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Contos e Descontos

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Autora esporádica de contos e descontos escritos a tempo inteiro

Contos e Descontos

07
Abr22

Vida defunta

Rita Pirolita

Ia a mãe para o cemitério gritar e chorar por todos os que lá estavam e nenhum que lá jazia era seu ou a conhecera, só queria gritar sem que lhe perguntassem porquê, ficavam na dúvida por quem seria tal desabafo, ela sabia, era a vida já defunta!

04
Abr22

Ai a guerra...

Rita Pirolita

A direita mais conservadora e cristã não defende a legalização do aborto, é nacionalista, não aprecia refugiados e de alguma forma acaba por encaixar nas definições de racismo e xenofobia, a esquerda populista atrás da palavra inclusão defende a legalização do aborto que esconde alguma ou muita falta de educação sexual, normaliza a pedofilia ao defender a etnia cigana e seus costumes e com brandas leis para abusadores, é a favor da eutanásia para colmatar a falta de cuidados paliativos, sai mais caro manter sem sofrimento que deixar morrer.
Se as leis fossem feitas por gente de bem a pensar no bem não seriam desculpas para a libertinagem e paranóia, pensam as gentes que estão a ser criados direitos e defendidos grupos e minorias para sua liberdade mas estão sim a aumentar a loucura instalada para melhor manipular as massas!
Numa sociedade de excessos e desperdício um obeso já não tem tempo de emagrecer sem antes morrer, o que se faz? Não há tempo a perder, o paciente entrou em ansiedade e depressão, em vez de trabalhar o estado mental vamos cortar o estômago.

Homens e mulheres entram em delirios de rejeição do seu estado natural e querem mudar de sexo, mais uma vez o paciente entra em ansiedade, depressão, não distingue realidade do delírio, mais uma vez é mais doloroso e demorado tratar o foro psicológico e os profissionais o que fazem? Mutilam, acrescentam e usam as cobaias a um nível assustador, caminhamos para uma humanidade de um só sexo generalista com pouca diferenciação ou complementaridade, a procriação será fria e distante emocionalmente, o autismo atingirá o seu espectro mais sórdido e extremo.
A guerra continuará por lucro apenas como sempre foi e será, tal como na Europa andam todos convencidos com o uso das suas energias verdes, ambicionam carros e telemóveis e lá longe uns loucos ambicionam controlar essa produção de matérias primas, a guerra rebenta por disputa de lucros e domínio, morrem pessoas, os que ficam vamos buscar de carro feito de materiais alguns raros (bateria) e acolhemos em nossas casas com energia retirada desses metais raros (painéis solares).
Vivemos e sofremos de uma solidariedade e ânsia de ajuda que não é mais que pena de nós próprios, não conseguimos fazer melhor neste ciclo que se alimenta de coisas más e onde não queremos reconhecer a culpa assumindo a responsabilidade!
E tantas vezes me pergunto somos assim tão burros ou fazemo-nos de parvos para olhar para o lado ou agir sem reflexão ou rumo? Ficamos chocados com imagens de mortos e atrocidades mas continuamos a jantar ao som do noticiário, ah mas a guerra está aqui tão perto e esta vai mexer e muito com o nosso conforto, vá vamos lá fazer manifs e minutos de silêncio pela paz!

Reflectir, não muito e continuar na nossa pequenina vida sem querer por perto o incómodo de mudar!

26
Mar22

Putinesca

Rita Pirolita

Disse eu que na guerra não há razão e quem sofre são as gentes alheias, fui logo apelidada de Putinesca! Em curso e a dar frutos a manipulação da opinião pública que justifique pegar em armas e não mexer nos negócios dos que mandam no mundo, despejamos assim o nosso ódio nos mais próximos que conseguem ver mais além nas motivações dos conflitos, a maioria apenas fica contente por estar do lado certo (q ñ existe) e estarem a ajudar quem foge da guerra para não pensarem nem um pouco na responsabilidade que todos temos nestas desgraças, permitindo que quem nos governa faça negócios em troco de muito dinheiro e se mantenha no poder durante tempo demais, andamos assim ocupados e distraídos a odiar o próximo e a ajudar os que vêm de mais longe, o objectivo da propaganda está mais que conseguido, vocês sentem-se bem, andam com medo da ameaça nuclear, controlados por senhas de combustível, virão talvez as do óleo e da farinha como aqueles regimes apoiados desde a antiga URSS, todos dirão que temos que nos sacrificar, a culpa é da guerra, uma entidade independente e espontânea como cogumelos, not.

Vocês acham que se houvesse boa vontade se deixariam oligarcas, imperialistas, ditadores, fascistas e comunistas terem subido ao poder estando lá o tempo suficiente para matar milhões? É óbvio que estes senhores são mantidos porque dá jeito aos donos disto tudo. 

Acolham num dia pessoas que chegam desesperadas (alguém se vai aproveitar dessa fragilidade) e na próxima reunião de condomínio não se esqueçam de começar uma guerra!
Lembrem-se que perpetuar conflitos e mau estar é a base da alienação!
Com a vossa hipócrisia não posso eu bem

16
Mar22

Dona Riquinha se fina

Rita Pirolita

Dona Riquinha habitava em Lisboa nas avenidas nobres e largas acompanhada pela filha médica, divorciada que à altura e até ao fim iria viver com um tumor nas sinapses, mandavam os colegas de profissão que aproveitasse a vida mais encurtada, como se a vida se pudesse comprimir em ficheiro quando a máquina anuncia desistir.
Dona Riquinha já levava em cima para lá de 85 anos e três quartos quando num dia que se previa igual a tantos outros, como são todos os dias dos velhos, heis senão que um fogo lhe começa no coração como uma máquina a vapor que entra em velocidade alucinante quase a deixar de tocar carril, o mareamento sobe ao couro cabeludo e rouba aquecimento aos pés, ainda com forças mas sem entrar em pânico, a manter a compostura como gente fina sempre faz e fará, queixa-se de afrontamento e coração cavalgudo, a filha com cabeça ocupada por tumor prefere chamar assistência de imediato.
Chegam bombeiros que descem corpo em agonia, após tentativas várias para afastar a morte Dona Riquinha deixa de bafejar, chama-se o médico dos óbitos e a confusão instala-se, como ninguém quer levar o corpo para a morgue pois acrescenta-se mais um à festa, venha a polícia porque estão todos no meio da rua mal parados, chega o ex-genro da defunta no momento da procissão para a esquadra num velório improvisado com polícia, bombeiros, médico, morta e família, todos para recolha e cativação de identificação, mesmo a de Dona Riquinha que jazia friazinha na maca.
Depois de horas em enrijecimento articular ainda ninguém tinha arredado pé da esquadra quando senão o ex-genro, homem calmo demais, sai porta fora e se dirige à primeira funerária que encontra que por acaso era logo ali do outro lado da rua, tinha ele sem saber e por irritação acabado com a soberba daquela gente em ganhar comissão ao chamar cangalheiro de seu interesse!
Se esta história não tivesse existido eu não seria capaz de a inventar tão bem!
Sim, Dona Riquinha teve um funeral calmo mas que deixou desconfortável memória do dia da sua morte!

19
Jan22

Desamados

Rita Pirolita

Realmente exponho-me muito pela escrita mas deixem lá partilhar as minhas feridas e as lições que tenho tirado da vida, sem queixume e ultimamente de cabeça erguida, tendo a noção que sou responsável pelas minhas escolhas, a vida é repleta delas a cada minuto, de vontades decididas, gostos marcados e acima de tudo de aproveitar opções e oportunidades, há quem não as tenha e isso é a maior falha na liberdade de um ser!
Aviso já que este texto é impróprio para inseguros, irresponsáveis, queixosos e coitadinhos, choramingas ou armados ao pingarelho que se acham no poder de dar palpites e lições de vida e moral quando são eles a própria merda em pessoa, resumindo, gente fraca, se assim forem não leiam, podem perder a virgindade do vosso cérebro formatado, reconhecer que a vossa força é uma caca, entrar em choque e começarem a destilar ódio por se sentirem retratados!
Comecei a vida com uma mãe que já pouca vontade tinha de me tratar e compreender, uma mãe massacrada a quem ruiu por completo a ilusão de família harmoniosa, uma mãe que comigo nos braços abriu o gaz do forno para irmos de vez as duas, que esteve inúmeras vezes com uma lâmina no pescoço sem coragem de o fazer, que não se protegeu nem me ensinou a amar e ser amada, deixou que um pai quase me matasse, fiquei uma adolescente solitária, a achar que merecia todo este desleixo, deprimida e calada na dor, chegou-me o suicidio e a anorexia perto, deixei a casa desarrumada para trás e recuperei ao viver sozinha, numa conversa comigo, ainda a retaliar ódio em quem não merecia, não consegui equilíbrio em relações, eu própria era um vulcão de euforia desmedida, percebi que a culpa não era só minha, que também não podia passar a vida a pô-la inteiramente nos que me magoaram no passado mas a recuperação estava nas minhas mãos, não conheci nenhum psicólogo ou psiquiatra do SNS que me pudesse ajudar, para os particulares nunca tive dinheiro, que mostrasse interesse ou disponibilidade de tempo para investir na minha saúde mental, reconheci que não devemos venerar ajuda exterior, a nossa fé é o melhor, é aquela que também nos deixa acreditar que outros nos podem ajudar no arranque! O serviço de saúde mental ou fisica tendencialmente gratuito é no fundo pago por todos mas a maioria age como se estivesse num resort all-inclusive em que têm que comer, beber e sujar na proporção da quantia que pagaram nem que para isso fiquem indispostos, bêbedos com diarreia ou mesmo regressem a casa doentes e cansados, eu pelo contrário sou a favor de contribuir para um SNS que para meu bem evite usar, será bom sinal e responsabilidade minha manter-me longe da doença e sofrimento, seja ele fisico ou mental, temos para isto que criar gente normal, forte e sensível que não se dedique a destilar ódio porque não gostam deles próprios e sabem que alguém se deixará ir abaixo com as suas críticas, temos que educar para um mundo de empatia e não de agressores falhados e vitimas desamadas. Sim veio-me culpa quando a mãe teve coragem de se matar e não consegui mostrar-lhe outras opções, fomos vitimas de um mundo que não devia ser assim!
Venham-me dizer que alguns têm propensão para o desequilíbrio ou depressão, que têm falhas químicas no seu corpo, caramba e não temos todos? Somos únicos nisso, uns mais real outros mais em potência com possibilidade de se passar de bestial a besta a qualquer momento e é nesta fronteira que temos que trabalhar, percebendo que tudo o que temos a fazer, errar, aprender e melhorar é nesta vida, não noutra que não existe, que somos seres tristes e alegres, efusivos, confiantes e frustrados e está tudo bem não estar sempre bem, que seria de nós sem emoções e seus altos e baixos, a competição desenfreada mata a originalidade, enfraquece os guerreiros, ficamos vulneráveis a críticas e golpes baixos, deixamos que a opinião dos outros nos dite o caminho, sobrevivemos de aprovação alheia e sucumbimos à fama ou falta dela!
Caramba vocês não sentem culpa de sermos uma amálgama pouco nobre e nada inteligente, de sermos combativos odiosos em vez de adaptados evoluídos?
Se estou orgulhosa por ter ultrapassado tudo com atitude? Humildemente acho que era minha obrigação ser feliz, alcançar paz e convicção e transformar em ouro toda a merda que me deram, é para esta capacidade de crédito e fé em nós que temos que ser formados, com isso conseguiremos muita coisa ou quase tudo!

16
Jan22

Morrer agora

Rita Pirolita

Vocês não pensam que às vezes não deviam nem sair da cama? Só apetece apagar o dia quando ainda só vai a meio? Mas depois com dois pares de olhos caninos meigos como a porra a fitarem-me, só penso, não me dá jeito nenhum morrer agora!

14
Jan22

Uma década seguida

Rita Pirolita

Não permito que alguém me conforte e assim os outros vêem-me como alguém tão forte que não precisa...se não pede não precisa mesmo...ai se eu permitisse que alguém o fizesse e esse alguém quisesse, chorava aninhada tudo o que não me permiti, chorava talvez por uma década seguida!

01
Jan22

Perdoar

Rita Pirolita

Vocês são de não esquecer nem perdoar, esquecem e perdoam ou não esquecem mas perdoam?
Eu não faço nada, quem fez o mal é que tem que melhorar se quiser e como eu não acredito que as pessoas mudem...Não desejo a morte a ninguém mas desejo nunca mais ver quem me fez mal!

Não me julguem mas na minha opinião só um ser muito superior a mim, perfeito ou quase perfeito pode perdoar, sou imperfeita demais para o fazer e gosto assim, pouco peso na vida pela inocência e incapacidade de ser omnisciente! 

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