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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Contos e Descontos

20
Ago19

Ninguém

Rita Pirolita

Ninguém tem menos paciência comigo, senão eu

Ninguém se ri mais de mim, senão eu
Ninguém me quer fazer desaparecer mais, senão eu
Ninguém quer dar mais chapada em mim, senão eu
Ninguém se está a cagar mais para mim, senão eu
Ninguém gosta mais de mim, senão eu...

16
Ago19

Marisco

Rita Pirolita

Adivinham há quanto tempo não vou a um casamento, se vos disser que no último tinham de entrada a famosa sopa vomitada com cuspe a boiar, cascatas de camarão e empregados de mesa desdentados?...
A abundância de camarão é de gente pobre que tira a barriga de miséria nestes dias!

Acho de uma brejeirice atroz babar por marisco!

15
Ago19

Toda a vida não fui romântica

Rita Pirolita
 

Somos seres fúteis de ciclos e modas.
 
Agora toda a gente fica famosa por dar palpites e escrever verdadeiros manuais de instruções sobre comida, sexo, amor e amizade.

Já passei dos 40 e nunca fui ver o Tony Carreira montada em bota bicuda branca de cano alto, camisola de lantejoulas, unha de gel e brincos à Ana Malhoa. Ainda estou muito a tempo!

Os românticos passam dias em preliminares a adiar a ejaculação do envolvimento.
Que chatice! E quem não é romântico? Existe manual de sobrevivência? Eu tenho de certeza um cérebro hermafrodita!

Os homens desfasem-se em manobras de jantares, flores e chocolates porque quase todas as gajas gostam, as que não estão para aí viradas ficam no limbo, rotuladas de esgrouviadas e condenadas a relações curtas e pouco sérias.

Não somos só nós, os homens às vezes também não sabem o que querem, a pieguice feminina de que tanto se queixam desvia a atenção do seu lado sensível e assim se convencem estar imunes ao sofrimento por amor.  
É muito mais fácil suspirar pelo que não existe ou que pertence a um passado irrecuperável e romanceado.
Amar é uma ginástica saltitante entre entrega do ouro e defesa do reino, mas em situação alguma deixes alguém ser maior que a tua própria vida.

Um dia uma criança apenas disse que 'amar é o dobro', seja lá isso o que for é simples e agrada-me. 
O amor se não for justo transforma-se na tal coisa poética que escraviza, manipula e vampiriza energia.

Amor e razão vêm do mesmo sítio, algures entre as virilhas e o couro cabeludo.
 
Não tenho jeito nenhum para escrever sobre estas merdas, perdoem-me os amantes das balelas amorosas.
 
15
Ago19

Revelação

Rita Pirolita

O amigo guru revelou-se falso como Judas?

Vejamos sem recorrer à Bíblia:
Onde conhecemos melhor as pessoas, além da suposta intimidade de um casamento ou apenas ajuntamento de trapinhos?

Nos piores momentos e nas férias, é sobre as últimas que me vou debruçar, sem não antes constatar que entre casais é onde surge cada vez mais mentira e engano, por isso a maioria das ligações são uma batata.

No pior da nossa vida, somos únicos a sentir e na dor estamos mais sós que ratos, ninguém nos chega ou pode amparar como idealizamos, somos todos psicólogos falhados ou em início de carreira, incluindo os psicólogos que também são gente e cometem os mesmos erros ou às vezes com conhecimento ainda fazem pior mas nas férias, quem é que vai disfarçar que está bem e desperdiçar o pouco tempo que tem de lazer?
Eu já vi em sessões de campismo selvagem, no tempo em que ainda se podia fazer, rapazes na posse de secadores, não raro é ver pessoas que levam a casa atrás nas férias, ainda pior, os problemas mas uma das coisas de que felizmente ou infelizmente não se podem deslindar é do seu feitio, que mais tarde ou mais cedo vem à tona, como aquela nhenha nos lagares, que fermenta e cheira mal, digo eu que são os peidos da uva, aqui serão os peidos da alma que se liberta, soltinha em férias!
Ora vejamos, este amigo do moço, note-se que eu não tenho amigos de momento, não fiz novos e não quero reatar com os antigos, as minhas interações resumem-se muito satisfatoriamente para a minha pessoa, a conversas esporádicas numa loja que frequente ou amigos do moço, que não sejam da minha responsabilidade se não prestarem ou mesmo se forem bons, que eu possa criticar ou dizer bem, sem ter que me preocupar em defender alguém ou chatear-me por traição de amizade, sou também avessa a associações, jantares seja do que for, de escola, da universidade, do antigo bairro, gosto de ir jantar fora quando me apetece e com quem me apetece, detesto grupos, grupinhos e grupetas, agrada-me por isso e muito não ter o peso e compromisso dos amigos, os do moço não são meus e por isso é perfeito, não temos ninguém em comum que partilhe memórias menos boas de figuras tristes que fizemos, de relações amorosas anteriores, de conflitos, enfim contamos um ao outro o que acharmos por bem revelar da nossa vida passada, todos temos direito aos nossos segredos e se eu gosto de os ter também reconheço e fico contente que outros os tenham, além de que saber tudo sobre a vida de alguém é um compromisso, um peso e uma trabalheira enormes que não gostaria de ter!
Posto isto este amiguinho do moço sempre mostrou ser um gajo muito cool, descontraído e pouco ligado a coisas materiais e relações sufocantes, parti assim com perspectivas de boa energia e interesses em comum mas a coisa não se deu, quando este senhor começou a parar nas bermas de 10 em 10 minutos para olhar para o GPS no telemóvel, quando começou a acertar em locais pouco simpáticos e nos melhores decidia ficar por apenas 10 minutos, comecei a verificar que esta pessoa de tão planeadas as coisas perdeu o contacto com a sua própria intuição e quando não tinha rede ficava à nora, quando para mim era um descanso andar perdida, sempre se descobrem sítios novos e muitos deles merecem uma segunda visita de tão bons!
Acabei por achar que não era saudável para ninguém continuarmos juntos, já que a pessoa se revelou o oposto do que quer parecer, às vezes podia ter uns pequenos toques de variação mas não!

Continuando eu a ser o que mostro, achei que o amigo do moço devia ir à vida dele e não andar acabrunhado a disfarçar estilo de vida de guru com elevação espiritual ao nível do chão.
Separados os rios eu e o moço seguimos para litoral, passamos a parar nas feiras e festas tradicionais, embora não aprecie ajuntamentos, gosto do ambiente medieval que ainda mantemos em milhentas actividades.

Soubemos depois que o amigo lá continuou a sua cruzada de locais isolados para parecer radical, daqueles que se lhes falta a rede no telemóvel ficam sem vida e perdem o norte!
O moço teve alguma dificuldade em engolir a desilusão com o amigo de longa data mas lá reconheceu, esqueceu e não se consumiu mais com tal dilema. Ninguém chegou ao ponto de se chatear, fomos todos sensatos.
Pessoinhas, sejam ao menos coerentes com as vossas vontades, não façam teatro, é que a qualquer momento podem cair do palco e só a vós faz mossa a queda e o engano!

15
Ago19

SAGRES ou Tuborg

Rita Pirolita

Se me derem a escolher, gosto mais de SAGRES mas a melhor é Tuborg, não gosto do cheiro das beatas em cinzeiros de esplanada mas não me importo com o cheiro do chamon dos meus amigos, não vou à praia aos fins-de-semana nem gosto de marisqueiras ao domingo, algazarra e cheiro a con@ mal lavada, gente a fumar à porta a encher de filtros os intervalos da calçada, cheiro de cacilheiro, algas fedorentas, gaivotas nojentas e tainhas merdosas, álcool entranhado em balcões e chão, moscas moles, gente gorda e vermelha a estoirar de gula. Gosto das sensações antecipadas, confunde-me estar embrenhada no cenário, não me deixa pensar o sentir, a nostalgia fica nas recordações com a certeza que nenhum momento se repete à letra!

13
Ago19

Susceptibilidades

Rita Pirolita
É uma longa palavra, difícil de dizer e não soa muito bem mas também não soa tão mal como uma asneira, é possivelmente o que mais haters cria por esse mundo fora, que os famosos tanto fingem adorar, só porque não conseguem combater a sua proliferação. Os haters são normalmente indelicados, pouco cultos, iliteratos, malcriados, pessimistas, frustrados e escrevem mal para caraças, não sei se é pela rapidez furiosa que imprimem às suas respostas nas redes sociais mas deduzo que a maioria seja mesmo por burrice. 
Parece que vivemos no tempo do 'penso pouco mas logo digo mal'.

Digo já que não sou famosa nem faço de conta que gosto que me odeiem, gosto sim de gente que desafie a minha curiosidade e inteligência no debate das suas opiniões.

Hoje em dia, quem quer parecer radical combate o ultrapassado e fora de moda 'politicamente correcto', sendo mentiroso e armando-se em filantropo nos gestos e ecuménico na aceitação. Não vejo mal nenhum em não gostar de grupos ou pessoas, é o mesmo que não gostar de uma cor ou comida, se não se gosta não é preciso bater mais no ceguinho e o que não se come não é preciso deitar fora, pode haver quem queira e não é preciso matar de ódio com palavras. 

Eu por exemplo não reconheço elegância ao ver lésbicas camionistas mas têm todo o direito à existência e isso felizmente não depende do meu aval e com toda a certeza preferia estar no meio delas que rodeada dum bando de machistas.
Sempre existirão negros e gays tal como pretos e paneleiros, depende do ponto de vista. 

Já vi muitos serem trucidados por fazerem bom uso do humor negro e serem mais mordazes, como o Rui Sinel de Cordes ou Rui Sino das Cordas, como me dá mais jeito chamar, apesar de ser um beto do caraças, fala de atrasados mentais ou pessoas com trissomia 21, de lésbicas ou fufas, lá está tudo depende da capacidade de encaixe da terminologia. Quando as mães de crianças com trissomia 21 se atiram ao ar com as piadas sobre atrasados mentais, vêm sempre com o argumento que os filhos foram um milagre nas suas vidas, que as fez relativizar tudo e aprenderam muito sobre tolerância, aceitação e amor incondicional...Eu acredito nisto tudo mas porra, todos os filhos não provocam isto? Não me venham com tretas para acreditarmos que não preferiam ter um filho sem tantas dificuldades de relacionamento e aprendizagem, que fosse mais independente e que não aumentasse a angústia de não saber quem irá tratar dele quando vocês já não estiverem cá? Até podemos viver noutra dimensão mas a realidade fode a cabeça a uma pessoa, principalmente a quem goste de ter pequenos seres dependentes de si até ao fim da vida, para preencher o enorme vazio emocional de que se sofre. Somos todos parecidos mas os critérios são muito diferentes, como um puto rico que cria necessidades em cima do muito que já tem, enquanto um pobretanas sonha para lá do pouco ou nada que tem. 
As necessidades paralelas criam-se, as verdadeiras estão lá sempre! 

A Júlia Pinheiro disse uma vez em entrevista que somos aquilo que podemos e nos deixam ser, em resposta ao Rui Unas, que com pezinhos de lã, quis saber o que achava a mãe da homossexualidade recentemente assumida pelo filho. 
Tal como o Guilherme Duarte é filho da insalubre Buraca dos gangs, o Rui Unas é uma boa representação do beto, chique brega da Margem Sul forever, que ainda insiste em vestir Mike Davis e Diesel, eu sou de lá, sei do que falo e até critico com orgulho mas sem deixar de rir. 
A classe média destas bandas, composta por gente pobre, com fortes raízes no campo, veio à procura de uma vida melhor num sítio que era mais barato para viver que Lisboa. A capital do colarinho e dos capitães, em oposição aos operários de fato-macaco azulão, camaradas, ciganos, comunistas, retornados que tratavam todos por 'tu', soldados rasos e marinheiros do Alfeite com correspondentes putas. 

Não se pode amar ou odiar para sempre tudo ou nada. 
As vezes que cai bem, rimos e elogiamos, as que cai mal, choramos ou esconjuramos. 
Eu por acaso agora, ando numa fase de Môce dum Cabréste, gosto do puto sei lá! Já o Nuno Markl assume o seu desconforto em ser odiado por anónimos e confrontado com criticas bota-abaixo, é uma criança grande e gorducha, ávida de aceitação, que quer brincar no seu mundo sem nunca estar de castigo. 

Mediante isto, pensam vocês e bem e tu ó minha marmanja asneirenta e desbocada, sem perfil, sem nome próprio, sem idade ou terra, sem foto pessoal ou gostos musicais ou outros?
Eu como já disse, não tenho paciência para haters e esta desinformação de que me faço acompanhar funciona como escudo protector contra invejas e mau-olhado e por pobreza de não ter dinheiro suficiente para pagar a um bom advogado que me livre de acusações de difamação e devassa. É sempre tempo perdido resolver o estado do humor na barra de um tribunal a toque de lesma. 

A maioria anda sensível às palavras, a quase tudo se reage mal, discutem-se mais conceitos e semântica que actos, todos são políticos de trazer por casa.
Não precisam ser tão geniais mas façam como o António Variações, cantem para espantar os males. 

Se um dia for entrevistada, só aceito via telefone e se lançar um livro, nem apareço a dar o corpo às balas gratuítas, farei um diálogo em directo com os meus admiradores ou odiadores, via Skype num café de bairro popularucho, com a imagem projectada da poderosa Wonder Women.

De qualquer maneira vou deixar informação suficiente para baralhar mais.
Digo o que penso, sou poderosa sem poderes especiais.
Não sou nada de deitar fora nem a última Coca-Cola do deserto, de saltos fico com 1,80m, que raramente uso, sou espadauda, nunca precisei de silicone em nenhum milímetro do meu corpinho, tenho tatuagens e piercings, pareço mais nova do que realmente sou, porque não fui mãe e graças a uma herança genética fabulosa. 
Quem me vê pela primeira vez arrisca sempre...argentina, francesa, italiana, russa, holandesa???  Portuguesa? És alta demais e pouco morena! 

Mais digo e em jeito de conclusão para terminar a lenga-lenga, só me dou a conhecer a quem merece o melhor de mim, que não é muito mas é bonzito!
 
11
Ago19

Da Mealhada a Lisboa

Rita Pirolita

Um dia foram de carro da Mealhada a Lisboa, com um reco bebé vivo em saco de serapilheira aos pés, para levar fresco para casa, o sabor do famoso leitão!
Viagem de guinchos e esperneio de quem nasceu num sítio e sabia que ia morrer noutro!

11
Ago19

Crédito em mim

Rita Pirolita

Se eu acreditar em Deus, não acredito muito em mim mas quanto mais acreditar em mim menos acredito em Deus, portanto Deus só existe no fraco crédito em mim!

Para mim é crédito em algo exterior que demite da responsabilidade de assumir plena liberdade de escolha. Deus nunca poderá ser universal ou particular, só existe na nossa imperfeição cerebral de não conseguirmos pensar o infinito! Deus que fosse Deus só poderia existir sem saber.

A fé num Deus criado pelo homem, será sempre uma muleta de sofrimento e flagelação para quem o castigo é a perdição da liberdade, o mito foi a primeira explicação endeusada da natureza que não tem personificação, basta existir, só temos que nos debruçar sobre sermos parte do Universo

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