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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Contos e Descontos

28
Fev20

Fogo-fátuo

Rita Pirolita
Será que acredito que existo?

Sempre senti que o conhecimento já veio agarrado a mim desde o momento da parição mas a existência sempre teimou em afastar a realidade. 

Sinto-me num corpo desalmado, que flutua e vê de fora por dentro, que julga a justeza de seres alheios que tenta expiar os males do mundo como um redentor que sofrendo as dores de outros, purifica e alivia quem em desespero de guerra e doença luta por ficar vivo. 

Será que é assim tão importante ficar por este mundo o máximo de tempo que conseguirmos a fintar a morte? 

Quase todos acreditam noutra dimensão mas ninguém nunca teve confirmações do além a não ser inventadas, nunca nada vem de luz divina fora da nossa imaginação. 

Que Deus tão fogo-fátuo que vive no nosso meio, inventado à nossa medida e nos abandona na morte, quando o deixamos de pensar. 

E se não acredito em mundos divinos e sim num Universo matemático, porque me sinto fantasma desta terra, observadora a planar por cima de catástrofes e a chorar da pena que sinto do sofrimento que não acaba, pela recusa do simples e Belo, que a humanidade sempre teve de graça mas nunca aproveitou até hoje?...
27
Fev20

My China is better and bigger than yours

Rita Pirolita
 
Será o que muitas matriarcas estrangeiras que ainda são do tempo de apreciar estas coisas pensam da louça trazida por colonialistas, nas raras vezes que vão jantar a casa de alguém. 
Quem recebe faz questão de exibir gosto requintado em especiais ocasiões, deixando que se cubram de gordura e molhos viscosos pratos pintados à mão, decorados com grãos de arroz ou finas flores de amendoeira, passarinhos ou rosas, azuis azulejo assentes em branco rosto de gueixa! 
Tudo de uma delicadeza bucólica estonteante, como as cálidas mulheres orientais de bolas rosáceas nas bochechas, com mãos longilíneas e pescoço de garça. 
Chávenas e copos cintilantes com rebordo dourado, tresandam a mofo de madeira da cristaleira, o chá pode não ser oriental, a comida também não e o vinho muito menos.
Depois desta generalização de pendor tão internacional, vamos agora ao caso muito específico de Portugal.
As mães exibem orgulhosamente e com cuidado como peça de museu, o melhor conjunto Vista Alegre e os copos Cristal d`Arques, em aniversários e jantares, no Natal e de quando em vez em lanchinhos com a familia emigrada, só para não pensarem que somos uns pobretanas atrasados e não sabemos o que é coisa fina. 
Não sei se todas as mães que têm 'china' o fazem mas as portuguesas lixam-se à grande, porque cada vez que usam esta parafernália que não passa de pedaços de caco bem pintadinho, quando as visitas desaparecem vão de requitó para a cozinha até para lá da meia-noite, lavar louça à mão, porque o conjunto foi deixado pela bisavó e nessa altura não haviam máquinas de lavar louça, por isso os lindos pratos não aguentam um detergente abrasivo ou mesmo uma esfregadela mais intensa, quase tudo tem que ser lavado por mãos de fada.
Os copos de cristal ficam manchados na máquina, têm por isso que ser postos a escorrer ao ar, sem toque de pano, se não ficam cheios de pêlo, já para não falar que tudo que tenha dourados não pode ir ao micro-ondas, esqueçam portanto a ideia de aquecer restos do dia anterior.
Mesmo assim, ainda se acredita que arejando um enxoval deste gabarito se está a dar uso digno nas alturas certas mas também que não sejam assim tantas para não se partirem muitas peças e depois andarem as visitas a comer num folclore de temas florais desirmanados, já que os nossos avós até para o gato punham pratos do cavalinho da extinta Fábrica de Sacavém.
Acho que os mais raros são os castanhos...os pratos, não os gatos!   
26
Fev20

Sair de pijama à rua...

Rita Pirolita
No país dos veados e eu não tenho cornos que saiba, dos ursos e eu não sou nada peluda, que tenho a certeza, dos esquilos e eu não tenho pelos no rabo, porque tenho a certeza que não sou peluda, os chamados cuelhos por oposição aos pintelhos do pinto ou pito, dos coiotes e eu não uivo, das cabras e eu sou do monte e não da montanha... 
Trago ainda no corpo, clima de gente e não de ursos, o vício entranhado de pensar no que vestir antes de sair à rua.
Nem me passa pela cabeça sair de pijama e casaco da neve como tanta gente aqui faz, figuras tristes. 
Dou-me ao trabalho de abrir o armário da roupa e olhar para as coisas que possam fazer pamdam, não tenho muita roupa mas a que tenho está bem escolhida para rimar como deve de ser e não embarcar na moda da falta de gosto, que também abunda por estas terras de esquimó.
Fazem questão de vestir a pior coisa que têm lá por casa, tão má que mais parece o pano do chão e despentear o cabelo de propósito atrás, na nuca, para ter aquele ar 'negligé', de quem acabou de acordar e sai para a rua com a beleza que Deus lhe deu, que não é nenhuma e ainda piora quando se querem vestir pior que um sem-abrigo, andam de calças rotas, que aquilo é mais buraco que pano e com camisolas cheias de buracos das traças mas tudo a exibir a marca cara como a porra.
É para dizer que têm pouco mas bom? Que estão solidários com as pessoas que vivem na rua? Que usam a roupa à exaustão até ficarem naquele estado miserável e por isso mostram que são muito poupados e andam a contribuir para um mundo melhor com uma vida mais sustentável?
Não sei mas andam todos convencidos que andam a fazer uma boa figura e uma pessoa nem se aproxima para lhes dar uma moeda ou oferecer um café e donuts do Starbucks, porque têm cara de malucos em vez de desgraçados e esfomeados!
Pois eu ainda dedico uns segundos de preocupação com a indumentária e ao início ainda me chegava a vestir toda bonitinha, para depois cobrir tudo com um casaco da neve que mais parecia um edredão, linhas direitas e tufos tipo Michelin.  
Comecei a entranhar a ideia que não merecia a pena desperdiçar tempo com cores ou padrões, o melhor era resumir a cor ao preto, que dá com tudo e que fosse confortável e quente para depois lhe espetar em cima com um casaco tipo chouriço nada feminino, que não realça curvas nem banha, só serve para o que foi criado, proteger bem do frio e nessa tarefa dou os meus parabéns a quem concebeu estes cobertores ambulantes, cumprem o propósito.  
Não cheguei ao ponto de colocar sequer a hipótese do pijama, seja de que padrão fôr e tenho quase a certeza que nunca lá chegarei, mas também já estive mais longe de compreender o seu desfile em público! 
22
Fev20

Electrodomésticos

Rita Pirolita
Os electrodomésticos são uma porra de confusão e sujam-se mais que ajudam!

São caros e alguns muito mal jeitosos, monstros que se apinham em bancadas de cozinha ou empanturram armários à espera de serem usados a justificar o dinheiro gasto ou por respeito a quem os ofereceu para o enxoval. 

Para mim frigorífico, fogão e máquina de lavar roupa são indispensáveis, não morro se não tiver uma máquina de lavar louça e dispenso ou evito mesmo, aproximar-me de um micro-ondas. 

Os que nunca comprarei e podem ficar nas prateleiras da Worten a apodrecer são as batedeiras, as torradeiras, as fritadeiras, as iogurteiras e já agora as bimbalheiras, os aspiradores, os moinhos e máquinas de café e o lucrativo negócio paralelo de meter o escuro pozinho em cápsulas e há uma magana que é o meu pior pesadelo...a faca eléctrica, aquilo põe-me os cabelos em pé! 

Já para não falar nas tele-vendas que se pudessem até impingiam máquinas de descascar alhos à mão. 
22
Fev20

Racismo

Rita Pirolita
O ideal seria vivermos em feliz comunhão e miscigenação, até chegarmos ao ponto de não haver raças distintas e aí arranjaríamos de certeza outras formas de segregação que não fosse por raça, religião, género ou riqueza.
A diferença será aceite quando deixar de existir e formos todos iguais em aspecto e condição, numa monotonia visual de almas deambulantes em ruas esterilizadas em que ninguém é pobre ou rico, preto ou branco, gordo ou magro, triste ou alegre.Estes extremos que não dispensarão um líder mundial, que poderá ser um computador sem dor ou lágrimas reais, são característicos de regimes comunistas, socialistas ou de extrema-direita, nunca típicos da tão proclamada democracia, bandeira hasteada, esfarrapada por tanta intempérie e nunca honrada!
Os portugueses emigrantes dos primeiros tempos em França, não foram viver no meio da lama e dos ratos nos bidonville? Os franceses já lá estavam a ocupar os sítios e trabalhos melhores! 
Os africanos que chegam a Portugal vão viver para bairros da periferia à procura de trabalho, que nem para os que cá estão já existe ou não querem fazer. 
Dos ciganos, que têm fortes raizes nómadas, não se pode esperar que a maioria viva do trabalho ou respeite a ordem e paz social, vitimizam-se e aproveitam os subsídios, sem nunca ter descontado ou contribuído na comunidade para a ajuda que recebem. 
As mulheres, os gays, os deficientes, os pobres...são todos descriminados e há-os pretos, brancos, ciganos e às riscas. As comunidades querem manter os seus costumes, são segregados por não pertencerem ao local que habitam, chegam a reboque de promessas de vida melhor, a fugir da guerra, da fome ou da perseguição, não lhes são dadas oportunidades de luta nem defesa.
A revolta da desigualdade traduz-se em delinquência e agressividade e assim se distanciam e são postos de parte, perdendo o interesse na integração. 
Existem exemplos de existência pacifica controlada, entre comunidades diferentes mas nunca convivência saudável ou mistura de culturas no mesmo local. 
É natural que pessoas do mesmo país ou cidade se agrupem em comunidades e eles próprios exerçam exploração e até humilhação sobre os novos vulneráveis que chegam, em troca de guarida, salários baixos e trabalho precário. 
Ninguém está para ajudar ou se o faz é de forma dura e vingativa para exorcizar o passado do seu próprio início, outrora não facilitado por outros também. Enquanto existirem países que fomentam a existência de coitadinhos, de escravos que limpam a merda dos que os recebem por ordenados baixos, más palavras e maus tratos, tudo em nome da luta de classes, fomentada pelas elites para desviar os olhares da corrupção.
Enquanto a maioria se culpar e roubar a ela própria,  iremos ter sempre bairros da lata, bairros sociais metidos em buracos e distantes dos olhares dos mais ricos e ordem e paz que não serão respeitadas. 
Os pobres são o isco, a origem e o bode expiatório das desgraças do mundo, para gáudio dos ricos.
Lembro-me agora, que cresci com ciganos, pretos e deficientes que naquela idade pequenina, eram apenas seres com quem brincava, andava à porrada, dava a mão e agora já não os tenho, nem sei onde páram mas às vezes recordo-os, para voltar à inocência livre de preconceitos.
Não será isto tudo fruto da vazia complexidade dos adultos que criam problemas e hierarquias de poder e humilhação em vez de simplificar como as crianças e os cães tão bem sabem fazer?
22
Fev20

Tenho pena

Rita Pirolita
Tenho pena que me tenham criado para ser submissa e não tenham aceite a minha diferença, por mais pequena que fosse mesmo inserida no sistema.

Tenho pena de pais que não participaram na revolução do nosso país, mesmo que mais tarde se tenha revelado ilusória, que ficaram em casa calados porque a incerteza os assustava e o regime era certo e paternal. Ideias políticas que se amordaçavam mesmo à saída dos lábios porque o voto sendo secreto é uma boa desculpa para o silêncio de uma vida inteira que evita conflitos, perseguições e despedimentos.

Os tempos avançaram mas não mudaram, a única diferença é que agora podemos eleger de uma lista controlada os que nos roubam, as mentes continuam presas ao medo da critica, da luta, da voz alta da indignação.

A informação tem dono e como um vírus cibernético deposita alienações nas cabeças dos mais antigos, 'os trabalhos já não são para a vida e a culpa é de quem não quer trabalhar',  porque vidas anteriores foram gastas com dedicação escrava, na escola a levar vergastadas nas orelhas, no trabalho a cumprir horários e a lamber as botas ao gordo patrão, na vida a engolir sapos, a pagar impostos e contas a quem mais nos rouba e nunca fez nada pela vida a não ser enriquecer à custa da exploração do suor dos outros.

Tenho pena de quem torceu o nariz quando os retornados ocuparam facilmente cargos públicos, em vez de frontalidade justa, abusou de coscuvilhice doméstica para os acusar da novidade da droga, o tratar por 'tu' com uma falta de respeito pela parcimónia do antigo regime, a tão invejada descontração típica de locais mais quentes e onde a vida é mais gozada, regada com cerveja e comida picante.

Serve a desculpa que todos fizeram o melhor do seu pior? 

Tenho pena que as bestas abrandem o mundo!

Esta é a insustentável leveza de um universo que não se move nem muito menos levita de tão feio e pesado.

20
Fev20

Balde do lixo

Rita Pirolita
Vou falar de um balde do lixo doméstico que caiu dentro de um contentor do lixo por minha culpa mas tudo acabou bem, apesar do mau cheiro!
Desde que me lembro de ter desenvolvido as minhas capacidades motoras em pleno que usava mais para correr, saltar e brincar, lá em casa já me incutiam a responsabilidade de tarefas, como limpar o pó todos os dias, sim, todos os santos dias, menos ao domingo, o que não custava muito num andar minúsculo de 2 assoalhadas.
Um quarto para os progenitores e uma sala que acumulava as funções de estar, jantar e à noite virava o meu quarto, com um sofá-cama forrado a bombazina verde-musgo, muito na moda, que abriu e fechou durante muitos anos, as vezes que foi preciso, no sono e na doença, cumprindo a sua função perfeitamente até ao fim do seu uso, que se deu com a mudança de casa e um quarto só para mim, mas só lá para a adolescência! 
Numa casa onde imperava a discórdia, destruição, gritos e violência ninguém se preocupava com educação ou compreensão, impunham-se regras para diluir a falta de respeito e iludir uma normalidade que nunca existiu. 
A obrigação de ajudar era uma forma de marcar autoridade por imposição maternal, quase como uma vingança e transferência de raiva, vinda de alguém que era tratada como gata borralheira e se queria sentir como a irrepreensível fada do lar, com poder no seu pequeno reino doméstico, já que a sua existência era todos os dias assombrada por discussões humilhantes e uma incompatibilidade visceral mantida à força, um amor doentio, obsessivo e destruidor, com resultados nefastos no futuro...para mim também! 
Os meus dias decorriam embuídos de uma inocência que de alguma forma me protegia do caos à minha volta e cujas memórias apenas mais tarde vieram a ser processadas, por uma cabeça que foi obrigada prematuramente a deixar de ser pueril. 
Nunca éramos desgraçados de quem alguém tivesse pena, não tínhamos onde nos queixar ou recolher, vínhamos ao mundo numa família que nos dava comida e nos punha na escola e só tínhamos que cumprir com o mínimo de obrigações, não fazer birras e se fosse caso disso levávamos dois tabefes que nos acertavam o passo, até à próxima choradeira típica de miúdos, por tudo ou por nada. 
A vizinha do prédio da frente batia na filha com colher de pau todos os dias, partia colheres a toda a hora no lombo da miúda e fartava-se de gritar com ela, eu como não levava tanto, encolhia-me como se as colheradas me estivessem a cair em cima do pêlo, como a dividir as dores em solidariedade para com a minha colega de escola que não esperava ver inteira no dia a seguir, mas lá aparecia ela sem ponta de queixa ou perda de peças, embora tivesse de certeza aquele rabo todo negro!  
Além da limpeza do pó e dos vidros, com vinagre e jornal amachucado que me deixava as mãos pretas mas os vidros imaculados também tinha a tarefa de ir despejar o balde do lixo, o que até gostava, visto que qualquer pretexto para andar com o cu na rua era bem vindo. 
Certa vez ao fim de um dia longo de verão lá fui despejar o lixo no contentor que ficava nem a 100 metros do meu prédio, era uma hora calma de fim de jantar, não se via vivalma e nem os pássaros se ouviam, derretidos na molenga dos ramos. 
Ao virar o balde para despejar aliviei demais as mãos e aquela porra escapuliu-se e foi parar ao fundo do contentor que ainda por cima estava vazio. 
Olhei incrédula para dentro daquele buraco mal cheiroso com paredes incrustadas de camadas de gordura e humidade fétida e não me dando por vencida nem ir a correr chamar a mãezinha que não era nada o meu género, investi em me desenrascar sozinha. 
Tentei esticar um braço ao máximo, depois os dois, depois aos saltinhos e depois de tanta tentativa infrutífera e a enxutar moscas com chapadas de raiva no ar, bichos da merda, que tinham tirado o fim do dia para me chatear e não tinham qualquer sentido de oportunidade ou condescendência com a minha difícil tarefa de salvar o balde do lixo de ficar no lixo, decidi empoleirar-me nas pegas laterais, qual mangusto chafurdeiro e com cuidado para não ir parar lá dentro e fazer companhia ao balde, empenhei-me no equilíbrio e de uma penada lá consegui alcançar o balde. 
Cheguei a casa como se nada fosse, calada que nem um rato, mas com os sovacos doridos e a tresandar a lixo. 
Não tive a pior infância do mundo, nem por lá perto, mas podia ter seguido caminhos piores e mesmo assim ainda bati em algumas portas erradas que me prontifiquei a fechar assim que desse com o erro e a retomar caminho que me parecia menos mau. 
Não tive muito tempo para brincar, a responsabilidade chamou-me logo a alinhar na vida muito cedo e agora olhando para trás, a minha sorte seria outra se me tivessem recolhido sem pena, qual cão de rua abandonado que amassem porque tinham para dar, sem se importarem com o meu curto mas já dolorido passado, traumas e medos e eu iria agradecer que para meu bem me dessem educação com um propósito e não o vazio imposto do "vais fazer porque sim, porque eu digo, posso e mando em ti!"
20
Fev20

Comentam mas não muito

Rita Pirolita
Se vocês soubessem ao tempo que ando a congeminar escrever sobre este tema, posso dizer quase desde a altura em que o blogue nasceu mas acabo sempre por desistir por não ter nada que pôr na tela deste écran, por ser um assunto tão vazio, fútil e até estúpido.
Vamos lá tentar...
Surpeende-me como se pode ter tanto para comentar sobre o que os treinadores, presidentes e jogadores dizem e fazem
As estratégias e táticassempre me disseram, são coisas diferentes mas também não quero agora trazer aqui aquilo que as distingue. 
As tricas dos túneis e balneários, as desavenças entre claques, a policia que não tem mãos a medir para tanta gente descontrolada e louca, por simples homens de calções e cortes de cabelo à rapper presidiário, a correr atrás de uma bola para no final ganhar, não aquele que joga melhor mas o que mete mais vezes a redondinha nas malhas. 

No fundo discutem o quê? As regras que são as mesmas desde que o futebol foi inventado? Que a bola é redonda e pula e avança nos pés de um Ronaldo ou Quaresma? 
falam dos clubes grandes mas fora do género, não posso deixar de mencionar o programa Liga dos Últimos, que foi o mais giro que vi até hoje, mostrou o futebol como uma paixão e não como um negócio de milhões!

Os participantes dos debates alternam entre obesos, bêbedos, cantores ou mitras de sobrancelha aparada à Ronaldo. 
Que tem isto a ver com desporto? 
Caramba, estão na televisão, estas imagens remetem para todos os lugares menos para o futebol! 
Seria como pôr o Vasco Granja a apresentar filmes para pedófilos ou o Manuel Serrão a falar de moda...aí desculpem, isso já ele faz...  
20
Fev20

Estagnados

Rita Pirolita

Somos fraternos e malvados sempre e apenas em proveito próprio, uns egoístas portanto!
Bebemos 3 litros de água como se os rins fossem uma central electrica em esforço constante, comemos de 3 em 3 horas como ruminantes, temos empregados para nos pouparem o corpo e depois suamos as estopinhas num ginásio entre respiração e transpiração de estranhos, andamos nus nos balneários entre pé de atleta, coisas descaidas, outras nem tanto, de silicone umas mais que outras!...
Andamos com roupa do chinês a brincar ao chique-brega e trocamos de telemóvel sempre que sai a ultimissima versão, somos desdentados montados em Mercedes! Consultamos terapeutas com problemas de vida como os nossos, com disponibilidade para vender tempo a peso de ouro!
Vamos para as redes sociais descarregar raiva ou alimentar peninha porque à nossa volta já ninguém nos atura, destruimos o anonimato do virtual ao gostarmos de versões humanas romanceadas a ponto de marcarmos encontro real, conhecemos pessoas iguais às que nos rodeiam e para as quais já não temos paciência, acabamos por nada descobrir de novo e voltamos às frustrações e desilusões antigas.
Assim num retorno constante de procura da mudança ilusória vamos mantendo a estabilidade e segurança da estagnação cíclica!

19
Fev20

Starbucks, McDonalds, ervanárias, talhos e hospitais

Rita Pirolita
Se eu que vivo no Canadá entrar num Starbucks em Portugal e disser às pessoas que lá estão enterradas nos sofás, agarradas ao seu Samsung última geração ou laptop da maçã que nas Américas do Norte este estabelecimento tem o café mais barato e não dá status frequentá-lo, só os sem-abrigo que já perderam o brio, amor-próprio e pouca riqueza que tinham, deambulam por lá à espera de alguma coisa quente, uma aguinha tingida?...Sou insultada de certeza! 
Leva-me a concluir que os portugueses são uns cagões ignorantes, que só por pagarem muito por um café que sabe a surrapa e bichos rastejantes chamuscados, sobem na hierarquia da socialite, mostram que estão na moda mesmo que na verdade o que saiba pela vida seja o expresso, bica ou cimbalino, mais barato lá na tasca do bairro, em chávenas ratadas mas escaldadas ou só quentinhas, como tanto se deseja, a ressacar logo pela manhã.
Já nem precisamos de dizer curto, longo ou normal, forte, fraco ou pingado, por inteiro, sem princípio ou sem fim, italiana ou metade de uma italiana (uma amiga minha costumava pedir esta bomba, resumida numas poucas gotas no fundo da chávena)...porque o Sr. António lá do sítio, além de tirar um café no ponto com amor, já nos conhece de ginjeira e assim que nos vê entrar agarra-se logo ao manipulo!
Quase nos viu nascer, viu os nossos queridos avós partirem e a dedicação e sofrimento da nossa mãe a tratar deles até ao último dia, além de que o Sr. António que também pode ser Zé ou Joaquim, serve Delta ou Sical, lote Platina, produto com tratamento nacional com certeza!
Os canadianos que podem e os que não podem, esfolam-se por poder, preferem ir ao Tim Hortons, porque pagam mais caro pela mesma merda que servem no Starbucks, não piam e ainda trazem donuts de graça, pensam eles, como se não os tivessem já pago na factura inflacionada. 
Mais pobre que isto?...Caganice na mesma mas com mais frio que nós!
Como os cagões são uns empertigados, se eu entrasse no Starbucks nestes preparos, chamavam logo dois ou três seguranças, porque não podem sujar as mãos nem perder a compostura e até lá defendiam o direito à liberdade de escolha, com sermões a tratar-me por você, para se disfarçarem de tios e tias de Cacilhas via Paio-Pires, Cavadas ou Arrentela, de extremada educação que nunca tiveram nem veio de berço!
Se eu entrar num McDonalds e começar a distribuir folhetos a retratar a forma como aquela comida é processada, a destruição e poluição que provoca a sua produção, o gasto astronómico dos recursos de água potável e por fim o alto nível calórico e o alto teor de viciação que os açúcares de má qualidade têm, incluindo as bebidas que estão na mesma linha para fazer pamdam com a comida...aí o cenário já vira cirqueiro!
Os frequentadores destes locais são jovens cabeçudos de chapéu à rapper, enfiado até às narinas e calças ao fundo do cu, conduzem um Clio todo artilhado ou um Seat preto mate, mais viciados em fumar pombos que no açucar mas alegam não ter dinheiro para comer melhor ou gajos de fato armados em ocupados que parece que trabalham na bolsa e apenas têm 10 minutos para comer mas a verdade é que vendem aspiradores porta-a-porta, além de que a desculpa que dá mais pontos, é que a dieta mediterrânea sai muito cara e é difícil na prática!...
Esta última sentença não virá da boca dos McDonaltistas mas já ouvi gente que parecia culta, afirmar isto. 
Minha gente, a dieta mediterrânea só sai cara se os nossos políticos continuarem a reduzir o nosso espaço marítimo e deixarem os espanhóis pescar a nossa sardinha para depois a venderem mais cara novamente a Portugal, se continuarmos a deixar os nuestros hermanos, invadir o Alqueva com oliveiras plantadas umas em cima das outras para rentabilizar o espaço e a água, acho muito bem e depois? Produção mais barata, para vender o azeite mais caro no estrangeiro, à custa da exploração desenfreada dos nossos recursos naturais? 
Se continuarmos a delapidar a produção nacional de cereais, frutas e legumes e depois importarmos tudo ou vendermos apenas para o estrangeiro o pouco que temos de melhor qualidade e andarmos a comer porcaria cheia de químicos, resultado da massificação de enormes produções estrangeiras...não vamos longe!
Além de que, embora pareça pobretanas e medida de último recurso, do tipo só por cima do vosso cadáver, podem sempre levar na marmita e virar vegetarianos, não vos faz mal nenhum, pelo contrário e não venham com a conversa de que não passam sem um bom bife, porque isso de carne, já pouco ou nada tem! 
Ora bem, do McDonalds já me arrisco a que não chamem a polícia mas que façam justiça pelas próprias mãos com os pés, chuto no cu e lá vou eu parar ao olho da rua, rumo ao próximo local de sensibilização... 
Imaginem eu entrar num talho a protestar contra a exposição de cadáveres e cheiro a sangue e que o consumo de carne devia ser reduzido, o de enchidos então nem se fala, os portugueses comem chouriços e presunto como os chineses comem arroz e se decidirem incluir a carne na dieta, pelo menos exijam maior qualidade e controlo e menos violência e descuido na sua produção...Como se isso fosse possível mas isto é para calar os que deviam visitar um matadouro, para pensarem duas vezes antes de meterem um naco de animal à boca! 
É melhor não o fazer, já sei, arrisco-me a sair dali debaixo de fogo de facas voadoras e gente carnívora que se me deitam a mão, chupam-me o sangue todinho em 3 segundos. 
Aviso já que o meu sangue é azul da parte do pai por ser do FCP e verde da parte da mãe por ser vegetariana, por isso terão a sensação de estar a chupar clorofila, como vampiros não vão gostar e vai-vos dar cabo do sistema nervoso e imunitário!
Ultimamente o que tem dado polémica é a lista de alimentos que não podem fazer parte do menu dos hospitais e estabelecimentos similares e da obrigatoriedade, que não está a ser cumprida, de incluir refeições vegetarianas nas escolas.
Embora duvide de todo do altruísmo e preocupação do Estado com a nossa saúde, acredito que nesta área e mais ainda na educação, o melhor exemplo de conduta deve ser dado, se não onde? 
Todos continuam a ser livres de comer o que quiserem e de certeza que não passarão a ter vontade de comprar tabaco na ervanária ou carne na peixaria. 
Quando a maioria já não tem arcaboiço para entender e sentir a liberdade dentro de si, repudiam-se quase todas as sugestões como atentados à livre escolha, julga-se tudo como uma proibição e assim se subvertem as prioridades de uma nação.
Se gostam mais da previsível segurança do admoestador condicionamento, como podem lutar com verdade e convicção pelo que desconhecem e talvez por receio não desejem assim tanto?!

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