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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Contos e Descontos

31
Mai19

Tão simples

Rita Pirolita

Ao avô custou-lhe a morrer, agarrado à mão de uma das filhas, de olho esbugalhado para cada presente que lhe rodeava a cama de moribundo, obitado em meia-hora que estaria, mesmo assim a pedir com esgar de raiva, troca de lugar, que a morte levasse qualquer filha ou neto ou mesmo todos naquele quarto, em troca de um dia de vida seu que fosse.
Não era boa pessoa, não soube morrer, aos meus 15 anos fiquei com má imagem da morte dos velhos, sim dos velhos apenas, nessas alturas não pensamos em mortes de bebés ou adolescentes como nós ou mesmo dos nossos adultos pais, nem velhos nem novos, embora tivesse já ido a um funeral aos meus 12 anos de um colega de turma, que andava nos terraços dos prédios, armado em herói sem capa, numa passada mal calculada caiu de 7 andares, foi a enterrar de caixão meio tapado por estar ele meio desfeito!
Pois este avô velhaco e ronceiro que vi abandonar os viventes, deixou-me sabor de adeus em agonia, não queria ele a justiça imperiosa da vida a apagar, não tendo morrido muito velho, também não morreu nada jovem, foi-se na idade normal de um avô normal, bem tratado e mimado que queria, podia e pensava que mandava, daqueles que ninguém deseja a morte mas quando morreu ninguém o saudosou.
Não serão os velhos que não pensam nessas coisas, mais simpáticos? Sem medo que não demonstram, consomem a vida em doses certas porque a morte vai ser a cicuta dos segundos, dão sorriso ainda que triste aos jovens que lhes sobrevivem, em gestos diários parecem estar num constante adeus de quadro Jeová, em harmonia com gente ou até mesmo rodeados de leões que não se atrevem a trincar um dedo que seja!
Caramba, assim até apetece não ter receio de partir, que venha tarde, sem sobressalto ou sofrimento, o que se pede sempre, ou que seja rápida em sono profundo, sem tempo de fazer chá para a indisposição.
Assim, disseram-me depois que o espirito do avô não queria abandonar a casa, custou-lhe a morte, pespegou-se ao lado da avó na cama, na mesa, no sofá à lareira ou no caramanchão em dias de canícula!
A avó foi-se em esquecimento de Alzheimer, afinal nunca existiram almas deambulantes por ali, tudo invenção da filha que os tratou e viu partir, tão simples como viver e morrer no final!

31
Mai19

Os artistas, esses malucos

Rita Pirolita
 

Até hoje, o discurso que mais ouço vindo da boca dos artistas, mais especificamente os actores de teatro, é que precisam imenso do apoio do estado para sobreviver, isso é o que as pessoas normais fazem, trabalham e recebem em troca o 'apoio' para que trabalharam, o ordenado. 

Por oposição, nunca os ouvi dizer que se tivessem falta de trabalho e precisassem de comer, iam para trás de uma caixa de supermercado ou limpar escadas. 
Uns tiraram cursos no Conservatório, outros no Chapitô, outros andaram a passear por Londres e Estados Unidos e até serviram às mesas para pagar o estupefaciente, lá fora ninguém os conhece, não parece mal.
Acham mesmo assim, que são mais que os outros e queimaram mais pestanas que um engenheiro ou um médico? 
Os médicos têm sempre trabalho na área, porque são necessários e nem toda a gente consegue ver sangue sem desmaiar, por isso nunca precisam de ir limpar retretes, a não ser que sejam da India e emigrem para o Canadá para acabar a conduzir um táxi ou a fazer limpezas, o que já não é mau do ponto de vista do país que os acolhe, que fica de peito cheio por dar trabalho a desgraçados que fazem o que os canadianos não querem fazer, sem reconhecerem e aproveitarem a sua formação de origem. 
Os que se auto-denominam canadianos, são um bando de emigrantes que sempre desrespeitaram os verdadeiros autóctones, os índios. Mas isso é outro circo.

Quase todas as outras pessoas que tiraram cursos ditos normais, se sujeitam basicamente a fazer o que aparece para sobreviverem, debaixo de pressão social e deprimidos de tanta frustração. 
De fora ficam os jogadores da bola, políticos, banqueiros, Igreja e milionários, calam-se que nem ratos por trás da riqueza e não ligam a criticas e julgamentos porque fazem orelhas moucas às vozes da pobreza, da qual se alimentam e lhes enche os bolsos.

Muitos ainda, têm o descaramento de dizer que até nem queriam ser artistas, nem nunca sonharam com tal carreira mas que alguém insistiu tanto que eles lá aceitaram por favor e empurrados até acabaram por gostar. 
Ora, estas declarações são verdadeiros insultos para quem tem talento e anda uma vida inteira a sonhar e a fazer de tudo à espera que lhe saia a sorte grande de ser escolhido. 

Tal como não podemos ser todos médicos também nem todos podem ser artistas mas a maioria são-no por um acaso feliz, pertencem à família certa.
Os artistas gostam muito da ribalta, das purpurinas e da triste nostalgia de uma casa repleta de quinquilharia que coleccionaram ao longo dos golden years, onde depois dão entrevistas que cheiram a mofo, acompanhadas do queixume da baixa ou inexistente reforma, do abandono, do esquecimento...
Eu também gostava de trabalhar pouco, ganhar muito e reformar-me cedo!
Meus amores, só uma ínfima parte da população é conhecida mundialmente ou mais modestamente nos seus países de origem e para serem reconhecidos e lembrados com agrado, têm que saber abandonar o palco na hora certa e evitar fazer figuras tristes como fez a Amália, ao cantar até morrer quando devia ter parado quando deixou de soar agradavelmente aos nossos ouvidos e quando já mostrava um esforço penoso em fazê-lo. 
Quanto ao parco rendimento?...Quem não come por ter comido, não é morte de perigo e sempre podem ter a sorte de ir passando os dias na Casa do Artista ou sair-vos a sorte grande e comer, dormir e cagar por lá até morrer.

Voltando ao coitadinhismo dos subsídios pedidos em nome da cultura para alguns encherem o papo, não são os artistas que se querem sempre distinguir pela sua imaginação, criatividade, capacidade de adaptação, trabalhar de alma e coração?...
Porque é que tudo depende tanto de dinheiro? Já para não falar que são sempre os mesmos que recebem os apoios e fazem as novelas e não me venham com tretas que são os únicos que são bons, até podem ser mas também pertencem a grupos onde se movimentam muito à vontade, um deles são as bichas ou gays como vos aprouver chamar-lhes, contra os quais nada tenho a não ser vantagens porque sou mulher e posso levar no sítio que eles levam e mais um, e chupar no que eles chupam, mas isso também não é para este circo. 
Ora, as bichas lá se 'cobrem' umas às outras mas quando se zangam também ficam doidas como as mulheres, que são umas belíssimas cabras entre elas a toda a hora e ainda pior quando se zangam ou roubam maridos e namorados às amigas do lado, é vê-las deitar fel da língua e fumo das orelhas. 

Então o verdadeiro artista não é um entertainer pro bono do povo, um pobre  sonhador, um boémio como o Bocage...este romantismo já não vos atrai nos tempos modernos??? Querem todos ser comunistas-capitalistas a fazer a milésima reposição do Rei Lear e matar o Rui de Carvalho de cansaço em pleno palco? Andar a fazer merda sem o mínimo de qualidade, como um cocó de cão numa galeria de arte ou num qualquer museu, que roubou milhões aos bolsos dos contribuintes para ser construído?  
 
Meus amigos sou pintora, já fiz exposições por convite, vendi alguns quadros, tive algumas encomendas, sempre me imaginei a viver da arte e pelo menos em condições normais, sempre poderei criar até ao fim da vida, mas se não sair de casa, ninguém me põe comida na mesa, nem me compra roupa nem que seja na Primark. 
Ninguém me vai impedir de sonhar mas serei eu artista ou farei alguma coisa de jeito? Pelos elogios parece que sim, vi gente ao meu lado fazer menos pela arte e ter mais louros e fama, se mereciam??? Pelo menos estiveram no sítio certo, com hora e encontro marcado com as pessoas certas. 

Os famosos são conhecidos por serem bons no que fazem?...
Todos dizem que a arte é subjectiva e que só vêem os reality shows quando fazem zapping. 

Se não vivo da arte, não lutei o suficiente para que isso acontecesse? Se calhar não quero que isto seja um trabalho e sim um prazer, distração e divagação e talvez por aceitar isso não me sinta frustrada. 
Devemos lutar por fazer o que nos dá prazer mas nem sempre nem nunca isso acontece e menos vezes ainda, corresponde a sustento que se veja.
 
De qualquer maneira, quando ouço os artistas cagões a fazer o peditório choradinho em nome da cultura e não é a cultura das alcagoitas, imagino logo que são pessoas de famílias remediadas ou até abastadas, porque nunca tiveram que mexer o rabo para ganhar para comer e digo-vos uma coisa, de barriga vazia ninguém cria ou aprecia a criação mas sonha muito, nem que seja com um lombo de porco no forno, acompanhado do respectivo cheiro. 

Eu, sortuda que nunca passei fome, quando vos ouço a repetir a K7, fico logo com a cabeça na Lua e o pensamento voa para bem longe da vossa mesquinhez terrena. 

Eu é que sou a verdadeira artista, sonhadora sem precisar de subsídio!!!  
30
Mai19

O que as mulheres querem dos homens?

Rita Pirolita


Existem por aí uns escritos de fêmeas feministas, inevitavelmente falam de homens e não só, parece que andam todas a tentar domesticar um animal que já é de estimação. 
A julgar pela quantidade de abandonos no verão e maus tratos no inverno, não está a resultar…
As mulheres querem um homem!...
Não muito bonito para as amigas não cobiçarem ou roubarem; 
Sem mãe para não lhes fritar os miolos;
Que não esteja desempregado para não viver à sua custa;
Que não tenha filhos de outras relações para não gastar o dinheiro todo em pensões de alimentos, assim paga metade da renda e leva a dama a jantar fora de vez em quando;
Que passe a ferro, que ela detesta;
Que saiba cozinhar mas não melhor que ela;
Que baixe a tampa da sanita;
Que ajude na limpeza;
Que seja bom na cama;
Meigo, compreensivo e faça rir;
Que vá com ela às compras;
Que não convide os amigos todos lá para casa para ver a bola, beber cerveja e deixar manchas de gordura de aperitivos no sofá;
Inteligente, alourado de olhos verdes e em cima de um cavalo branco com uma mancha cinza no pescoço…
Por fim que tenha paciência para aturar isto tudo sem lhe bater.
Já agora, os números premiados do euromilhões, não querem? Uff!

Os homens querem uma mulher:
Que não lhes ponha os cornos, que cozinhe bem e que não implique com as manchas de gordura no sofá quando bebe cerveja com os amigos a ver a bola. 
Assim nunca terá razão para bater numa mulher.

Minhas amigas, quanto à cerveja o fígado é deles e cada um com a sua cirrose!
Desejar apenas um homem com uma boa pila e um único pré-conceito - que mulheres como eu são diferentes deles mas nem tanto assim. Keep it simple!
30
Mai19

Vida bucólica

Rita Pirolita
 
A moda rastafari está muito disseminada pelos festivais e costa vicentina, local calmo de planícies e praias desertas onde apetece praticar o amor e não a guerra, ouvir reggae o dia todo, enrolar ganzas de meia em meia hora e fumá-las de quinze em quinze minutos.

Adultos jovens, vestem roupas largas e confortáveis de cores térreas e motivos da natureza, por mais que digam que lavam o cabelo e até acredito que o façam, não se penteiam, por isso sempre um grão de quinoa do almoço que resolve aninhar-se nos dreadlocks, look mais natural que este não nas redondezas.

Andam sempre em festivais, têm casa à beira mar, herança dos avós, onde passam a maioria do tempo em contemplação, ócio e tertúlias sobre chamon, não trabalham, não por falta de vontade mas porque todos sabemos que a taxa de desemprego no nosso país é muito elevada e no interior é um horror, campos abandonados e aldeias inteiras desertas!...
Quem paga isto tudo?

Estes meninos, muito crescidos para andarem de skate e a brincar aos pobrezinhos, não vivem de ganza, que até dá bué fome.

Ora bem, a casa para ser de graça alguém a teve que pagar e alguém a continua a manter, mais, quem paga a droga, a comida, o carro, a gasolina, os bilhetes dos festivais, a prancha e o fato de surf, o skate, as pulseiras de missangas, o didgeridoo original vindo da Austrália, os djembés do Brasil, a viola, o vinho, a cerveja, as bolsas e sandálias de couro de quem não come carne ou come às escondidas, mas lhe veste as peles...seus falsos vegans!, o cão de marca, o período que passam como ocupas com nuestros hermanos em Barcelona, a vida de quem clama por liberdade no contacto com a natureza enquando se agarram à ganza, ao vinho e à cerveja que nem lapas???

São os pais e as tias benzocas que vivem lá em Lisboa nas avenidas, que sustentam isto tudo e depois dizem às amigas que têm uns netos preciosos que estão a cuidar da casa de campo da família, fugiram do reboliço da cidade e foram à procura de uma vida mais calma e saudável, abdicaram dos bens materiais e dedicaram-se à permacultura...tudo por um mundo melhor!...A bem dizer, que seja deles e pago pelos outros.
27
Mai19

Quanto mais 'miga' menos se lhe arrima

Rita Pirolita
Temos conhecidas de vista, aturáveis, conhecidas por arrasto ou solidariedade com amigos nossos, conhecidas do trabalho e depois vários níveis de amigas. 
 
Já tentaram catalogar os vários tipos? 
Eu vou tentar sem me rir muito.
 
Aquela amiga que pensa ter intimidade suficiente para nos tocar e estar constantemente a tirar cabelos, migalhas de bolacha ou borboto da nossa roupa. 
 
Há aquela que se dedica a sacudir a caspa dos ombros e aproveita para nos recomendar a melhor marca de shampoo anti-caspice ou a não usar blusas escuras.
 
A que se acha a maior sumidade com direito a MBA na área da amizade, reclama exclusividade em saber os nossos segredos mais obscuros e íntimos, tem que saber quem namoramos antes do próprio namorado, fica ciumenta se damos mais atenção a outra, chora no nosso colo porque não sente que é a melhor e única amiga e nós lá temos que a confortar sem que perceba que boas amigas vão-se encontrando ao longo da vida e ninguém tira o lugar a ninguém
Estas amigas não percebem que o coração não tem compartimentos e mesmo que tivesse, quando está tudo ocupado, arranja-se sempre lugar para mais um inquilino.
 
As amigas que nos procuram quando têm problemas com o namorado ou estão sozinhas e querem ir sair nem que seja ao centro comercial, a ver se arejam a solidão patarecal e quem sabe arranjam macho, conforme o nível de desespero, às vezes até marcha o rapaz do totoloto.
 
As que se estão a candidatar a grandes amigas e vão fazendo leves incursões nas nossas rotinas com mexericos como desbloqueadores de conversa. Só cai na armadilha quem quer!
 
Há umas de quem continuamos amigas porque o rapazito com quem andam é mais interessante que ela e até chegamos a pensar que não o merece e que nas nossas mãos estaria mais bem entregue. Nunca temos intenção de desfazer lares mas às vezes eles também chegam às mesmas conclusões que nós e a coisa até se proporciona, perdemos uma amiga e ganhamos um curto mas bom período de diversão.
 
Aquelas que ficam chateadas por virem a saber que o moçoilo com quem andam passou pelas nossas mãos e têm nojo de comer restos.
 
Aquelas que são tão chatas, narcisistas e mimadas que servem para ir ao centro comercial em dias que nos apetece beber um café e ver montras sem a intenção de comprar seja o que for, porque o guarda-fatos lá de casa rebenta pelas costuras
Nestes dias tomamos a decisão anual de dar roupa para a igreja, para nos sentirmos melhor com a desculpa de ajudarmos os mais necessitados, quando o que queremos mesmo é renovar os trapos e passamos nós a fazer de princesas pobrezinhas, sempre a queixarmo-nos que não temos nada para vestir ao olhar para um roupeiro quase vazio, isto na perspectiva de quem tem tudo o que quer e até demais.
 
Aquelas que estão sempre a cobrar saídas porque estão sozinhas e nós arranjamos namorado pouco tempo, estão-se sempre a insinuar, até parece que invejam a quantidade de quecas que damos. Elas quando estão acompanhadas ainda fazem pior, voltam a dar à costa todas chorosas, quando os gajos lhes dão com os pés porque voltam para a ex ou porque acabam por confessar que são casados e têm uma família numerosa ao estilo africano.
 
As peganhentas, que num par de meses de amizade nos tratam por 'migas' ou 'quiduxas'.
 
A amiga beta que está sempre a criticar tudo o que vestimos, calçamos, cabelo, make up, unhas, postura...e diz que o faz para nosso bem, para termos um ar decente e não brega, quando o que a corroí é a inveja desmedida do nosso corpo e das nossas conquistas.
 
As que se aproximam porque vêm que temos muitas 'connections' e através de nós acham que até podem arranjar emprego, gajo ou entrar nos sítios da noite frequentados por betos da linha com graveto.
 
No fundo estas são todas amigas 'contrafeitas'!!!
 
A verdadeira amiga é tão autêntica que não existem palavras para a descrever, todos sabemos o blá, blá, blá de trás para a frente - 'está lá sempre e quer se queira quer não, diz o que pensa mesmo que faça mossa.'
25
Mai19

Einstürzende Neubauten

Rita Pirolita

Acreditam que somos livres de dizer sem condicionamentos?...
Antes que me denunciem e cortem o pio, por dar a minha opinião sobre o não voto em gente que não conheço e nunca fez nada de jeito na vida política em prol da liberdade mas apenas se degladia e fica rouco em discursos de veia temporal, na defesa de uma cor política, um partido, uma parte condicionada de democracia prometida, tenho a dizer...
Muitos acham libertador e até uma certa piada romanceada, a frases que indicam o voto como algo inútil, identificamo-nos com filósofos da Grécia antiga fundadora da democracia, amamos e desprezamos ou esquecemos mestres, eternos aprendizes, como o nosso querido Agostinho da Silva que na prática amiúde da sua liberdade, num sistema altamente paternalista, delapidante e controlador, se entregou à decisão de não ter BI, também não tinha número de telefone ou mesmo número de beneficiário, fazendo protesto a um estado social conquistado a pulso após a Revolução mas primordialmente recusando ser tratado como mais um número na população, sem ideias próprias, diferenciação ou peculiaridade que cortariam a sua tão amada liberdade!
Sendo assim, todos os que não apelando ao voto directo mas apelam nem que seja ao voto em branco ou candidato a nulo, com rabiscos ou impropérios nos boletins das urnas, tenho a dizer que já deixei de dar pérolas a porcos faz muitos anos, que acho limitadora a ideia que muitos engoliram de ir votar na esquerda que não lhes agrada muito para impedir o avanço de uma direita que ainda gostam menos, que acreditam que as pensões são parcas por desequilibrio etário, nascimentos negativos, desemprego e menos população activa, que a saúde, justiça e principalmente educação não funcionam não por serem pouco importantes ou por exigirem muito dinheiro para funcionarem que todos nós até pagariamos voluntariamente se não fosse o roubo propositado para destruir áreas importantes de um país e votar os povos à pobreza, desorientação e dependência de subsídios humilhantes, em nome de uma sociedade mais justa, que nunca o será, criaram problemas para vender soluções que nunca serão implementadas por mais impostos que paguemos e que nunca serão demais para encher panças sem fundo!
Continua-se a acreditar no gesto confortável, não em decisões por acção e não reacção, fracturantes, precisamos de um niilismo, de Einstürzende Neubauten.
Fiquem bem, cada um dentro da sua caixa, sem olhar para fora do mundo que vos venderam, que engolem sem pestanejar, lutaram com tanto sacrifício que agora até custa largar pelo esforço feito e reconhecer que foi em vão.
Altruismo e evolução também é reconhecer e abandonar o desgaste!

21
Mai19

Os ursos também hibernam!

Rita Pirolita
Das coisas que tenho mais pena de deixar quando morrer, são o Sol e o Mar, adoro calor, o cheiro da praia, os dias longos, as noites quentes. É um sacrifício desumano viver num país frio, o convívio não é espontâneo, dão apertos de mão de lampreia morta. Quem não é convicto nem nos pequenos gestos da vida, merece viver no país dos ursos, eu é que não mereço viver aqui, tenho a certeza do tipo de sítio a que pertenço e nunca desistirei de lá assentar costados e ficar para sempre. Entre ursos, coiotes, montanhas e cães de marca, prefiro caracóis, cães rafeiros e planícies amarelas, num pais pequeno que chega para quem lá está. Igrejas frescas, refúgio perfeito em dias quentes, areia, mar, açorianos que têm vergonha do seu sotaque deste lado do Atlântico. Neste sítio frio, estou sempre na plateia, nunca no palco! Sou música de fundo num bar de bêbedos! É difícil fazer amigos, no máximo tens conhecidos delambidos, que marcam encontro com uma semana de antecedência e sujeito a confirmação no dia anterior, para beber um café no Tim Hortons, uma coisa intragável, não há cá expresso bom e cheiroso, ora eu sei lá se daqui a uma semana me apetece beber um café com aquela pessoa, isto tira a tesão a qualquer latino. Não há cá jantares de 5 horas com os amigos, daí a duas horas a mesa já tem outro dono. As eficientes empregadas parecem deficientes a debitar sem emoção e quase sem respirar, os pratos mais caros do menu, como sendo as melhores sugestões e escolhas que algum dia possas fazer nas redondezas. Informam das promoções e "happy hours" do dia e rematam com um "here, everything is made from scratch", o que me soa sempre a "vais comer raspas e sobras de outros pratos". Para estes amantes de fast-food, basta abrir uma lata de feijão, misturar ketchup, aquecer no micro-ondas e servir, como se o mais natural fosse o feijão nascer enlatado, no máximo, emborcas duas bebidas, engoles a refeição, pagas e bye bye, pontapé no cu, assim que terminas a refeição, sem pedir, já tens a conta em cima da mesa, se deixares gorjeta abaixo de 10 ou 15% do total, pelo pobre serviço, tens tromba à despedida, se não deixas nada pelo mísero serviço, se pudessem, cospiam-te na comida e mijavam-te no vinho na próxima reserva...Mas nem coragem para isso têm! Fraquinhos! Nem pensar ir a um bar ou dar um pezinho de dança, até pelo menos à meia noite, a malta está sempre de rastos, trabalha muito e tem filhos. Tenho cá a impressão que nem fazem filhos da mesma forma que nós! Nunca vi esta merda de atitude em Portugal ou outros países com salero! Também se trabalha, tem-se filhos, os putos vão à tasca com os pais comer caracóis, podes beber uma cerveja em local público, podes fumar na praia, na Califórnia levas multa, por lá, ou deixas de fumar ou deixas de ir à praia. Queridos países a norte do hemisfério norte, vocês são conhecidos por trabalhar muito e gozar pouco, no inverno até os ursos hibernam e vocês, desculpem que vos diga, é que fazem figura de ursos. Canadianos, um conselho, não gastem tanto tempo a mostrar que são completamente diferentes dos americanos. Não têm comida nem boa nem típica e são quase todos obesos e cor-de-rosa. Os canadianos esforçam-se por ser mais educados e mostrar um pouco mais de literacia e cultura, de resto já se questionaram porque ambos falam a mesma língua? Porque os colonizadores foram os mesmos, que vão carregar o karma de ter sacrificado tantos nativos à sua chegada e até hoje não os respeitarem. Dito isto, num dia cinzento, a descoberta deste vídeo foi um raio de sol que fez a minha alma rir a bandeiras despregadas. Enjoy it!

21
Mai19

Ortopédicas

Rita Pirolita

Usei aparelho nos dentes mas escapei-me dos óculos com pala e das botas ortopédicas, versão mais feia não havia no mundo, de uma coisa dura que nem pedra que deitava abaixo as canelas de qualquer um, de cor única, pouco infantil e muito menos original, azul marinho. 

21
Mai19

Tempo

Rita Pirolita
 
 

 

O tempo não volta para trás por mais que se cante, não estica para os lados, para cima ou para baixo, não é nosso por isso não se dá, não se tira e não se partilha, muito menos se vende ou tem preço.

Sentimos a passagem do tempo nas rugas e nas recordações.

O tempo de cada um termina na morte.

As marcas do tempo não se apagam nem com a maior borracha do mundo.

Não temos noção do tempo mas sim a ilusão de o medir, controlar e aprisionar. 

O tempo passa e não fica, será espiral, continuo ou interrompido pulsado?

Se pára, o que pára com ele? Se tudo pára, ele é o Rei do Universo? Se não pára, o espaço ganha tempo e o tempo passa a ocupar espaço? 

O tempo não se deixa enganar ou roubar.

O tempo não se guarda no bolso para mais tarde recordar.

O tempo parece que pára quando amamos e corroí quando esperamos abandonados.

O tempo impõe respeito e não liga a faltas de respeito de quem fala dele quando não tem mais nada para dizer! 

O tempo não se esgota, nós é que não o aproveitamos.

O tempo não se perde, nós é que não o encontramos.

O tempo não corre, nós é que não temos pernas para o alcançar.

O tempo não foge, é que não temos mãos para o agarrar

Correr contra o tempo é batalha perdida à nascença.

Transporte no tempo...não comboio que aguente.

O tempo não pára nos relógios avariados.

Só estamos certos quando dizemos que não temos (o) tempo...porque até a falta dele inventamos!

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