguém com quem se dá bem, que existe aquela química, como costumam dizer os entendidos desses subterfúgios da fod@, tem mais tempo de descontraidamente ir descobrindo as teias do prazer e explorar afectos, não os beijoqueiros do Marcelo, valha-me Nossa Senhora da Espuma aos Cantos da Boca, kanoije!
Pronto, já perceberam por esta altura qual é a minha visão e verdadeiro comportamento incontornável que tenho e tanto me caracteriza, de me rir de tudo e ter prazer ao mesmo tempo. 
Não se resumirá também o amor a um animalesco desejo, bastante humor à mistura e algumas dores de corpo pela ilusão e boa vontade, de em determinada idade insistir em fazer posições de há 20 anos atrás, dentro do carro já nem se fala, ou inventar novas posições que não dão em nada, a não ser em torcicolos e quedas mais ou menos aparatosas?!...Mas nada nos pára! 
31
Mar20

The Truman Show

Rita Pirolita

Que sensação Truman Show!
Parece que andam a fazer reportagens com meia dúzia de figurantes, os dias repetem-se com ruas vazias, o medo compete com o virus na clausura
Medo de estar só
Medo de morrer só
Medo de perder o emprego
Medo de quem cruza na rua
Medo do invisível

31
Mar20

Veleidade

Rita Pirolita

Qual a veleidade do mundo em pensar que um vírus não atacaria os mais débeis, esta é uma guerra invisivel onde os mais jovens e fortes são enviados para a frente de batalha e os mais velhos morrem às suas mãos cansadas, sozinhos, sem direito a um adeus!

31
Mar20

Solidariedadezinha

Rita Pirolita

As guerras e extermínios, a pobreza, a fome, as ditaduras e suas atrocidades de há muito em continentes ou países longínquos nunca mobilizaram tanta gente como este vírus que pode tocar a qualquer um...

Com a ilusão da solidariedadezinha criada num mês é que vamos mudar?

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