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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Contos e Descontos

30
Jan20

Freek-chique

Rita Pirolita
O que quero eu dizer com isto?

 

Gosto do espirito I don't give a shit dos freeks mas como não sou fundamentalista não sigo tudo à risca, é como ser vegan e uma vez por ano comer um pedaço de presunto, não tem espinha, é seco que nem um carapau, o suficiente para não haver sangue no prato, o sal é tanto que disfarça o sabor a barrasco e deve-se comer fino, que disfarça a textura esponjosa e nojenta da comum das carnes.

 

Vamos lá falar dos freeks, que eu não vim aqui para dar lições de culinária gourmet mediterrânica, como lhe chamam agora. 

Podemos no entanto dizer que tenho uma alma livre gourmet e chique. Passo a explicar. 

O comum dos pertencentes a este grupo apresenta sinais de alguma tendência de direita ou monárquica, tem casa na costa Alentejana ou nas belas vinhas de Trás-os-Montes, tem uma carrinha vintage da VW que custou os olhos da cara e a mim me custaria o cu também, porque tinha que o pôr a render, às vezes têm um dreadlock a despontar da cabeleira mas nada de exagerado, para não se confundir com um rastafari, usa roupa cara, mais uma vez para não se confundir com gente pobre e mal lavada, tem cães de marca que custaram um balúrdio e passam a vida no veterinário. Por último e nisto são todos iguais, fumam muita ganza, ora é aqui que eu me destaco e na riqueza também, confesso. Sou uma freek-chique pelintra!...  

 

Não sou de direita nem de esquerda, a não ser que isso me garanta uma casa na praia, não fumo, nem muito nem pouco, gosto de rafeiros e com muita adrenalina estou sempre a desafiar a liberdade que este mundo me deixa ter. 
30
Jan20

País de pobres

Rita Pirolita
Filhos de pobres que habitam um país pobre!

Somos assim, vindos de gerações pobres que trabalhavam a terra e pagavam ao médico da aldeia filho de famílias ricas com porcos ou galinhas.
Tinha-se uma ligação aos filhos que não morriam ao nascer, de lucro e não de despesa, dois braços por cada boca.

Passamos a filhos que não trabalham mas comem à custa dos pais, fruto da ânsia de classes baixas, que se esfolaram para ascender, que se envergonham da dureza e pobreza da terra humilde, fazendo do curso de universidade dos filhos o baluarte da sua conquista mas esqueceram-se que doutores e engenheiros encabeçam uma empresa ou indústria mas não a movem sozinha, os patrões serão sempre em menor número. 

Estes pais, no seu egoísmo de novo rico, esqueceram-se que as elites continuam a dominar as profissões nobres e rentáveis, onde pouco se faz e muito se ganha na gestão do império, que os patos bravos tentaram atingir a muito custo, numa desesperada afirmação pela qualidade e acesso às mesmas oportunidades, quando apenas queriam parecer mais nobres e ricos.

A resposta à humilhação de ser pobre é usar a cunha, a corrupção e pontapear outros para que não impeçam o caminho da subida. 

Mas será sempre uma questão de riqueza? 
Os pobres não podiam pagar escola aos filhos, agora que podem dar cursos superiores, os filhos não têm emprego, apenas as elites se continuam a mover à vontade e a explorar, não só os mais pobres mas ainda por cima e mais humilhante, os pobres com cursos, o ensino superior não lhes permitiu mesmo assim, usar as ferramentas para combater a desigualdade sempre assente no poder. 

A ascensão social faz-se por casamento ou profissões pornograficamente bem pagas, como jogadores da bola, idolatrados por darem pontapés na bola ou por influentes cargos políticos, sempre nos meandros da corrupção mas nunca condenados.

Só nos países pobres se deixam passar os grandes desfalques e se rouba uma maçã, ou foge aos impostos, pensando que grão a grão enche a galinha o papo!

Era tão bom que a riqueza não se bastasse a ela própria e não fosse tão adorada e cobiçada! 
Mas a riqueza sabe que cala e compra o conhecimento e este será sempre escravizado em nome da hipocrisia!
28
Jan20

Feios e meigos

Rita Pirolita
Tentam convencer as mulheres que por mais pequeno que seja, bem trabalhado proporcionará sempre prazer, que com conversa tudo se resolve e chega lá, pode é envolver mais mão-de-obra e demorar um pouco mais, que os preliminares são condição sine qua non para ter excitação garantida quanto mais um orgasmo, que o clítoris existe e todas gostam que seja estimulado à exaustão, que o ponto G não é a inicial da Gronelândia, que a maioria não sabe onde fica ou pensam que é um reino enregelado da DisneyWorld.
Não sei quem inventa tanto mas se todas somos diferentes nada disto pode ser a regra e as mulheres devem fazer ver que muito menos em matéria de sexo e prazer, não podem ser reduzidas a estatísticas e formatações.  
Faz falta ouvir mulheres reais dizerem que o tamanho para algumas importa, que não se resignam aos feios embora  trabalhadores e meigos, ou que pelo contrário serão o macho ideal por não serem tão solicitados e por isso menos susceptíveis de trair, que também não se queixem da infidelidade dos bonzões, já deviam saber melhor da cobiça e cabrice que anda à solta no mercado.
Que conhecer uma única queca na vida e ficar com o grande amor da adolescência para o resto da vida é careta e não mostra mundo, a não ser que vivam nas redondezas da Lagoa Azul. Que nem sempre estamos à procura de relações estáveis e para a vida, tipo conto de fada, quando a coisa acontecer logo damos conta do recado, com casório, divórcio e filhos tardios, ou não.  
Que podemos descontrair e ficar para tias mas com um passado recheado, para contar aos sobrinhos e mostrar o lado melhor da vida, aquele em que se faz o que nos deixam e muito mais que possamos inventar.
28
Jan20

Aberrações humanas

Rita Pirolita


As marchas de Orgulho Gay que no mês de Junho, quase por todo o mundo civilizado saem à rua, mostram gente nua e colorida a dançar, beijar-se e apalpar-se...
Ninguém é parvo, não precisamos que nos metam pelos olhos dentro, a imagem que todas as pessoas são diferentes e que a luta pelos mesmos direitos não são só de género são também de raça, religião, deficiência, crianças, velhos... 
Todos os que têm um interesse comum a defender se agrupam, os políticos para roubar, os ricos para roubar, a igreja para roubar e todos os demais que não roubam mas  também reivindicam tanta coisa que às vezes não sabem bem o quê. 
O tema está na ordem do dia mas mal debatido e esgotado de tantos clichés. No fundo andamos todos a lutar pela liberdade e direito à diferença, mas as manifestações destes grupos, têm-se mostrado exibicionistas, vazias de conteúdo, intenção e conhecimento por parte dos participantes, carecendo de vozes representativas sólidas que possam ser levadas a sério, correndo o risco de cair numa brincadeira de crianças e não combater verdadeiramente e com inteligência que cale e tire a razão do ódio aos homofóbicos. 
Imaginem se as pessoas que têm pancada por pés fossem para o meio da rua fazer uma manifestação pelos direitos e liberdade de haver pés limpos ou sujos, arranjados ou não, em quantidades razoáveis ou mesmo defender o controlo de qualidade em catálogos de pés?
Na escola sempre fui posta de parte por ser gira e tirar boas notas. Quanto à beleza só as que se consideram feias morrem de inveja, quanto à sabedoria ou inteligência, poderia dizer que não era tão burra como os outros.
Não morri por trauma ou bullying, fui sim bafejada com a sorte de não mexer nem uma palha para a selecção natural de pessoas com quem seria penoso conviver. 
E agora?...Vou para o meio da rua com cartazes, celebrar o facto de não gostar de pessoas por ter sido alvo da sua inveja discriminatória??? 
Não preciso, todos os dias celebro a minha liberdade de acção e expressão, não convivendo com a maioria das pessoas que a podem tirar.
Se formos a ver bem, cada um de nós é um lobby em nome individual mas com muita vergonha de o assumir, por isso muitos se tentam encaixar num grupo, onde acabam por diluir a diferença e desaparecer como indivíduos, tornando-se numa amalgama pouco interessante, que por vezes gera  sentimentos controversos e nada consensuais na sociedade.

Trata-se acima de tudo de conquistar o direito e liberdade de expressão e assunção do amor. O amor verdadeiro nunca estará em causa na cabeça de pessoas loucamente saudáveis, que se apaixonam sempre primeiro por pessoas.

O género não deve ser vendido como uma amalgama confusa, é uma condição para a igualdade de tratamento e distinção de mundos complementares.

Somos todos únicas e diferentes...aberrações humanas.

 

28
Jan20

Cocho - colher de cortiça para beber água

Rita Pirolita
O que é tipicamente português?
Mesmo que estejamos nas Galápagos e passe uma tartaruga a nadar ao pôr a venta de fora vê logo, ora ali está um fumador de SG Ventil, boa companhia para beber jolas e ver uma partida de futebol no sofá, a tirar macacos do nariz e a ajeitar os tomates durante 95 minutos de tensão desportiva.
O tipo de respostas a esta questão são inesgotáveis, podem ser pessoais ou generalizadas mas estarão sempre ligadas a uma imagem de foleirada e brejeirice...e disse!
Os fervorosos adeptos de futebol sofrem de amor incondicional ao seu clube que amam mais que mulher e filhos, passam o tempo na tasca lá do bairro, então desempregados ou reformados, falam encostados ao balcão enquanto comem tremoços em beijos chupados, deitam abaixo a mini, copo de três, traçado, imperial ou lambreta, com o dedo mindinho esticado para exibir a unhaca da cera, a outra mão enfiada na algibeira chocalha o molho de chaves, acompanhada de um abanar de perna que mais parece ansiedade para o tiro de partida, a ver quem chega mais tarde a casa e faz mais curvas pelo caminho.
Camisa sempre aberta com fio de ouro repleto de penduricalhos, crucifixo, figa e corno, foi daqui que a Pandora tirou a ideia para vender caríssimo, pechisbeque de qualidade achinesada duvidosa.
As esposas destes senhores estão em casa, gordurosas e  gorduchas a fazer crochet, à janela a coscuvilhar e a competir com as vizinhas nas doenças inventadas, a acreditar nas noticias da TV ou a chorar com o último episódio da novela e a gritar para a desgraçada que vai levar um balázio - 'Foge, chama a polícia ou dá-lhe com um tacho na cabeça, que essa mula falsa que está atrás de ti é amante do teu marido!'
Os filhos destas senhoras mantêm o gosto ferrenho pelo clube e sede pela cerveja, trazem CDs ou esqueletos pendurados no retrovisor do carro, os pais põem um cocho e na parte de trás uma sevilhana de renda para pôr o rolo de papel higiénico ou um cão pelo de pêssego de olhar vidrado a abanar a cabeça, deitado em manta de crochet. 
As filhas destas senhoras são divas suburbanas de salto de agulha e calça justa que trabalham na Berska, num call center ou têm um cantinho de unhas. 
Estas famílias ainda conservam o guarda sol dos anos 70 com manchas de ferrugem, rebordo de franjinhas branco amarelecido e padrão de florões LSD peace and love.
O que não é tipicamente português mas muito kitsch, são as Nossas Senhoras de Fátima fluorescentes, galos de Barcelos que mudam de côr conforme o tempo e o Gato da Sorte de pata levantada, que por acaso tem algumas semelhanças com o 'Toma' do Povinho, de bigodes e tudo!   
 
28
Jan20

WC da tia-avó

Rita Pirolita

Em época de frio intenso por altura do Natal fomos visitar uma tia-avó e ficamos por lá os dias suficientes para conhecer os cantos à casa, um deles era a casa de banho.
Este compartimento era destacado da casa, por isso sempre que a vontade apertava lá tínhamos que atravessar o ártico e não o átrio, chegávamos a uma casota escura com dois buracos abertos em moldura de madeira, era ali mesmo que nos sentávamos para arrear o calhau, o problema é que não tinham pensado nos rabos pequenos das crianças, por isso lá ficava eu empoleirada, a segurar o corpo em braços para não ir parar lá abaixo, nem me sobravam mãos para segurar uma revista, quanto mais cuspir no dedo para mudar de página.
A única vantagem deste WC pré-histórico, era a temperatura que apenas se igualava à da cozinha, graças ao enorme forno a lenha e que em dias frios dava um jeitaço, este ambiente tépido devia-se aos animais que dormiam por baixo em camas de palha e que podíamos cumprimentar pelos buracos onde enfiávamos as nádegas. Imaginem a visão destes pobres coitados ao olharem para cima!

28
Jan20

Burros e ovelhas

Rita Pirolita
Muitos na ânsia de mostrar bondade tornam-se agressivos!
Na ânsia da compaixão mostram raiva, pensam combater injustiça com vingança, serão assim tão altruístas ao ajudar a manter a pobreza de ideias?
Ao ler os comentários sobre uma notícia de um menino que tinha sido posto de parte no colégio por ter Síndrome de Asperger, chegou mesmo a ser expulso da turma a pedido de muitos pais, por a sua condição estar a prejudicar o ritmo de ensino dos restantes alunos, veio-me isto à cabeça!
E aqueles que viveram num tempo onde estas diferenças não tinham ainda sido catalogadas e se esperavam resultados medianos para passar, as negativas eram selectivas e as excelentes notas eram discriminatórios.
Quem era usado como bom exemplo pelos professores cá fora era trucidado por malvadez.
Quem se esforça por ser melhor ou o é naturalmente, é uma ameaça e eleva a demanda de objectivos. 
Uns atrasam e outros apressam, será que os poucos restantes devem tentar acompanhar o ritmo da maioria ou devem ser ainda mais isolados para estimular ou rentabilizar o rendimento?
Os ostracizados não serão todos os que são diferentes mas não querem impor essa diferença a ninguém, apenas querem ter a liberdade de viver e explorar porque não se sentem diferentes, os outros é que os vêm assim? 
O ensino é uma tentativa de chamar a todos burros e empenhado em criar ovelhas desde sempre.
27
Jan20

Alberto da conquilha

Rita Pirolita

Alberto Cavaco tinha vida de arrastanito da conquilha, licença em dia, três mulheres, duas de papel e a mais recente com menos de metade da sua idade!
Filhos que não se lembrava, já criados, só a última de 4 anos ainda a mamar, tinha foto na carteira.
Agradado e agraciado por mulherio, em segundo casamento engravidou a filha da mulher, à espera de casa da Câmara, secava peixe no terraço de sua mãe velhinha, onde vivia num acrescento de lusalite!
Na banca do mercado deixada pelo pai, entre muxama e polvo seco, dava saquinhos de flor de sal, a conquilha em baldes escondida noutra ponta do mercado era vendida à sucapa mais quilos que o que podia!
Herdada curiosidade de cozinha, era crente mais de fé que de escuteiro, quando bebia lia cartas da bisca aos estrangeiros, vivia em graça entre família, o seu Sporting e vinho branco!

27
Jan20

Estagnados

Rita Pirolita

Somos fraternos e malvados sempre e apenas em proveito próprio, uns egoístas portanto!
Bebemos 3 litros de água como se os rins fossem uma central electrica em esforço constante, comemos de 3 em 3 horas como ruminantes, temos empregados para nos pouparem o corpo e depois suamos as estopinhas num ginásio entre respiração e transpiração de estranhos, andamos nus nos balneários entre pé de atleta, coisas descaidas, outras nem tanto, de silicone umas mais que outras!...
Andamos com roupa do chinês a brincar ao chique-brega e trocamos de telemóvel sempre que sai a ultimissima versão, somos desdentados montados em Mercedes! Consultamos terapeutas com problemas de vida como os nossos, com disponibilidade para vender tempo a peso de ouro!
Vamos para as redes sociais descarregar raiva ou alimentar peninha porque à nossa volta já ninguém nos atura, destruimos o anonimato do virtual ao gostarmos de versões humanas romanceadas a ponto de marcarmos encontro real, conhecemos pessoas iguais às que nos rodeiam e para as quais já não temos paciência, acabamos por nada descobrir de novo e voltamos às frustrações e desilusões antigas.
Assim num retorno constante de procura da mudança ilusória vamos mantendo a estabilidade e segurança da estagnação cíclica!

27
Jan20

Leonete sem fim

Rita Pirolita

Numa terra em que mais pedras haviam que lugarejo, Leonete olhava para horizonte cortado por montinhos tímidos mas que mesmo assim a impediam de ver o mar mesmo ali tão perto, naquela curva de esquina da terra os montes da sua aldeia pedregosa eram ilusões empapadas do além, estavam ali que nem eunucos de voz fina gritante, guardiões palermas do que para lá havia...havia aquilo que Leonete desconfiava, sendo a terra redonda o universo unia-se não se sabe bem onde, apesar dos olhos serem ferozes na curiosidade eram por demais incompletos e enganadores de propósito para que a alma ganhasse sonho, então terra convexa, universo côncavo para a abraçar e cativar no seu regaço.
Leonete já não muito nova mas ainda jovem movia-se de bochecha rechonchuda de querubim e roçar de coxas em meia de vidro, atarracada e entumescida sonhava ser astrónoma para lá daqueles montes, subiu então um dia à barragem para ajudar na decisão de percurso académico, já não chovia fazia meses, em terra empedrada só os calhaus mudavam de cor com a cacimba, ervas inóspitas cresciam recolhidas do vento, a barragem ia muito baixa, adivinhavam-se racionamentos de água para gente e animais, mesmo assim a paisagem era lunática como a vontade de Leonete que tanto se esticou para ver o mar que resvalou pela encosta até à água distante, tão lá em baixo, ficou estatelada de barriga ao relento virada para o lado que lhe deu mais jeito cair, quase a tocar a água com o corpo cheio de carrapetos de erva picosa e a cara repleta de pedrinhas pontiagudas, parecia um lombo de carne espetado de cravinho, alfinetes de cabeça gorda, ficou ali com o calor tépido a bater na cara e adormeceu de cansaço ao tentar vislumbrar o limite do céu, ficou inativa de corpo com os dedos da mão direita a tocar a água, durante uma noite e três dias ninguém a desconfiou ali, assumiram os vizinhos que tinha partido em estudos pela natureza!
Ao quarto dia e duas noites sem dormir a chuva assumou as margens e a água subiu, o corpo de Leonete flutuou como nunca, uma pena gorda, teve ela tempo de reflectir em meditação aquosa sobre o horizonte infinito com o seu cérebro finito e tão limitado que concebia apenas um ciclo fechado de cobra de boca no rabo, nunca um além em linha para lá de tudo e todos.
Decidiu logo ali que o enigma do universo estava resolvido na sua cabeça, deixou-se levar pela água barrenta até que foi recolhida pelo cajado do pastor eremita da aldeia seguinte, apaixonou-se ele por aquele corpo de bolota e ela pelas rugas de pó, viveram no limite do horizonte e Leonete levava almoço ao seu amado para lá de todos os montes, a salvo da finitude!

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