Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Contos e Descontos

09
Jul20

Pelo direito à preguiça

Rita Pirolita

Ao envelhecer tenho notado que não mudo mas refino o bom ou mau que há em mim, felizmente o meu lado mau não me prejudica a mim nem a outros mas sempre fez muita impressão a muitos e foi alvo, não poucas vezes de críticas, mexericos e palpites de vida alheia, a minha por sinal! 
Ora o que noto é que apesar de ser muito responsável e independente, nunca gostei de trabalhar de sol-a-sol, sem necessidade, para andar a esfregar na cara doutros o meu esforço desmesurado ao ponto de borrar cueca, sabendo desde sempre que não se enriquece a trabalhar, por isso os que trabalham 24 sobre 24 com mais uma hora para almoço, feitas bem as contas usufruem de um dia de 25 horas, não têm tempo para respirar e andam orgulhosos e inchados que nem perús a cumprir o seu dever, com poucas férias ou curtos fins-de-semana, sempre a correr e derreados de cansaço, põem o piloto automático todos os dias e tomam decisões em ponto-morto sem destrinçar entre trabalho, família, amigos ou lazer, depois de pagos os empréstimos, dívidas e impostos, ficam depauperados no fim do mês, mas não lhes pesa a consciência, dão uma esmola ao arruma-carros, um saco no Natal ao Banco Alimentar e está cumprido o dever de bom samaritano. 
Para estas abelhinhas tão obreiras eu sou uma cigarra preguiçosa, que nunca morre à fome mas também não pede nada, trabalha quando precisa e gere uma vida em versão ilusionista, de acrobacias em cima da navalha, sempre num circo perto de alguém pronto a espetar o ferrão da inveja e desdém! 
Não sei se já repararam, eu já e há muito, os que entram nas malhas do controlo social e embalam nas balelas políticas, com casas para pagar e filhos para sustentar, dificilmente se conseguem livrar de tal prisão, uma vida desnorteada por trabalho e pouca reflexão. Não parar para pensar e respirar, como todos sabem, cria Bolsonaros ou pelo menos deixa-os mandar alguma coisa, quais marionetas manipuladas por poderes ocultos e não são os do além, são bem de aquém mar e terra! 
Já quase ninguém se entrega ao prazer da preguiça sem se sentir culpado por não estar a fazer qualquer coisa, pensar apenas, ócio e contemplação é para filosofos loucos e cientistas malucos, mas se não tivermos estes tempos e espaços reservados para nada, apenas para o vazio, acabamos a fazer terapias com psicanalistas de banha da cobra ou a definhar com paranóias e vícios, porque o nosso conceito de descanso está próximo do modo alforreca a ressequir ao sol! 
Outra coisa que tenho vindo a refinar, aperfeiçoar e mesmo afinar é a minha tão amada e querida solitude. 
Uma coisa levou à outra e daí talvez eu já tenha nascido um pouco diferente, na escola sempre falei de coisas que ninguém percebia, não liam, não lhes interessava se não era para passar sem negativas, a maioria não é curiosa e descarada para explorar o que nos rodeia, não questionam mas têm sempre uma opinião e resposta para tudo, todos são formados em "Tudologia"! 
Como não encontrava pares fui-me afastando, por outro lado ninguém chegava perto da estranha que achavam ser.
Por grande defeito pedagógico, habituaram-se os professores a catalogar tudo pelo mesmo e a avaliar por baixo, normalizar os mais inteligentes pelos menos espertos, preguiçosos, amorfos e amarfanhados!
O resultado em mim foi uma grande desilusão com a escola, escassa em métodos eficazes de aprendizagem e apenas um depósito de formação de futuros adultos tão estúpidos como o próprio ensino, mais virado para a seca escolástica da não-questão, que para a exaltação de capacidades e estimulo da curiosidade! Um ensino de competição controlada, muito comezinha e doméstica que anula a criatividade, onde todos temos liberdade marxista para criar em normalidade marxista, nada de muito anormal ou arrojado que saía dos parâmetros da liberdade, que por ter limites deixa de ser livre! No limite ter regras razoáveis e destrutíveis! 
Ora lá fui experienciando que descobria e evoluia mais e melhor sozinha que a fazer trabalhos em grupo, de tarefas partilhadas, que só me retardavam a vontade de correr mais e mais. 
A solidão nunca se mostrou um martírio para mim e cada vez mais tenho vindo a tirar proveito dela embora tal como na questão do trabalho, todos tenham a tendência de achar que gente como eu é profundamente triste e não quer admitir, um bando de inadaptados que somos, que não encaixam em lado nenhum, almas deprimidas, que coitadas se acabarão por suicidar em desespero! Nada disso, digo-vos já que é mentira. 
A Grande Ordem diz-nos para sermos muitíssimo sociais, solicitados, gostáveis, integrados, pro-activos, aceites, apreciados, diplomatas, correctos, para nos mantermos saudáveis temos que estimular as enzimas da felicidade, as dopaminas, os potássios, a serotonina, criar mais sinapses, aumentar o QI, comer bem, pagar ginásios e não pôr lá os pés, aprendermos na relação com o próximo a felicidade da partilha, sentirmos o calor da amizade e o êxtase do amor e depois no meio deste frenezim e sem dar conta, lá vamos bater com os costados a um vidente porque nos sentimos cada vez mais sós e perdidos, isolados e viciados em jogos, álcool ou drogas, sem conseguir tirar prazer de quase nada, há divórcios, filhos usados para encobrir frustrações, atrai-se gente que puxa pelo pior que temos e vivemos quase até morrer sem percebermos que porra andámos cá a fazer, ainda por cima sem gozar as dádivas, sem olhar para o céu, apreciar o mar e dar a mão a quem foi bom e mais precisava, fazemos as piores escolhas e não sabemos lidar com elas com responsabilidade ou capacidade de resolver e passar à frente, elegemos políticos como pais para nos protegerem e decidirem por nós, acumulamos raiva em vez de ensinamento, tornamo-mos maus, feios e porcos, amargos e mal fodidos, peritos em foder a vida de outros! 
Nunca me senti culpada ou me queixei por estar sozinha e gostar da solidão, sem sofrer com ela, pelo contrário, é assim que me sinto mais coesa, pura, honesta e sincera com o universo a que pertenço, esse sim, não depende de pessoas para existir, vivemos num mundo de criação humana tão limitada que não damos conta que não temos importância decisiva no infinito ou em quase nada que possamos ter a ilusão de alterar com muita luta! 
Embora sejamos considerados os seres mais adaptáveis à face da terra, estamos sempre a combater e destruir para nos sentirmos poderosos, quando seriamos maiores ao contornar, transformar e ajustar, na onda da química irrefutável do universo! 
Ser solitário é não ser egoísta e pensar também no direito à solidão do outro, embora eu axagere ao ponto de ser um frete conviver, esqueçam-se de mim e sou capaz de passar dias a escrever ou a ler, sem falar muito, devo ser uma descomunal seca para quem está por perto! 
Queremos acreditar que os velhos sofrem muito de solidão, sofrem antes com maus tratos, desprezo e incompreensão, porque a maioria só quer é que não os amolem, querem dormir, comer bem cagar à vontade, se não fôr pelas pernas abaixo tanto melhor! 
Esta suposição da solidão na velhice é a culpa dos novos a vir ao de cima, nunca têm tempo para nada pequeno ou simples, não dispensam um minuto de atenção que seja a quem mais precisa, são estes os verdadeiros solitários que ocupam o sofrimento com trabalho que os deixa anestesiados, alienados, sem energia para viver, não criam disponibilidade emocional para a empatia, pensar requer esforço e vontade, inquieta a normal vida de casa-trabalho-trabalho-casa, com uns poucos dias de férias, com tralha e filhos atrás, refeições, banhos, birras, imensa roupa suja, para depois chegar a casa, organizar e lavar tudo, chegam a pensar tirar férias das férias! 
Os maiores críticos não são os que querem a mudança, são os que ocupam o silêncio a desdenhar, não querem saber do que existe noutras vidas, noutros lados, são avessos a mexer no comodismo, assustam-se com a liberdade de fazer o que lhes der na real gana sem que sintam culpa ou arrependimento. 
Sem depender ou prejudicar ninguém, não há pessoa no mundo que me possa obrigar a trabalhar ou mandar socializar e fazer amigos à força, tal como eu não devo ser sobranceira e dizer a alguém que abrande e se isole para pensar no que anda a fazer! 
Por mais que se queira abrir mentes o ensinamento só surte efeito nos que estão preparados para tal, os que buscam! 
A liberdade é mútua mas apenas reconhecida unilateralmente, é universal trabalhar e socializar tal como devia ser humanamente aceitável e até recomendável o ócio e a solidão! 
Caramba desculpem lá, escrevi outra vez um testamento, agora como flagelação vou ali ser solitária e contemplativa! 
Desejos de uma boa vida e mantenham-se vivos e ociosos sem parecerem umas amebas!

09
Jul20

Não confio nem desconfio

Rita Pirolita

Não confio nem desconfio das pessoas, não crio expectativas nem ilusões, deixo-as ser e mostrarem-se livremente, a maioria não consegue lidar com tanto espaço, ficam perdidas.
A maioria gosta de ser controlada para não ter que responder pelas suas ideias e actos!

09
Jul20

Confeitaria

Rita Pirolita

Eu detesto amêndoas da Páscoa mas sabem aquele cheiro que vem quando se abre um pacote...era esse aroma de confeitaria que eu gostava que os meus peidos tivessem quando saem do pacote!

09
Jul20

Líderes de merda

Rita Pirolita

Querem que vos diga uma coisa? Acho que todos os líderes idolatrados iniciaram revoluções por frustrações e fraquezas pessoais, depois que sentiram o prazer do poder iniciaram a vingança dos seus defeitos e passaram a tratar os outros como merda, aquilo que sempre sentiram ser!

09
Jul20

Nepotismo saloio

Rita Pirolita

O nepotismo tuga é tão saloio, comparável a países africanos! 
Como é que esta gente se suja por ordenados mínimos, atribuídos a familiares e amigos em terras onde todos se conhecem, para nem exercerem descaradamente os cargos e ainda ameaçarem quem denunciar?

08
Jul20

Gatos e leite

Rita Pirolita

Já alguém perguntou aos gatos se gostam de leite? 
Não há animal nenhum que beba leite até ao fim da vida, só mesmo os humanos que ainda por cima bebem o de vaca! Kanojo!

08
Jul20

Chás e canja

Rita Pirolita

Raramente estou doente mas uma dor de cabeça que seja e no dia a seguir o moço também tem! 
Ainda não consegui perceber se é mimo, chamada de atenção ou empatia...Vai na volta é amor! 
O certo é que ele aproveita logo para ficar de cama e eu que faça os chás e prepare a canjinha!

08
Jul20

Não vitimizem mais as vítimas

Rita Pirolita

Acho piada a todos os merdosos por nomeação dúbia à frente de associações, fundações e grupelhos de protecção disto e daquilo, que falam de articulação urgente entre as várias entidades judiciais, policiais e de apoio social para que a violência doméstica e infantil deixe de ser uma realidade que tanto nos envergonha e magoa, ainda para mais com desfechos tão hediondos.
Quando as coisas acontecem, vêm à TV verberrar pareceres, como se de uma moda ou época do ano específica se tratasse, como fazem com os incêndios, para romancearem em torno daquilo de que os seus cargos se alimentam.
Não existem estatísticas fidedignas e precisas de mortes por violência doméstica, que também contabilizem por exemplo os suicídios em contexto de agressão continuada, tal como não existem e não são divulgados ou noticiados, os suicídios por outros motivos, com receio do efeito mimico por sugestão, o chamado efeito Werther.
Fragilizadas mas não incapazes e muito menos culpadas da situação, as vítimas não devem ser mais vitimizadas ao serem obrigadas em clima de pânico e medo acrescentado, a fugir e sair da sua área de conforto para casas-abrigo ou para junto de familiares, cuja localização é do conhecimento do agressor, o agressor é que deve ser controlado, confinado, vigiado, impedido e dissuadido de continuar num crescendo de violência que possa culminar na perpetração de crime. 
O agressor será o elemento mais fácil de controlar, é ele o criminoso e único culpado que prejudica os outros, as vítimas normalmente são em maior número, mães ou pais e filhos ou famílias inteiras, que não vendo a justiça funcionar vivem em ambiente de fuga e terror, muitas vezes até à morte do agressor.
O agressor deveria ser sujeito a avaliação psicológica num máximo de 24 horas, com vigilância policial e em caso de aguardar em liberdade por audiência, deveria ser portador de mecanismo electrónico accionado por aproximação de qualquer uma das vítimas, por outro lado em vez de andarem a tentar impor decisões de género a crianças de tenra idade, fazia todo o sentido e proveito, educar para a cidadania, para a não violência e ao mesmo tempo ensinar a identificar sinais de abuso e admoestação que provoquem sofrimento e os adultos na posição de agredidos perceberem quais os indícios de perigo numa relacção para em tempo útil agirem, reagirem e se protegerem a eles e às crianças, em articulação clara com as queixas feitas a serem consideradas e recebidas em clima de confiança na actuação das autoridades competentes, não podem os processos ser tão morosos e burocráticos a ponto de muitas vezes provocar a desistência das queixas e a perpetuação da alienação parental.
Dever-se-ia nos casos mais graves providenciar de imediato às vitimas com murosa atenção às crianças, acompanhamento psicológico e de acção social, não esquecendo que as crianças que sobrevivem a estes testemunhos duros de vida serão mais sensíveis e frágeis perante episódios de violência, ficando traumatizadas para todo o sempre mas cujos nefastos efeitos podem ser minimizados com o devido acompanhamento prolongado no tempo, até se mostrar necessário e eficaz à recuperação possível.
A maioria sofre em profunda angústia por não conseguir controlar a revolta e reproduz na vida adulta o que viu fazer, em casos mais graves associados a sócio ou psicopatias, não têm a minima consciência e responsabilidade do mal causado ou qualquer medo de punição, sentem-se no controlo, usando de autoridade, imposição e manipulação acima de tudo e todos. Apresentam um comportamento desviante, borderline, agressivo e explosivo, sem culpa, desgarrado da realidade e das relações, muito imprevisível, carente por isso de controlo urgente. 
Os poucos que sobrevivem com a sanidade suficiente para continuar uma vida cheia de lacunas e desconfiança, poderiam ser uma preciosa ajuda na recuperação de vítimas, por já eles próprios terem passado pelo mesmo serão mais sensíveis e conhecedores da angústia, culpa, impotência e medo em situações de stress extremo.
Continuo com a opinião que num ciclo de eterno retorno, a vítima deixa o agressor existir e o agressor faz a vítima, a vítima não tem quem a defenda e proteja e o agressor não tem quem o pare e puna!
Enquanto quem desconfia ou presencia, sejam vizinhos, amigos ou familiares, temer por ameaças ou consequências por denunciar, tudo caminhará para um abismo de loucura imparável!
É este terror que a política actual permite que se instale e do qual se serve para enfraquecer, desorientar e distrair os portugueses, dos roubos que querem continuar a fazer sem dó nem piedade, sem respeito ou consideração pelo nosso sofrimento.
A partir daqui não sei mais continuar a descrever a dor de ser vítima desde o meu início de vida, que se recusa a sentir como tal mas que ainda foge do agressor!
Dedico este texto à minha querida Sandra Cabrita e ao pai Rui, em homenagem à D. Helena e à pequena Lara que não cheguei a conhecer! 

07
Jul20

CTT outra vez

Rita Pirolita

Catarina Martins frisa: 
"Os CTT são um serviço público essencial. É a distribuição das cartas, são as encomendas, comunicações de todo o tipo. É o local onde tantos idosos vão levantar a sua pensão."
Modernizar e actualizar estas cabeças duras e ocas.
Serviços paperless, menos poluição, as pensões podem ser feitas por transferência bancária e os serviços de distribuição e entrega de encomendas são cobertos há muito por empresas da área. 
Vendeu-se o melhor e agora querem ficar com a merda do que restou, pelo meio ganham dinheiro com as negociatas e tornam-se donos de tudo à custa de deitar o nosso dinheiro à rua! 
Com as nacionalizações e sem competição de privados, a ditadura instala-se como um polvo!

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D